A Capacidade de ser Discreto

Porque há coisas que não se discutem, nem se demonstram em ostentação. Ultrapassam o entendimento de muitos entendidos. Simplesmente, fazem-se e acabou a conversa.

 

 

8 Comments

  1. Samuel de Paiva Pires

    Touché.

  2. Filipe Abrantes

    O Banco Alimentar não é uma pessoa, é uma organização que se pretende a ajudar o maior numero de pessoas quanto possivel. Pelo que faz todo o sentido que publicite a sua obra, de modos a que em futuras campanhas mais pessoas ajudem. Teem que mostrar que são efficientes e que o que lhes é dado tem utilidade.

    • Daniela Silva

      Como não quero aproveitar-me da possível ambiguidade do meu post para granjear popularidade que ele não mereça, vou esclarecer melhor a minha posição, transcrevendo o que respondi ao Filipe Abrantes no facebook:

      “Já temia que alguém fizesse essa associação ao BA. Mas a cena do filme veio mesmo a propósito das discussões que continuam a entreter tanta gente, sobretudo contra a organização. A minha onda é mais esta: a mim ensinaram “não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”, certo. Eu faço por não exibir e guardo a atitude para mim. Mas também me ensinaram a não julgar e, como tal, não tenho pachorra para ouvir pessoas que passam o tempo a discutir se deu mais, se deu menos, se exibiu mais, se exibiu menos. 


      Frequentemente (mas nem sempre) essa atitude vem, ou de gente desocupada, ou de gente que se incomoda mesmo a sério com qualquer caridade voluntária que abafe as maquinações da dependência estatal. Dito isto, e para esclarecer: quando digo que “é para fazer e acabou a conversa” quero dizer que estou farta de ruído em volta disto porque o país parece que perdeu habilidade para fazer as coisas naturalmente sem fazer disto um grande caso. Temos de agradecer à era social-democrata maravilha. E o BA tem de mostrar o que faz, claro. Caso contrário eu não tinha conhecimento de nada e também não conseguia contribuir, como fiz no sábado. –> Ups, outra vez a dificuldade. Já me estou a exibir.
    • Samuel de Paiva Pires

      Filipe, respondo directamente ao teu comentário, mas aproveito também para responder ao da Daniela, que na parte que me toca, não só não me referia ao Banco Alimentar nem à publicidade que este faça, como quando falei em exibicionismo referia-me a pessoas, muitas das quais militam no mesmo partido que eu, que fazem política com a caridadezinha, por exemplo, participando em acções de voluntariado e tirando imensas fotos que depois espalham por aí como forma de se aproveitarem disso politicamente.

      • Daniela Silva

        Posto isto, ninguém se referiu ao BA aqui. O que é óptimo porque é um assunto (para mim, um não-assunto) que não me apetece desenvolver. 

        Quanto às exibições que o Samuel refere, e muito bem, lembro-me especificamente de algumas demonstrações da JP, e concordo na crítica. Parece-me que é um oportunismo do mais rasteiro que há (quando tenho mínimo conhecimento para poder comentar pessoas em causa sem ajuizar injustamente). É isso e férias em voluntariado em África. “Foca bem a miséria e deixa babar no meu pólo para definir como foto de perfil”.  

  3. VH

    Ah, tivéssemos tido meia-dúzia de Victor Hugo’s!…

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