Não se pode ter desejos fúteis como uma mala. Não se pode querer querer uma viagem porque isso é um desperdício de dinheiro. Aliás, nem se pode ter dinheiro porque isso é feio. O caso da blogger que queria uma Chanel trouxe ao de cima todo um mundo de virgens ofendidas e polícias da normalidade.
Um país que pára para discutir a decência de um desejo pessoal de uma pessoa é um país pobre. Obviamente, todos os que criticaram o desejo materialista da jovem, passaram o Natal em amor e harmonia, oferecendo apenas bondade de alma. Presentes? Não pode ser. Isso é ser materialista.
Chama-se hipocrisia, o que se assistiu hoje. Uma raiva inexplicável a uma pessoa cujo único crime foi admitir que queria uma mala. Foi atacada, insultada e humilhada em praça pública. A esta onda de indignação de moralistas santos e sem pecado na alma só se pode observar uma coisa: vergonha.
Este caso é um exemplo perfeito da mesquinhez inerente a este país. À inveja que se tem sobre quem tem, quer ter e é livre para isso. O maior problema é o ataque à liberdade individual que uma pessoa tem para escolher o que quer.
As pessoas que criticaram o desejo de ter uma mala não respeitam a liberdade alheia e assumem a si uma verdade do que se deve desejar no ano novo. A vergonha alheia não está na Pepa Xavier, mas sim em quem acha que sabe mais sobre os desejos pessoais de outra pessoa.
Bravo
Em suma, um País de invejosos.
Mas acha mesmo que a mala é a culpada? ou não será a voz afectada e os trejeitos e maneiras de falar, parece a Amália nos seus últimos dias…o “sei lá”, ” o tipo”, o ” supé”…
Uma cabecinha oca…
O que é que interessa se a miúda quer a mala ou não, ter mais tempo ou não para namorar…tivesse ela dito exactamente o mesmo mas em “português”, e quem é que tinha ligado?
Mas é no que dá, quando alguém é importante por ideias da treta.
veja lá se a malinha agora condiz com a má lingua.
Concordo inteiramente com “na primeira pessoa do singular”.
Viva José Maria,
Concordo com o artigo que escreveu, mas gostaria de acrescentar a minha opinião que vale o que vale. O problema não reside nos desejos “pessoais” da Pepa Xavier, mas porventura no evento “público” em que foi transformado. Também quero um relógio, mas não tenho de o partilhar de forma despudorada com o resto do mundo. Nem a Pepa nem a Samsung demonstram grande sensibilidade ou consciência social, e a partir do momento em que a declaração de desejos se torna pública, o vento encarrega-se de criar os remoinhos que entender. Em suma, a legitimidade da Pepa é tão válida quanto as respostas que recebeu. Mas tem razão, a inveja é última palavra dos Lusíadas…
Um abraço,
John
é exactamente isto!
Ola bom dia. Li o seu post e percebo a sua perspectiva, claro que se pode ter desejos fúteis. Para mim, contudo, a verdadeira questão, que é de bradar ao céus, é quando os desejos fúteis são suficientemente grandes em cada um de nós que se tornam O desejo. É o que traça a linha entre um indivíduo comum (que quer uma ou outra futilidade para o seu ego) – o que devo admitir que pode ser “comum” mas não necessariamente “normal” – e um indivíduo fútil. Acrescentado a isto advém um outro problema que, a meu ver, é muito pertinente: tomando consciência de que se tratava de uma campanha publicitária, este sujeito fútil nem toma consciência da imoralidade das suas palavras dirigidas a um país em grandes dificuldades económicas. Porque há ainda uma diferença grande entre aquilo que se deseja e aquilo que se assume que se deseja. Ora, é do meu entender que a censura pessoal (uma das características de uma entidade inerente ao homem a que chamamos “consciência”) é uma ferramenta essencial na nossa vida em sociedade. De resto, ponho em causa a consciência desta rapariga (“rapariga” porque tem mais ou menos a minha idade), e, logicamente, por coerência argumentativa, questiono a sua humanidade.
Já falava o Rui Rio na elite parola… que gozem, tudo bem, até para bem da miúda agora enxovalhar na praça pública é demasiado
bem, acho óptimo defenderem a Pepe e na verdade foi um exagero o que se gerou a volta deste assunto, mas também não vamos exagerar agora na defesa da menina!
É verdade que houve criticas demasiado mesquinha e exageradas, mas no meu ponto de vista muitos dos comentários foram feitos na brincadeira e caracterizaram a personagem que ela é! Acho que a maior parte das pessoas não comentou por inveja ou por maldade, mas por ela ser realmente um alvo fácil de caracterização desde a forma como fala, aos gestos, ao mau português, a falta de coerência no discurso, a futilidade! Estou mesmo a ver os Gato Fedorento a utilizarem este video e fazerem um sketch cheio de piada e tenho a certeza que toda gente ia achar piada,pois todos nós em publico somos alvo de chacota!!
Falam em falta de liberdade que os portugueses dão a Pepa de expor os seus desejos, mas têm também de haver liberdade para se comentar e falar nos assuntos e dar opinião!! Temos todo o direito de comentar um video que é publico e todos aqueles que são entrevistados e fazem algo púbico sabem que isso poderá acontece! Eu que apoio o trabalho da Pepa e até gosto do blogue dela, achei bastante fútil o discurso dela e completamente desapropriando para o ano que os portugueses estão viver…Ela pode ter os desejos que quiser, mas vamos lá ter noção que se está a falar para um grande publico e não para as amigas que têm a mesma vidinha que ela!!