A tirania da boçalidade começa, muitas vezes, no esquartejamento da alma dos humildes de pecúlio. Ela chega quando à maré consumista arreada pelo crédito segue-se a miséria da desesperança. A miséria dos que, iludidos pelas promessas dos coronéis e mangas-de-alpaca da Política politiqueira, creram na felicidade perpétua. A realidade é bem mais dura, e quando ela nos bate à porta sob o signo da desocupação, a revolta nasce e a indignação floresce. Contra o Poder, contra os instalados. Não há democracia nenhuma que sobreviva a esta maré de mendicância.