Bom dia, e Bom Ano.
Estive fora de Portugal durante uns dias. Peguei no carro, atravessei a vastidão de Espanha, e cheguei a Lourdes, no meio dos Pirenéus, mesmo a tempo de experienciar um terremoto de magnitude 4.7 com epicentro a poucos quilómetros de onde me encontrava no preciso instante em que ocorreu o abalo.
A França ainda é um país bem aproveitado, bonito, fértil e viçoso. Florescem a pequena indústria e o prestador de serviços, homens caçam à beira da estrada um pouco por toda a parte sem terem de olhar por cima do ombro à procura do fiscal e do bufo, e não consta nem parece que alguma versão gaulesa da ASAE ande por lá a chatear as boulangeries e patisseries que oferecem (e escoam) uma pluralidade dos mais suculentos e intrinsecamente abundantes bolos que é dado a uma pessoa atirar pelo gasganete a baixo.
Por outro lado, os franceses conduzem mal, a medo, são na generalidade capazes de levar a 40 km/h um carro, sobre uma recta de 2km, se ali houver um sinal a compeli-los nesse sentido. Não percebem nada de informática, o profissionalismo e a observação das regras tolda-lhes o pragmatismo, e também regra geral, a internet funciona pobremente fora das grandes cidades. Sem querer que isto pareça um assomo de pensamento mágico, arrisco dizer que esta peculiaridade genética, a propensão para espectar em rebanho, pode vir a ser a Queda da estirpe franca diante das convulsões que agitam a Europa.
Isto tudo para dizer que ouvi em directo os votos proferidos por François Hollande para 2013 e antevi, com tristeza, uma França entregue ao comunismo, versão islamizada, a prazo de 50 anos. Projectaram-se desse momento em diante, na minha mente e nos meus olhos, imagens desse quadro Dantesco sobrepostas às bucólicas e frondosas paisagens por onde me fiz levar.
Certo de que este mês de Janeiro será pródigo em notícias que irão ratificando o meu vaticínio, mais não direi agora sobre este assunto, qual arúspice que aguarda o regresso dos sinais no vôo das aves migratórias.
Tive ainda oportunidade de parar em duas cidades Espanholas: Donostia (San Sebastián para os homogenistas) e Valladolid. Na primeira, havia pessoas a correr às sete da manhã, com cinco graus e chuva, e bastante movimento. Respirava-se. Eu que abomino cidades, considerei com alguma seriedade ser-me possível viver inserido naquela urbe de gente fresca e idioma esdrúxulo. Já à passagem por Valladolid, constatei o pior da súmula socializante que assolou Espanha nos últimos anos. Ninguém nas ruas, muitas e largas vias ao abandono que desembocavam em áreas comerciais igualmente feéricas, e aquela sensação deprimente de estar numa povoação onde entrar ou sair vai dar ao mesmo.
Durante todo este tempo acompanhei sempre que pude os boletins noticiosos através da televisão, em ambos os países e em cada região. O gradiente depressivo é deveras impressionante, quando posto em perspectiva. Pareceu-me que em França o torpor ainda não é completo, que se tiram consequências daquilo que é dito, que é possível esperar do cidadão televisionado um escrutínio mínimo da realidade. Nas terras onde se vive sob o jugo de Castela, contudo, impera o registo a que Arturo Pérez-Reverte, com o sortilégio que lhe é único na urdidura da palavra, apodou de tonterías del culo. Ao longo desta rampa descendente de insensatez e a caminho deste coto na periferia humana que é Portugal, quem é que ainda poderia ficar surpreendido ao chegar à santa terrinha e deparar com a continuação da saga que deixáramos para trás? Mais mil milhões para um banco, mais dez milhões para um jogador da bola, normas novas, taxas novas, tudo a cavalo na inveja do Portugazinho, para quem o problema não é ter X, mas sim que o vizinho tenha X+1.
Bem dizia ontem José Couto Nogueira entrevistado por Fernando Alvim. No tempo de Salazar, não podiam ser ditas certas coisas e assim ficavam por revelar muito do abuso e da miséria que grassariam. Mas hoje essas mesmas coisas são ditas e não acontece nada em consonância e consequência com a gravidade do que é revelado. Mais, a populaça vai cantando e rindo com a estaca entalada no recto sempre a queixar-se dos outros, dos outros, dos outros, dos outros.
Só tenho um desejo para 2013: levemos o Estado à falência.
Oohh Fernando, que pena não ter ficado por lá…para sempre. Dessa forma poderia por em prática o seu sonho de trabalhar na lavoura, numa aldeia sem Internet, no sul de França e viver pobre como tanto apregoa. Ao menos lá sempre poderia ir às escondidas ao Mónaco aos fins de semana e jantar com a Stephanie e aproveitar os prazeres do luxo do Principado…ou seja, viver acima das suas possibilidades (mas não conte rien aos colegas da pobreza…esses segredos não se contam, para eles acreditarem e ainda por ca acharem que são muito felizes e abençoados). Pense nisso, olhe que aqui. Que é um terra de mexerqueiros, se o fizer sabe-se logo..
Ó ser, respire fundo, tecle somente depois de limpar a baba para não se notar que está raivoso, e peça factura.
Não gostou criatura? Ok, objectivo atingido, consegui, mais uma vez, enraivecê-lo, tocando nalguns dos seus pontos fracos e fazendo-o espumar de raiva. Guarda a espuma numa caixinha e cheire daqui a uns dias, pode ser que lhe faça bem. E olhe, os alunos não têm culpa desses seus desvaneios..
Are you for real? Procure um psicólogo, que isso é grave.
O gajo faz a festa, atira os foguetes, apanha as canas e depois faz o filme com legendas numa língua que mais ninguém percebe. É clínico… 😀
Espero que nos continue a divertir
Este se calhar só banido, não sei.
Tal é a fúria que nem percebe como responder directamente aos comentários.
Sim de facto o Fernando devia faze-lo urgentemente
Força, veremos se o resultado é o que pretende
Fernando, como leitor contumaz do seu blogue, em primeiro lugar quero agradecer por me citar; é sempre agradável saber que alguém presta atenção… Em segundo, se me permite um conselho: também faço um blogue e, tanto nele como nos comentários dos blogues dos outros, tenho uma regra de ouro – não dou troco a anónimos. Quem diz, comenta ou critica protegido pelo anonimato não merece o trabalho de uma resposta.
José Couto Nogueira
JCN, é uma honra lê-lo a ler-nos. O que disse na conversa com o Alvim e demais intervenientes, e a forma como timbrou aquilo que disse, fizeram as minhas delícias ao longo da viagem (vinha de França enquanto o ouvia). Bem haja, grato pelas suas palavras e um abraço.
Percebo, so que este PC aqui na Faculdade, tem problemas com os links..deve ter sido o Fernando, num dos seus acessos de furia descontrolada e convencido que dá ordens, deu instruções para que não seja nem substituído (nem mesmo o software). Ele é assim, está convencido que dá ordens, tadito..