Um Poder que obriga frequentemente os indivíduos a despojarem-se da sua propriedade e de parte significativa dos seus rendimentos é um Poder ilegítimo. Um Poder que viola o direito e o justo, que abusa e corrompe a cidadania isolada. Um Poder que, a não ser atalhado, terá de ser firmemente desobedecido. Thoreau tinha uma boa fórmula para descrever a coisa, ao dizer que antes de sermos súbditos devemos ser homens. Homens com consciência e valores. Homens que desobedecem pacificamente quando o injusto é alegremente crismado na Lei pela bonzaria oligárquica. Seremos nós, portugueses e cidadãos apáticos, capazes de pôr fim à cascata impostocrática do Governo? Não sei. A certeza, se é que ela existe, até porque certezas só há as da morte e dos impostos, é que o país estará bem pior no final do ano que ora começa. Mais pobre e mais indignado. A “torrente das vontades irreflexivas” herculaneana pode ficar fora de controlo. O futuro da partidocracia jogar-se-á aí: na resistência do português, súbdito tutelado, ao espartilho da injustiça fiscal.
O Poder da injustiça
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Não percebo de economia e nunca li o Thoreau que citou. Só gostaria que me explicasse o que deve fazer um homem que se vê frente a frente com um outro que tem de dar à sua mulher cerca de 100 000.00 euros diários e ainda continua rico? Que raio de sociedade ou poder foi capaz de fazer com que tal homem e mulher possam gerar tais rendimentos?
(recordo que me refiro a Berlusconi e outros semelhantes)
correcção: ex-mulher.