Papillon

Presenciado numa loja Lidl onde me desloquei há instantes: pessoas com medo (receio, temor, aflição, nervosidade) de serem inquiridas e multadas pela autoridade fiscal (tudo isto é sic) ao saírem da loja levando comida para casa sem factura.

 

O moço na caixa prestável e comungando do mesmo pavor, a despachar facturas.

 

Eu a fazer o meu papel, explicando aos aldeões, aldeães, aldeãos, que a única forma de “isto” não piorar e de retermos todos algum domínio sobre o futuro de quem cá fica é recusar, resistir, fugir, desafiar, desobedecer, refundir, não pagar, não dar, enfiar um biqueiro na canela e uma marrada nas trombas do primeiro chibo fiscal que vier à cata de talões para ajudar a pagar as reformas dos políticos.

 

Banda sonora? Vai já. Com isto tudo até me esqueci de envolver o Paulo Cardoso num amplexo de boas-vindas. Bem hajas, confrade.

5 Comments

  1. Paulo Cardoso

    Obrigado caríssimo! (e se me permites dar uma achega à banda sonora dessa ocasião, pelo menos esta foi a primeira que me veio à cabeça: http://www.youtube.com/watch?v=E-QF3r3GCV8)
    Abraço

  2. Duarte Meira

    Caro Fernando:

    Boa entrada, e aprovo tudo menos os biqueiros e marradas, que não são precisos.

    Quanto ao “receio, temor, aflição, nervosidade”, receio que não se tenha enganado. Mas não faça reparo nisso quem não tem a ver com isso.

    • Fernando Melro dos Santos

      Caríssimo Duarte, os meus votos de Bom Ano. Folgo em lê-lo ainda e sempre.

      Durante muito tempo acreditei que o equilíbrio jazia na via dos juncos, que vergam mas não partem, e que a total não-violência podia ser uma solução. 

      Depois um dia alguém, na anedota em apreço o Estado, flectiu a manopla e furou-me a teoria.

      Ainda penso que é melhor pessoa quem abole a réplica física, mas já não sinto que eu tenha de estar a esse nível.

      Um abraço

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