Como muitos já saberão, um dos mais protegidos bichinhos de estimação dos Estados gordos, cuja procriação é incitada fervorosamente como garantia de preservação de um certo equilíbrio, não é o lince ibérico, nem o panda, nem o golfinho…não, não, também não é o unicórnio; é a mãe solteira. Não porque esteja em vias de extinção mas precisamente por ser uma fiel parceira do líder que acata as maiores dependências no seio da providência estatal. A subsistência das crias e das progenitoras emancipadas clama por um robusto e másculo cabedal que vá à caça dos contribuintes. Convém frisar que, naturalmente, estes fenómenos devem ser considerados na sua especificidade, pois as particularidades de um caso inglês não podem ser generalizadas a um caso português.
Quando vêm à baila preocupações como as expressas nesta notícia, somos levados a reflectir sobre quem “tira o tapete” a quem; mais do que perceber que existem comportamentos auto-destrutivos que impõem uma pesada factura nas sociedades onde prospera uma desresponsabilização parental e a delegação de deveres ao Estado (embora, com pesar, verifiquemos que a gratuitidade das fraldas descartáveis não está ainda acautelada constitucionalmente), importa alarmar a comunidade para o facto da “indústria” das famílias monoparentais alastrar a par da infantilização da sociedade que despreza, e até combate, os métodos mais tradicionais de prevenção e de socorro. A Igreja não descura o incontornável facto da ressaca recair, mais cedo ou mais tarde, naqueles que estão prontos e incutir um reequilíbrio de comportamentos e a improvisar amortecedores a calamidades que, frequentemente, devem-se à fragmentação familiar ao mínimo capricho. Citando os protagonistas da referida notícia: «“a Igreja tem que saber integrar esses acontecimentos”, através de uma ação mais “atenta”, mais “visível do ponto de vista social”, favorecendo o trabalho “em rede” e a transmissão de “boas práticas” que ajudem os casais a olharem para os problemas com outros olhos.»
Bem sabemos que muitos ressabiados ficam engasgados quando se deparam com a continuidade e persistência que se afiguram em iniciativas altruístas de cariz religioso mas, no fim de contas, é à porta destes que os propagandistas do anti-patriarcado entregam as suas vítimas dilaceradas, depois de acirrar ódios, egoísmos e individualismos exacerbados para servir de degrau à politização da sociedade. Como nos diz Hans-Hermann Hoppe, em “Democracy: The God That Failed”:«By subsidizing people because they are unemployed, more unemployment will be created. Supporting single mothers out of tax funds will lead to an increase in single motherhood, “illegitimacy,” and divorce.» (p.98) Está na berra perspectivar o casamento como factor paralisador de sonhos e aspirações; já a redistribuição do Estado garante uma bondade infinita até que a morte os separe (o beneficiário e o contribuinte desfalcado) porque a ponderação de preferências e o ajuste de prioridades ao longo da vida é coisa de “bota-de-elástico”.
Tal como é reflexo de uma inqualificável insensibilidade não contribuir, activa e diariamente, para a preservação dos pandas, também é uma injúria sugerir que uma mulher tomará decisões racionais em benefício próprio quando estão reunidas condições para conseguir ocupar uma habitação social, graças à sua condição de mãe solteira. Só muita amargura e maldade podem insinuar que a propagação das mães solteiras é uma ferramenta para conquistar votos ao criar empatia no coração das sugadoras de receitas fiscais. Ceder às limitações humanas e resistir às intempéries da vida é para meninos, literalmente.

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