Eanes

Há pouco falei de Cameron, um político da nova cepa, agora, talvez um pouco a contratempo, falarei de Eanes, um homem esquecido, mas que, em dimensão e verticalidade, supera em muito os finórios da geração actual. Há, na hagiografia dos protagonistas maiores do regime, uma tendência algo extravagante para riscar do mapa o nome do ex-presidente. Em parte, ou em grande medida, essa tendência é explicada pelo ardor apologético dos advogados da besta socialista. Entende-se o porquê. Eanes foi, em variadíssimos momentos das suas aparições políticas, um acérrimo opositor dos Soares deste regime. Soube distanciar-se dos prebostes que enxamearam a classe política e o Estado, ainda que a miúdo com erros políticos e pessoais dos quais viria posteriormente a pagar a factura. Mas também por isso, pelos erros e imprecisões, Eanes foi superior a toda a trupe que tomou conta das elites portuguesas. Hoje, numa clarividente entrevista explanou a sua visão sobre a crise actual, com saber feito e inteligência, coisas que, como se sabe, faltam a muitos dos idiotas úteis que andam por aí a barafustar o caos que provocaram com as suas omissões activas. Mas o aspecto mais saliente deste documento escrito é indiscutivelmente a ética que, em bom rigor, perpassa todo o percurso biográfico de Eanes. Frases como “eu sou dos que mais recebem. Concordo que me cortem, e até podem cortar ainda mais, mas mostrem-me que esses cortes têm resultados positivos” ou “não posso admitir que se olhe para o desempregado como se fosse uma realidade abstracta. O desemprego são desempregados! E um desempregado, sobretudo de longa duração, é um homem que, pouco a pouco, perde a sua autodignidade, perde respeito por si e pelos outros” são bons exemplos da ética de Eanes. Quiçá seja por isso que o ex-presidente tem actualmente um palco mediático menos rechonchudo em comparação com os seus homólogos posteriores. O sectarismo e a pompa têm sempre mais audiência. Não obstante, no fim, no fim dos tempos, a história, esse monumento dos vencedores injustos, dará certamente outra interpretação acerca da obra protagonizada por Eanes. Porque, em boa verdade, a história é mais do que uma narrativa dos vencedores: é o percurso dos que não vendem a honra a qualquer preço.

6 Comments

  1. eanes tal como o salavisa

    alunos do lyceu de castelo branco

    e jovens oficiaes quase quarentões e com poucas posses que nunca ascenderiam longe na carreira

    teriam terminado a sua vida como majores ou tenentes coronéis
    se não fosse o golpe de estado

    Eanes aparentemente superior a tanta cousa, derribou governos fez governos de sua iniciativa cousa que até o cavacóide nã intentou

    e fundou um partido ditto renovador que era bem piorzeco que os restantes

    Agora comparar o camarão um politiqueiro que se tenta agarrar a todo o custo afirmando a sempre presente independência do UK da ditta desunião

    e con parar eanito el estático um candidato a napoleãozinho das beiras a um grande presidente…..bolas vá lá compará-lo a sampaio ou a cavaco ou mesmo a soares não é grande coisa

    mas talvez ganhe ao sampaio mas não é por muito

    nitidamente até o sidónio ganha aos 4….

    tens quantos anos a menos que o Miguel?

    vinte? trinta?

    isto era pra referir que pareces um daqueles putos de 12 anos que defendiam as virtudes do soares carneiro frente ao eanite

  2. e isso da honra que fica cara

    são aqueles que não vendem essa insubstancial honra

    nem aceitam retroactivos mas aceitam promoções e comendas expresso

    e de quando em quando presidências de conselho

    e nunca se enganam e raramente têm dúvidas que o seu rumo é que é o bom

    tomam muitos nomes
    ele é dos que mais recebem….. Concorda que o cortem, e até o podem cortar ainda mais, então se se assume como masoquista
    cortem-no

    agora em que é que a sua voz ou de outros ex-presidentes que estiveram sempre calados em décadas de corrupção e desmandos
    têm agora a acrescentar a estas banana li dadas?

    ética? olha que o desemprego e sub-emprego era muito mais premente quando ele presidia

    e nunca foi de castelo branco à covilhã falar às dezenas de milhares de operárias e operários que nem salário nem subsídios de desemprego tinham e escreviam ao senhor presidente cartinhas de semi-analfas a pedir a mercê do senhor general

    felizmente não quiz chegar a marechal
    pois já havia dois e uns dois centos de brigadeiros e generais de menor patente que a sua

    a ética dele também não chegou às promoções automáticas nas forças armadas
    aos escândalos das compras e vendas de material de guerra
    ou mesmo aos escândalos menorzinhos das manutenções militares e dos hospitaes e institutos da mesma ordem

    e já nem se fala das oficinas gerais de fardamentos e taes,,,

    bué de ética yeah meu..salvoseja lá dos vossos….cagente é bué détitica

     

  3. Pedro Quartin Graça

    Eanes é um Senhor e um cavalheiro. Um Homem de uma enorme Dignidade. Houvesse muitos mais como ele e Portugal seria outro. Muito bem meu caro!

    • João Pinto Bastos

      Pedro, disseste tudo o que há para dizer. Um abraço.

      • não é um rústico y snob

        tal como o seu colega o general Salavisa que demorou mais uns 10 anos a chegar a brigadeiro

        o facto de eanito el estático ter casado com uma Portugal e Tal dá um ar nobre e católico praticante

        para isse mais bale gutierrez…

        • o problema é termos muitos como ele

          se fossem todos como o jaime neves…mas nenhum lhe segue o exemplo

          só uma mulherzinha que levou os dois filhos com ela

          e um outro que acabou com a famelga à catanada

          esses é que são pessoas de enorme dignidade

          malucos mas dignos

          um ladrão digno tem vantagens sobre um digno grande home

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