Há alturas, não muito raras, em que o equilíbrio moderador do catolicismo, a doutrina do Homem, cativa-me bem mais do que qualquer outro apelo ideológico. O debate em torno da sociedade que queremos é, também, o debate de tradições teóricas conflituantes. Em Portugal raramente conseguimos fazer a junção dos opostos. E quando o fizemos, falhámos. A conjugação do personalismo católico com o individualismo de matriz liberal é um desafio que continua, ainda hoje, por responder. O futuro do campo da não-esquerda passa por aqui.
Desabafos
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Caro João Pinto Bastos:
Levantou A questão de fundo e decisiva.
Há uma conexão necessária entre Cristianismo e Liberalismo. Permita-me uns poucos apontamentos de lembrança.
Segundo os seus crentes, temos a iniciativa de um Deus pessoal e criador, “feito carne” em um indivíduo concreto – Jesus de Nazaré -, para libertar os humanos de uma condição indigna da nossa humanidade – livre “à imagem e semelhança ” de Deus.
Uma das consequências vitais desta oferecida mutação existencial e ontológica, que vai operando no tempo histórico, – foi a ideia/ideal de liberdade/libertação. (Uma ideia que não vinha muito claramente à tona da consciência dos povos na Antiguidade pré-cristã.)
Outra consequência: a relevância da pessoa individual adentro do grupo social. (Uma ideia em harmonia com o dogma trinitário e a constituição da comunidade chamada “Igreja”.)