João Miranda entregou-se decididamente à desonestidade intelectual. Peço desculpa pelo tom algo exagerado, mas, com pérolas destas, começa a ser difícil discernir o tão propalado liberalismo de algibeira do blasfemo João Miranda. Nem me vou dar ao trabalho de rebater ponto por ponto, quem tiver paciência para tal que o faça, mas, à semelhança do que o Jorge Costa fez aqui, não posso deixar de sublinhar que é preciso algum topete para fazer crer aos leitores incautos que a redução do défice orçamental português tem sido acompanhado pela diminuição da dívida. Que eu saiba, isto, claro, a avaliar pelos dados fornecidos pelas entidades que vão estudando estes assuntozinhos – João, consulte esses dados, por favor -, a dívida nos últimos anos, sobretudo nos últimos dois, aumentou exponencialmente, para não dizer brutalmente. É que com tanto contorcionismo teórico, ainda veremos João Miranda a proclamar a bondade de uma tributação confiscatória, ou por que não, a necessidade do aumento da dívida, numa lógica “Sócrates” de que a dívida existe para ser gerida. Enfim.