Preparem-se meninas, as nossas quotas chegaram

 

A luta contra o patriarcado avança devagar ao ponto da maioria das mulheres continuar a lidar com o ignóbil predomínio do sexo masculino no seu emprego, nas aulas da sua universidade, na subjugação a uma leitura da História escrita por homens, numa filosofia predominantemente pensada por homens, no reparo ao equipamento informático, nos furos da canalização, entre outros exemplos desta infindável opressão cunhada pela ignorância de séculos.

 

Mas nem tudo é desanimador e os ventos de mudança vão soprando. O alento, como não poderia deixar de ser, vem dos nossos fiéis aliados que labutam na Comissão Europeia. Sempre prontos na repreensão às lideranças dissonantes do progresso e na correcção aos hábitos retrógrados a que algumas populações ficam aprisionadas nas suas tradiçõezitas, os anjos de Bruxelas não nos trazem só financiamento para betão ou o biberon aos eternos endividados. Trazem também as luzes igualitárias e niveladoras das aptidões porque é coisa que nos faz falta como pão para a boca. Não deve haver nada mais gratificante para uma mulher do que saber que conseguiu ultrapassar um indivíduo do sexo masculino graças a legislação coercitiva dos sempre bem-intencionados engenheiros sociais.

 

É ainda mais agradável saber que os “nossos” representantes, no PSD e PS, não ficam indiferentes e não reprimem este aperfeiçoamento que dita que “as mulheres devem preencher 40% dos lugares não-executivos da administração de empresas cotadas em bolsa até ao ano de 2020.” Como será compreensível, isto ao ritmo da natureza nunca mais se endireitava:

 

«Ao ritmo actual, seriam necessárias várias décadas para se acabar com o desequilíbrio entre os géneros», afirma a directiva, considerando que as quotas, apesar de controversas, são a medida mais eficaz: «Os progressos mais significativos foram alcançados pelos países que introduziram medidas vinculativas».

 

Não poderíamos esperar tanto tempo, evidentemente. Continuamos a aguardar por igual anseio feminino e empenho burocrático que garanta a rápida ascensão das mulheres na ocupação de cargos na indústria mineira, petrolífera, ferroviária, estiva, pesca de alto mar e tantas outras actividades em que subsistem perturbadoras assimetrias de género.

 

Como eu dizia há uns tempos atrás “As quotas por género, ao ignorarem indivíduos e circunstâncias concretas, no tempo e no espaço, soam como reparações de guerra que o sexo oposto parece estar obrigado perpetuamente a pagar.”

8 Comments

  1. Fernando Melro dos Santos

    Aguardo com expectativa a introdução de quotas para transgenders, gatos, palmeiras e pedaços de xisto.

  2. Nuno Castelo-Branco

    Os monárquicos já resolveram isso há séculos: há mulher, há Rainha 😉

  3. Reaccionário

    Surge-me a questão: Será que a UE ainda existe em 2020?

  4. PiErre

    Não entendo. Se é para lugares não-executivos, o que é que elas irão para lá executar?

  5. Tiradentes

    Gratificante….só não percebo porquê tão escassa. 100% não seria bem melhor? e que tal depois subdividir entre homo hetero e trans? No final iamos contar quantas loiras e morenas.
    No bom caminho estamos na URSE

  6. PedroS

    E para quando exigir uma quota de 40% de homens nas profissºoes relacionadas com a infância? 40% de professores primários, 40% de educadores de infância…..

  7. Makinavaja

    E faltam as quotas para os desportos de equipa. No voleibol resolve-se bem. 3 de cada sexo, resolvido. Os outros desportos é que teimam em ter equipas com número ímpar. Nos desportos com baliza pode resolver-se com quotas só para os jogadores de campo. Mas se os guarda-redes ficarem ao critério dos treinadores e estes só escolherem homens? O machismo vai continuar. Pior é o râguebi e o basquetebol, que além de terem equipas com número ímpar, não têm guarda-redes. A divisão será sempre sexista. O melhor é acabar com o desporto, que também só aliena as pessoas e as afasta da revolução.

  8. quarentaom

    -> Existe algo muito mais importante do que quotas: IGUALDADE DE DIREITOS!
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    BADALHOCOS: não se preocupam em construir uma sociedade sustentável (média de 2.1 filhos por mulher)… criticam a repressão dos Direitos das mulheres… e em simultâneo, para cúmulo (!!!),… defendem que se deve aproveitar a ‘boa produção’ demográfica proveniente de determinados países [aonde essa ‘boa produção’ foi proporcionada precisamente pela repressão dos Direitos das mulheres (http://tabusexo.blogspot.com/) – tratadas como uns ‘úteros ambulantes’]… para resolver o deficit demográfico na Europa(!).
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    DIREITOS DAS CRIANÇAS: quando se fala em Direitos das crianças, há que olhar também para o seguinte: muitas crianças hão-de querer ter a oportunidade de vir a ser pais!
    Dito de outra maneira: não está em causa ter (ou não ter) acesso a ‘isto ou aquilo’… mas sim, o facto da sociedade não poder estar a IMPOR BLOQUEIOS EMOCIONAIS: leia-se, ao não legalizar as famílias monoparentais (a masculina em particular) a sociedade está a fazer com que uma faixa (de certa forma significativa) da população masculina não tenha filhos.
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    UMA QUESTÃO A LEVANTAR:
    O Direito de ter filhos em Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas!
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    Ainda há parolos que acreditam em histórias da carochinha… mas há que assumir a realidade:
    – Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas apenas os machos mais fortes é que possuem filhos.
    – No entanto, para conseguirem sobreviver, muitas sociedades tiveram necessidade de mobilizar/motivar os machos mais fracos no sentido de eles se interessarem/lutarem pela preservação da sua Identidade!… De facto, analisando o Tabú-Sexo (nas Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas) chegamos à conclusão de que o verdadeiro objectivo do Tabú-Sexo era proceder à integração social dos machos sexualmente mais fracos; Ver http://tabusexo.blogspot.com/ (http://tabusexo.blogspot.com/).
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    Concluindo:
    – Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas é natural que sejam apenas os machos mais fortes a terem filhos,no entanto , as Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas têm de assumir a sua História: não podem continuar a tratar os machos sexualmente mais fracos como sendo o caixote do lixo da sociedade!… Assim sendo, nestas sociedades, numa primeira fase, deve ser possibilitada a existência de barrigas de aluguer {úteros artificiais – deve ser considerado uma Investigação Cientifica Prioritária!…} para que, nestas sociedades {a longo prazo} os machos (de boa saúde) rejeitados pelas fêmeas, possam ter filhos!
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    Nota 1: Incompetência sexual não significa inutilidade… de facto, os machos mais fracos já mostraram o seu valor: as sociedades tecnologicamente mais evoluídas… são sociedades tradicionalmente monogâmicas!
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    Nota 2: Hoje em dia, por um lado, muitas mulheres vão à procura de machos de maior competência sexual, nomeadamente, machos oriundos de sociedades tradicionalmente Poligâmicas: nestas sociedades apenas os machos mais fortes é que possuem filhos, logo, seleccionam e apuram a qualidade dos machos.
    Por outro lado, hoje em dia muitos machos das sociedades tradicionalmente Monogâmicas vão à procura de fêmeas Economicamente Fragilizadas [mais dóceis] oriundas de outras sociedades…

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