Na equação que serve de base à tirania fiscal do Governo há claramente uma lacuna: a presunção, pavorosa e irreflectida, de que a impaciência dos portugueses jamais virá à tona. Posso estar enganado, mas não creio que o letargo da cidadania vá durar ad aeternum. Quem viaja pelo país, quem vê e observa a resignação serena dos portugueses, sabe que, no meio da tranquilidade aparente, há um desespero lancinante pronto a explodir. Uma raiva surda perigosíssima que, se não for atalhada a tempo, pode pôr em causa os fundamentos do regime. Cuidado. O espectro do caos anda por aí.
Ordem ou desordem
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Presunção própria de quem não sabe nada de História, não sabe nada de nada, e se acha muito importante porque conseguiu um ou dois canudos e chegar a um lugar de decisão. Uns chicos espertos que não sabem o que fazem.
Desenganem-se os que ainda acreditam no mito dos brandos costumes.
Justamente.
Ainda hoje estive a falar com algumas pessoas e fiquei preocupadíssimo. O desemprego e a miséria estão a atingir níveis alarmantes e isso terá consequências ao nível social. A crispação está claramente em crescendo.
Caros João Bastos e Samuel:
Os gregos já sabem o que vale uma raiva clamorosa em vez de uma “raiva surda”…
As coisas já não passam por aí.
A “resignação serena dos portugueses” pode ter outra leitura. Vejam a fotografia que o Nuno Castelo Branco aqui pôs no domingo, e lembrem Ekaterinburgo. Também o horror, no Império em que já estamos, não passará por tiros e sangueira: será pior…