Cães de Palha (Sam Peckinpah, 1971)

Estou a ver na SIC o Parlamento. É uma sala bonita. Nela se encontram várias dezenas de pessoas medíocres, pagas ao valor de um resgate de Creso com os nossos impostos, muitas delas auferindo ainda rendimentos oriundos de companhias que subsistem em promiscuidade com o Estado, sendo last but not least, essas pessoas (?) eleitas por um conjunto de seres que há muito perderam qualquer direito que em tempos pudessem ter tido, ao venderem o voto e as gerações nascituras pelo peso de trinta dinheiros.

 

Todos mentem com quantos dentes têm, mas parte do eleitorado que os elegeu, bem como parte do eleitorado que sistematicamente não sufraga nada, ainda e sempre carece de valiosos minutos, horas, dias, para remoer na mesma conclusão triste e miserabilista: isto foi sempre assim.

 

Nos Estados Unidos um rapaz de seis anos foi suspenso da escola por ter brincado aos cowboys e, apontando o dedo a um amigo, ter gritado “POW!”; alega-se que ofendeu a memória dos mortos a tiro. Em França, foram recentemente banidas de documentos oficiais as palavras “pai” e “mãe”, substituídas por “progenitores” ou “progenitor 1” e “progenitor 2”, para não estigmatizar o segmento radical da populaça homo. Aqui ao lado em Madrid ainda há pouco se quis fazer com que putos da primária não fossem para uma festa de Carnaval vestidos de piratas, porque os piratas além de etnicamente pouco diversos, são geralmente egoístas e fora-da-lei. 

 

Em Portugal, os jarros de vinho com capacidade de um litro foram proibidos nos restaurantes a partir de hoje, por suposto atentado à boa saúde dos consumidores. Assevero-vos que pensarei duas vezes antes de pedir o terceiro meio-litro.

 

O Ocidente decai. Tolera-se os intolerantes. Debate-se em prime time segundo uma bitola psicológica a que no meu tempo nem os juvenis da bola achariam piada. Esta merda nunca mais acaba.

 

O Prémio Nobel deveria passar a ser atribuído em dinamite, por via aérea, para honrar aquilo em que se tornaram a Europa, a Academia (a de Oslo mas também no sentido maior do termo), os Parlamentos, e esta gente escarninha, a sul do Pólo Norte, que assiste a tudo cagadinha de medo e refocilada no anonimato que a diluição no rebanho lhes confere. 

5 Comments

  1. Armindo Matos

    E tantas épocas e locais onde eu podia ter aparecido, logo tinha que calhar aqui, e agora, e nos meus melhores anos. Se calhar tem que ser mesmo assim. Mas mesmo assim.

    • Fernando Melro dos Santos

      Caro Armindo Matos, 


      tudo acontece por uma Razão, e ainda bem que Deus no seu plano nos deu a faculdade de a procurarmos. 


      É esperar e ver com a cabeça no sítio e tudo o mais preparado. 

  2. JS

    “…pessoas medíocres…” mas divertidas.
    A deputada do PSD a afirmar, convicta, que: “… estamos a fazer sacrifício…”!.

  3. Lura do Grilo

    Excelente!

  4. maria

    Excelente!

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