Portugal é um país que, goradas as restantes hipóteses de conformação, é uma pousada do engraçadismo. Um relatório é publicado, tenta discutir-se, sim, tenta-se porque cá é virtualmente impossível debater seja o que for, e, no fim, a desorientação é mais pronunciada do que antes. Os governantes embrulham-se nas explicações, não comunicam, impõem e trespassam, os oposicionistas, prenhes de verve sanguinolenta, anelam a queda do Governo de turno, para, em seguida, acoitarem-se nos restos de cargos e benesses que ainda sobrarem. Os oposicionistas dos “amanhãs que cantam” querem a desgraça pela desgraça, porque, bem vistas as coisas, e o que é tem sempre muita força, os sonhadores das”tomadas dos Palácios de Inverno” ainda acreditam na ocupação de São Bento. Coisas que só uma democracia incivilizada e refém dos instintos prequeiros consegue explicar. Em resumo, o ano de 2013 será o ano de todas as surpresas, fins e quedas de mitos e ídolos. Resta saber até que ponto conseguirá a coligação sobreviver a esta resistência à realidade. As oportunidades perdidas, a não reforma do inadiável e a manutenção das prebendas serão ou não fatais? Não sei, sei apenas que o falhanço do Governo, desejado e premeditado pelos Relvas que por aí rastejam, será o fracasso do país. A não reforma agora, será o embate violento de amanhã. O bom senso anda pelas ruas da amargura.
Futurologias de vão de escada
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