José Adelino Maltez, O homem é um ser que nunca se repete… viva a heresia!:
«Há um Deus que pode nascer todos os dias dentro de quem somos. Porque, às vezes, é na rebeldia que está a lealdade, nessa suprema ortodoxia do heterodoxo, e não na diluição no rebanho seguidista. Deus pode ser o mundo e haver mais mundos, sobretudo aqueles que continuam a criação, dando novos mundos ao mundo. As seitas sempre foram a própria negação da verdade. Não passam de rebanhos de dilectos que apenas reagem aos exoterismos, mesmo que se disfarcem em rituais, sobretudo quando estes perderam o sentido dos gestos.
(…)
Odeio todos os grupos e movimentos que procuram assumir o monopólio da verdade, do espírito, da vida e do próprio bem, só porque alguns exibem uma contrafacção da chave da verdade e dizem ser o caminho. Odeio catecismos e formulários, bem como os seminaristas de cordel que procuram transformar-se nos cardeais da propaganda da falsa fé e nos comandantes de uma nova Inquisição que nos quer a todos relaxar para o braço secular da persiganga. Os que retomam a hermenêutica disciplinada da unicidade preferem a liturgia da subserviência à religiosidade da libertação. Até nem compreendem que só há pátria quando se cultivam as complexas heranças que nos sagraram a terra das árvores, dos rios e dos montes. Eles nunca entenderão que é possível o não através do sim e o sim através do não. A heresia continua a ser a única foram criativa de fecundarmos este caminho repleto de dejectos, ditos os filhos dilectos, mas que sabem que a revolta individual dos que procuram é o que mais se aproxima de sua imagem e semelhança. O homem é um ser que nunca se repete.»
nao conheço nada do senhor mas já deu para ver que deve ser maçon. Só um maçon falaria assim da religião. Mais uma desilusão……É disto que é formado o Portugal de hoje.
Por acaso, eu, que me assumo como anti-maçónica (ai, o que me custou ouvir, no outro dia, na sala da “Concordia Fratrum” no Palácio do despótico do Marquis de Pombal, numa visita de estudo, em que fui como vigilante, alguém dizer que “o símbolo do infinito unia os três irmãos e que cada um representava o poder político, o religioso e o militar”, como forma de união fraterna ad litteram!!!…), não interpretei o texto como anti-religioso (Religião não é sinónimo de alguma instituição, mas provém do étimo que significa “religar o homem a Deus”, religar, de forma Livre, não condicionada, o Céu à terra e não fazer o contrário- territorializar o céu, na lógica das indulgências em que cada qual pensaria/pensa comprar um terrenozito para plantar as suas couves (como os fundamentalistas islâmicos que se suicidam com a promessa de uma projecção de um paraíso terreno Noutra Dimensão que nada tem a ver com a matéria nem com o ego, muito pelo contrário!)…Como tal, sou insuspeita e digo: adorei o texto- só através da antítese, da heresia, desde que seja Ética, se evolui, sempre foi assim e sempre será, pois o ego humano tende a umbilicalizar a síntese!