Duas notícias duas, galhardos toiros dos pasquins com os arreios bem postos onde a cúria os quer.

“Portugal entre os três melhores no desempenho climático” e “Câmaras reduzem ao mínimo gastos com iluminações”, ambas no DN de hoje.

Desta vez passarei a chance de cascar em como Ferreira Fernandes, por mais que mantenha o dom da pena, gasta desde há 4 ou 5 anos o seu concentrado de experiência em postas inanes a defender o indefensável. Aliás admito que pensem “mas isto nem sequer se trata de artigos de opinião, portanto que raio é que este gajo quer com o Ferreira Fernandes agora”. Têm razão, foi só porque me veio à mente. Uma pessoa às vezes pensa como as cerejas.

Importa-me porém a linha editorial. Sem ceder ao bloquismo incoerente e inimputável do Público, o DN publica estas duas coisas sem sequer ralar-se (o josé do “portadaloja” chamaria a isto o jornalismo bacalhau-basta) com o jogo de sombras, frontal mas também furtivo, que a coexistência de ambas na mesma página implica.

Quando foi a última vez que algum escriturário a soldo do poder, como quase exclusivamente abundam nos media portugueses com as salvíficas excepções de Alberto Gonçalves, os Henriques do Expresso, e do Correio da Manhã, quando foi a última vez que alguém encartado usou do verbo para exercer juízo crítico?

O que dá pontos são banalidades e caixas de comentários mais dignas de um simpósio de taxonomia social.

Portugal vai ser a Roménia. Vai perder o gás, trocadilho intencional, como a Ucrânia. Quem ainda duvida, é deixar-se andar.

Leitura complementar: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Seguranca/Interior.aspx?content_id=2923019