O John Wolf alertou aqui em baixo para a tudologia do Professor Marcelo: um mestre da prestidigitação política. Tudo conhece, tudo sabe, tudo adivinha. O busílis da questão é que tanta omnisciência redunda, invariavelmente, em inexactidões próprias de um aluno da primária. O Joaquim Couto alerta aqui para uma frase proferida pelo magnânimo lente comunicador em que o mesmo diz que “o relatório do FMI está bem elaborado sob o ponto de vista técnico, mas ignora completamente a história do País. Portugal sempre teve um Estado pesado”. Porém, e como a verdade factual é uma coisa dos diabos, o mesmo Joaquim, com um agudíssimo bom senso, posta, em seguida, um quadro em que compara a evolução da despesa pública em relação ao PIB entre diversos países europeus, e Portugal, estranhamente ou não, apresenta valores, nos idos das décadas de 60 e 70, bem abaixo dos valores actuais. Porquê, perguntarão os leitores. A resposta oferece diversas variáveis, mas o que importa reter é que o tal “estado social”, o menu de degustação preferido da esquerda solipsista, provocou um disparo da despesa pública para números nórdicos, sem a devida compensação na satisfação social da cidadania com os serviços públicos prestados pelo dito estado. Portugal, de feito, sempre teve um Estado intrusivo, liberticida e amiguista. O que, e é aqui que a análise de Marcelo peca por defeito, a ocidental praia lusitana nunca teve foi um Estado tão mastodôntico e endividado. Portugal nos últimos 40 anos atingiu os máximos olímpicos da insustentabilidade financeira, e, queira-se ou não, a correcção destes desvios ciclópicos exigirá um desígnio bem burilado, algo que, manifestamente, não faz parte das prioridades das elites de plantão.
Marcelo Rebelo de Sousa e a inexactidão: uma arte empenhada
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E o tudólogo também deu uns valentes pontapés na história factual de Portugal. Ouvi-o e tomei nota.