Alexis de Tocqueville
E porque a vida é bem mais do que as jeremiadas dos bonacheirões regimentais do costume, importa reflectir e pensar o devir das nossas sociedades, com os mestres do passado e os referentes teóricos que formataram os fundamentos políticos e culturais do Ocidente moderno como companhias indefectíveis do indispensável labor intelectual. A reflexão é um trabalho que exige estudo, tempo, vontade, esforço, e, hoje, num tempo fremente da instantaneidade, nem todos estão disponíveis para esse trabalho de sapa, muito menos os protagonistas políticos que fazem as parangonas do dia-a-dia. É por isso que deixo aqui um breve elogio ao trabalho desenvolvido pela equipa do Gabinete de Estudos Gonçalo Begonha, sabiamente liderada pelo insurgente Tiago Loureiro, que, com firmeza e empenho, tem feito um excelente trabalho ao nível da reflexão e formação ideológicas. Após uma década de interregno o Gabinete reedita o seu Caderno de Pensamento Político com biografias de várias figuras relevantes do espectro ideológico que anima o pensamento da Juventude Popular. Dei o meu pequeno contributo para esta colectânea com um breve artigo sobre Tocqueville. Um trabalho, como imaginam, exigente. Além do meu contributo, encontrarão decerto textos riquíssimos assinados por gente do calibre do Ricardo Lima, do Guilherme Marques da Fonseca, do Rafael Borges, do Rishi Lakhani, do António Pedro Barreiro, do Hugo Nunes, do António Vieira de Castro, da Daniela Silva, entre outros. Aconselho, pois, uma visita ao sítio do Gabinete de Estudos que, garanto-vos, oferecerá uma leitura bastante deleitosa.
Nota: deixo aqui o link que permite o acesso ao caderno.
http://dl.dropbox.com/u/35133614/CadernoPensamentoPolitico_Final.pdf

agradece mais uma biografia
ainda se fosse o pensamento de Alex do toque vil versus Angela merckel
ou o paralelismo do salafismo com o governo de passos coelho
eleitos para reformar o estado mas incapaz de o fazer…
Permanecer senhor de si…
« Lorsque le goût des jouissances matérielles se développe chez un de ces peuples
plus rapidement que les lumières et que les habitudes de la liberté, il vient un moment
où les hommes sont emportés et comme hors d’eux-mêmes, à la vue de ces biens
nouveaux qu’ils sont prêts à saisir. Préoccupés du seul soin de faire fortune, ils
n’aperçoivent plus le lien étroit qui unit la fortune particulière de chacun d’eux à la
prospérité de tous. Il n’est pas besoin d’arracher à de tels citoyens les droits qu’ils
possèdent; ils les laissent volontiers échapper eux-mêmes. L’exercice de leurs devoirs
politiques leur paraît un contretemps fâcheux qui les distrait de leur industrie. S’agit-il
de choisir leurs représentants, de prêter main-forte à l’autorité, de traiter en commun
la chose commune, le temps leur manque; ils ne sauraient dissiper ce temps si
précieux en travaux inutiles. Ce sont là jeux d’oisifs qui ne conviennent point à des
hommes graves et occupés des intérêts sérieux de la vie. Ces gens-là croient suivre la
doctrine de l’intérêt, mais ils ne s’en font qu’une idée grossière, et, pour mieux veiller
à ce qu’ils nomment leurs affaires, ils négligent la principale qui est de rester maîtres
d’eux-mêmes. »
De la Démocratie en Amérique, II, XIV.
A propósito de prazer:
« Much of what goes by the name of pleasure is simply an effort to destroy consciousness. »
George Orwell, artigo “Pleasure Spots”, de 11 de Janeiro de 1946, no Tribune, sobre os primeiros “centros comerciais”…