A opinião pública tem, por vezes, propriedades mágicas. John C. Calhoun dizia que a dita cuja não é mais do que a opinião ou a voz do interesse ou da combinação de interesses mais fortes da comunidade. O velho americano tinha razão, mas, convenhamos, há momentos em que a voz do interesse é relevantíssima no bloqueio do disparate. Esperemos que a suspensão da privatização da TAP sirva de alguma coisa, pelo menos que faça com que os nossos governantes gelatinosos aprendam a privatizar. A fomentar o espírito de mercado e não, como alguns desejavam ardentemente, a dar negócios garantidos a empreendedores de chacha.
TAP e a suspensão da asneira
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Meu caro:
Tenho visto com algum desconforto neste blogue livre, liberal, libertário e libertador algumas vozes a defenderem o Estado proprietário de companhias de aviões, ou pelo menos nostágicas de que o deixe de ser, ou preocupadas com as condições em que se ia fazer a privatização. Mas, será que querem ver o contribuinte, directa ou indirectamente, continuar a suportar uma companhia cronicamente deficitária e com um passivo acumulado de mais de uma centena de milhões ? Pois se calhar até continuarão a ver, porque duvido qu haja algum investidor interessado em assumir sozinho esse passivo.
1ª questão: Eram cerca de uma dúzia os potenciais interessados. Por que é que acabaram por se retirar todos menos um?…
2ª questão: Pois não é verdade que a legislação comunitária proíbe os Estados de terem companhias aéreas suas, ou até de as financiar directamente (no caso da TAp tem-se recorrido ao crédito bancário); que está no acordo com a troika a privatização e que ela terá de ser feita até ao fim do proximo ano?
Esperemos que o Estado incompetente e mau gestor, que deixou as coisas chegarem o descalabro dessa companhia (como as dos transportes colectivos ainda nacionalizados) ao ponto a que chegou – a pura e simples FALÊNCIA -, não esteja condenado a, na próxima vez, encontrar como potencial interessado… o mesmo investidor (por interpostas entidades)!
Será que o senhor, antes de escrever, continua em insistir em nåo se informar sobre o que escreve? Seria uma excelente ideia, não acha? Ou prefere defender as suas ideias supostamente liberais, mesmo que, para isso, se baseie em informações falsas e incorrectas? Parece que sim.