Pouco tempo depois de se tornar Primeiro Ministro, Mariano Rajoy convocou – e o termo é mesmo esse – as empresas espanholas com maior projecção internacional (Repsol, Telefónica, Zara, Indra, BBVA, Santander, Pescanova) para usarem a sua visibilidade para passar uma imagem positiva de Espanha, de forma a contrariar os danos provocados pela crise económica na credibilidade do país.
Neste espírito, está a fazer furor no país vizinho um video feito pela filial espanhola da consultora Grant Thornton que pretende justamente fazer passar a mensagem que, apesar das más notícias, Espanha merece confiança e optimismo. E que, mesmo com estatísticas pouco animadoras, a economia espanhola conta com empresas bem sucedidas e prestigiadas internacionalmente.
O curioso é que o video está a ser elogiado pela originalidade, quando de facto parece ser uma imitação do video feito há dois anos em Portugal, destinado a esclarecer os finlandeses. É claro que há grandes diferenças. O video espanhol, além de ser francamente mais inteligente, tem a enorme vantagem de poder mostrar grandes empresas espanholas que são exemplos de como o saber-fazer espanhol merece a confiança de clientes em todo o Mundo.
É claro que cá, sendo um desporto nacional vender as boas empresas a estrangeiros, já não podemos fazer o mesmo: apesar de haver algumas empresas de capitais portugueses com dimensão internacional (Jerónimo Martins, Galp, Sonae, Amorim, Soares da Costa, Efacec), são de facto muito poucas as que têm visibilidade a nível internacional que possa ser capitalizada em favor do país: além da TAP e do Mateus Rosé (as mesmas de há quarenta anos) e agora da Galp (em Espanha) pouco mais temos com notoriedade junto do grande público como sendo uma marca portuguesa. E é óbvio que, por muito importantes que sejam os investimentos que têm cá, não podemos contar com a Volkswagen, a IKEA ou a Continental-Mabor para promover a imagem externa de Portugal.
Assim de repente, para além das que refere, poderíamos mencionar também a Atlantis, a Vista Alegre, a Delta Cafés e o Azeite Gallo.
Passe a publicidade, no têxtil, a Dielmar e a Do Homem; no calçado, a Armando Silva e a MackJames (ao nível do melhor que se faz em Itália e em Inglaterra).
Todas essas empresas – talvez com a excepção dos cafés Delta, agora por causa das máquinas Delta Q – têm muito pouca visibilidade internacional, e só são conhecidas de quem lida com esses nichos de mercado. Eu arriscaria talvez apenas juntar mais duas com alguma visibilidade, a NDrive e Salsa Jeans.
Obrigado pelo seu comentário.
JQ
A Delta só tem expressão no mercado da saudade, o vinho do Porto ou o Lancers são marcas bastante mais internacionais, mas a verdade é que ainda estamos a milhas de nuestros hermanos…
Precisamente. Esqueci-me do Lancers, também bastante conhecido, sobretudo nos EUA.
JQ