Num artigo publicado no primeiro número da XXI (final de 2011), Ricardo Cabral mostra como em face do panorama que enfrentamos seria necessário um ajustamento externo sem precedentes e sustentado ao longo de mais de uma década para diminuir a dívida externa e colocá-la numa trajectória sustentável, o que, mantendo-se Portugal no Euro e tendo que obedecer às regras e políticas de concorrência da UE, é simplesmente irrealista. Saliente-se ainda que tal ajustamento “teria de ocorrer num contexto em que vários dos principais mercados das exportações nacionais estão igualmente sujeitos à crise de dívida soberana e a empreender ajustamentos domésticos e externos similares”. Conclusão: ou alguém decide pagar a dívida externa portuguesa, ou não há alternativa a reestruturá-la. Não deixa de ser curioso que o BE pareça ter sido a primeira força política nacional a perceber isto, e penoso que a direita partidária ainda caia no erro de achar que tal ideia é exclusivamente de esquerda e que o que é de direita é pagar a dívida nas condições a que estamos sujeitos pela UE e FMI – como se isto fosse motivo para divisões destas. Entretanto era conveniente termos umas ideias articuladas quanto à reforma das instituições e políticas europeias. As eleições alemãs já não tardam muito.
A caminho da reestruturação da dívida?
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“Precisando de umas peças que prendem persianas à parede (impedindo-as de bater contra as ditas por mor do vento) dirigi-me a uma oficina de serralharia que faz “marquises” e afins, em Tavira. Peço então as 4 peças. Que eram cinco euros. Quando vou pagar, que afinal eram seis. Peço a factura, que então teriam que cobrar o I.V.A. devolvo as peças são-me devolvidos os cinco euros. Vou a uma loja e obtenho as mesmíssimas peças por 3.90, com recibo e tudo. O engraçado é eu ter que colocar um “pano de vidro” de 13,5 m por 2,80m, e mais duas portas. Ou seja que por seis euros perderam um cliente.” Copy&paste do meu diário. Podia continuar com a minha já vasta colecção de relatos das minhas relações com lojas e serviços portugueses. Ainda assim não resisto a só mais uma : o telefonema que recebi de uma empresa de montagem de antenas parabólicas e que começou assim: « Ó seu filha da puta …» – Explico : comprei uma antena no Jumbo e lá deram-me o contacto da empresa montadora mas como a recepção tivesse terminado ao fim de 2 semanas devolvi a antena e esta devolução originou o tal telefonema. E estórias deste gabarito tenho muitas mais.
Justificando o meu comentário anterior – Como pode um anónimo cidadão como eu ter uma colecção tão vasta de relatos de consumo similares aos anteriores acreditar na recuperação económica nacional? É que se me for pedido boto-os um a um onde for preciso.
Peço desculpa pela insistência mas não resisti a mais este copy&paste do meu diário:
” Sábado 5 de Janeiro de DOIS MIL E TREZE pelo meio dia e 30 min. decido sair e andar um pouco e tirar umas fotos. Um minuto e meio depois de iniciar o passeio, ainda na minha rua, paro para fotografar um prédio cuja construção foi suspensa há uns 3 anos atrás. Estava então fotografando o interior do dito prédio através da rede de vedação quando ouço atrás de mim: -« está tudo bem?» Volto-me para trás e quem vejo? Um carro da polícia, fora de mão, e quem fazia a pergunta era um dos 2 polícias no interior. Perguntei porque fazia a pergunta, respondeu que como estava a tirar fotografias queria saber se estava tudo bem. Perguntei se o facto de estar a tirar fotos era motivo para abordar um cidadão. Disse que sim, com ar insolente. O outro polícia, um homem mais velho, sorriu e desviou a conversa perguntando se eu tinha “visto alguém estranho” nas redondezas. Portugal é mesmo um país interessante.”