Ontem cansei-me de prazer, do meio da tarde até ao começo da noite, caminhando pelas ruas do meu Porto. De comboio até São Bento, depois subindo a 31 de Janeiro, com uma cena de ‘civismo’ a empatar o percurso do eléctrico, Santa Catarina, Aliados, Mousinho, Ribeira, e, para findar, travessia da Luíz I para o lado de lá, Gaia, que, na verdade é o meu lado de cá, onde um autocarro veio mesmo a jeito. Éramos seis. Filhas, esposa, irmã mais nova, sobrinho. Especámos a olhar para as montras das lojas mais tradicionais no Bolhão, os queijos, os Barca Velha, os frutos secos, os enchidos, um olhar à Charles Dickens. Não me foi pago o subsídio de desemprego, não há Natal.
Que Natal?
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Ah, meu caro Joshua, que saudades a sua breve descrição me fez dasingularíssima ciadade do Porto e dda tão castiça nação portuense!…
Ainda nos há-de aqui dizer-nos como é que a três escassas centenas de quilómetros de distância, num corredor litoral desde há milénios percorrido em ambos os sentidos, – temos as duas principais cidades do país com uma carácter tão diferente uma da outra. (Que até parece serem de países diferentes!)
Quanto a subsídio de desemprego, se isso lhe serve de alguma consolação, fique sabendo o Joshia que tem estado e tem sido muito bem empregado aqui neste Estado Sentido.
Um carácter bem distinto, é verdade, entre os de cada uma das cidades, caríssimo Duarte.
E sim, estou muito bem e feliz aqui, no Estado Sentido, tenho de o dizer, e de corpo e alma.