A “quarta mais bela cidade do Mundo” enviada para a Idade Média.
Mês: Fevereiro 2013 (Page 1 of 30)
Confirma-se, o “animal político”, ou teria sido dito “o político animalesco”, não deixou de ser o grunho aleivoso que sempre foi.
…ou como recorrer a truques, buzinadelas e cantorias, se os “partidos que interessam” não ganham eleições.
Eis o eleiçoeiro projecto do senhor Menezes de Gaia. Talvez fosse uma boa ideia darmos uma vista de olhos nas contas do município de Barcelona, pois por aquilo que os jornais espanhóis dizem, o buraco financeiro parece ser tão largo como o da cratera de Vredefort. Não tarda muito e teremos uma lusa reedição do sr. Mas em menêzica versão.
Uma entrevista a resvalar para o bueiro da esquina e rançosas insinuações acerca do “despesismo do dr. Paulo Portas” – decerto a caquética questão dos dois submarinos que num caso de normalidade deveriam ser uns oito, pelo menos -, mostra bem o quão baixo desceu a alegada “classe” política caseira. Sempre lestos a apontarmos o dedo a Berlusconis e quejandos, deveríamos estar muitíssimo mais preocupados em alijarmos muita desta tralha borda fora. A nau portuguesa mete água pelos costados, há que torná-la mais leve e segura.
Grande filme, possivelmente o melhor jamais feito sobre educação, com Edward James Olmos no papel da sua vida.
Quando eu andava no ensino básico os pais não desautorizavam os professores nem iam para a porta das escolas pedir-lhes meças das reprimendas e admoestações com que brindavam os gnomos, ora tiranetes em potencial pela natureza humana, perante o seu mau comportamento. Au contraire, a veneranda figura do docente, enquanto aspersor do saber, era olhada com deferência. Não havia putos que se apresentassem como animais de matilha, aos uivos, habituados ao excesso de atenção e às encolhas dos pais perante a chantagem que emerge mal a temperatura do ar cai dois graus de uma vez, como hoje acontece. Na escola aprendia-se, porque o saber estar e o saber fazer eram vistos como elementos de distinção. Hoje o que está a dar é ser medíocre, não levantar ondas, dar nas trombas da outra tribo, e correr com os poucos que ainda sabem mais que a média.
Entretanto cheguei ao que é hoje o 5º ano sem qualquer défice no que aos rudimentos, da língua e dos números, pudesse tocar. E de repente estava no secundário, sem percalços nem hesitações. Por dias d’hoje há um séquito de parasitas instalados na modorra social-garantida que exige, em anos ímpares, mais respeito, e em anos pares, menos chumbos; tudo por forma a assegurar o direito adquirido a ganhar sem trabalhar, e a trabalhar sem produzir, de onde sucede a correlação óbvia entre ganhar e não produzir. Vive-se a era Sociozóica, onde cada um se agrega a cada outro de igual persuasão ideológica, mormente a de nada fazer e tudo ter à conta dos outros.
Desculpem, alonguei-me. Vou dar aulas.
Quero apenas agradecer a centena de likes que granjeei com o meu post sobre a multa ao cidadão assoante, aproveitando para deixar aos meus leitores a sugestão de largarem a ilusão facebookiana de que gritar é revolta. Se querem dar-me razão, na letra e no espírito daquilo que posto, não paguem impostos, não comprem, não gastem, não obedeçam, não se associem por causas de merda.
Bem hajam.
(foto do Jornal de Notícias)
Os artistas apanhados em flagrante com a sua invenção-maravilha, deveriam ser reencaminhados para um polo tecnológico, no sentido de se estudar outras aplicações para este veículo eficiente. No entanto, existem perigos que não devem ser subestimados. O alçapão pode ser mais uma ferramenta aproveitada pelo fisco. Uma roulotte de falsas bifanas que se encosta ao contribuinte no sentido de sacar do consumidor, e em flagrante, a mostarda. O grau de elaboração do aparelho fiscal terá sempre uma resposta ao mesmo nível, senão mais criativa. O exercício de sobrevivência irá estimular as mentes daqueles que em última instância não estão a trabalhar para aquecer. Estão a tentar pôr o pão em cima da mesa. Estão a tentar desenvencilhar-se da melhor forma que podem ou sabem. A culpa nada tem a ver com a inspecção periódica obrigatória da carrinha. Tem a ver com a falência de sucessivos governos que não foram capazes de firmar em actos a construção sustentável do país. Não deve constituir surpresa o aumento da quota negra de mercado na economia. A austeridade que quase mata a economia, está a servir de veículo para a inovação na economia marginal quando esta deveria acontecer na economia normal. Encontramo-nos na sombra onde irão ocorrer mais e mais desfalques com mais ou menos grau de apuro. O alçapão é parente próximo do cadafalso. O palanque para onde parecem encaminhar as pessoas deste país, cada vez mais indigentes, cada vez mais desesperadas.
Cada um dos dois volumes de A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos, a obra mais célebre de Karl Popper, recentemente publicada em português, custa 26,90 euros, ou seja, 53,80 euros no total. Em inglês, na Book Depository, uma loja que não cobra os custos de envio, pode-se comprar cada um dos volumes por 17 euros, ou uma edição que inclui os dois volumes num só por 22 euros. Partindo do pressuposto que a esmagadora maioria do público-alvo desta obra também lê em inglês e que cada vez mais se banaliza a encomenda de livros através da Internet, como é que se explica o preço da edição portuguesa? A tradução vale ouro ou trata-se de uma edição em capa dura – com uma capa de ouro, claro – ? E quem fala neste caso, fala noutros. Por exemplo, qualquer edição portuguesa da obra de Tocqueville Da Democracia na América custa cerca de 40 euros, enquanto as edições em inglês ficam por 10 ou 20 euros. Por estas e por outras é que já raramente compro livros em português que não sejam de autores portugueses. Depois queixem-se da falência de editoras nacionais ou que os portugueses têm maus hábitos de leitura…
Recebi um e-mail de um centro de estudos de uma universidade portuguesa cujo campo do assunto principia com a palavra “Retificação”. Perante o absurdo e aberrante abortismo ortográfico, os seus defensores e os que o adoptam, começa cada vez mais a apetecer tomar emprestada a expressão que Francisco José Viegas utilizou para indicar o que mandaria os fiscais das facturas fazer caso o importunassem. Talvez então alguém se preocupasse em tratar de uma “retificação”, seja lá isso o que for.




