Há algum tempo atrás, neste mesmo blogue, falei na emergência de uma diplomacia bifronte. Pelos vistos, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, tem feito escola na prossecução dos  superiores interesses políticos do país, afirmando a bonomia de intenções, onde o ministro Gaspar afirma amiúde um servilismo acrítico. A estratégia é simples, bem gizada e facilmente compreensível. O pragmatismo de Paulo Portas tem uma dupla mensagem. Por um lado, reafirma Portas como um dos actores fundamentais na coligação, funcionando como um pólo de atracção dos descontentes contra a deriva financista de Gaspar, por outro, indica uma dupla estratégia do Governo no combate à crise. Uma dupla estratégia assente 1) no cumprimento ignorante do programa de resgate sob a égide de Gaspar, 2) numa diplomacia mais assertiva no plano europeu. Seja qual for a intenção de Portas, é tempo de o CDS, enquanto parte activa da coligação no poder, afrontar os reptos da governação com mais e maior autonomia, tomando as decisões que se impõem, não deixando escapar o capital de confiança depositado no partido nas últimas eleições.