
Os meus dois cêntimos muito rápidos acerca disto.
As instituições Europeias estão nas mãos de radicais da extrema-esquerda, em tempos militantes de movimentos maoístas e outras aberrações quejandas. Os restantes que por lá pululam são urbanitas neo-sociais e gente não eleita. É sinistro, e têm envidado esforços colossais – sobretudo no dispêndio do nosso dinheiro – para implementar uma agenda comunista e totalitária, executada através de uma abordagem top-down ao Estado e aos Estados.
Isto, como é evidente, constitui uma agressão contra-natural aos instintos e aos verdadeiros direitos dos povos, cuja célula mais básica é o indivíduo e que se encontra agora ameaçada de diluição na mediocridade amorfa do colectivo.
Tal coisa não pode vingar. Por isso, fico contente que a Catalunha, e na sua senda outras regiões, tenham dado mais um passo no sentido da secessão e de traquinar o delírio neo-marxista de Bruxelas.
Não tenho assim tanta certeza. Parece-me que certas secessões são ansiosamente aguardadas pela gente de Bruxelas. Quanto mais fracos forem certos Estados, melhor. Assim, excelente seria para a nomenklatura o fim do Reino Unido, a secessão da Catalunha – de preferência acompanhada por outras regiões de Espanha -, etc. A Bélgica, onde se situa a sede, é um bom exemplo. Teriam então a tal “Europa das regiões”, cada uma delas rivalizando com as vizinhas e de mais fácil controlo por parte de quem poderá um dia distribuir o famoso orçamento comunitário. O objectivo primordial é o desmoronar dos Estados-nação e há uns meses, tivemos a sugestão do presidente regional da Andaluzia, fazendo avanços quanto à “naturalidade” da coordenação da sua região com o Alentejo, provincia portuguesa que “pouco tem a ver” com o nosso norte.
Eu ia dizer isso exactamente. Repare-se como isto acontece precisamente em dois países conservadores, e monarquias. Por outro lado, é uma afirmação de nacionalismo que vai em sentido oposto à integração europeia.
MUITO CONCORDO COM O POST . E NÃO ME PARECE NADA QUE SEJA ALGO DESEJÁVEL POR BRUXELAS, MUITO PELO CONTARARIO.
OS FLAMENGOS E OS CATALÃES DESEJAM FORMAR NAÇÃO E NÃO DISTRITO NEM REGIÃO ALGUMA. ELES SÃO NAÇÕES POR CULTURA, HISTORIA E POVO.
NAO COMPARAR COM REGIÕES ANDALUZAS. OS ESTADOS CENTRALIZADOS NOS PARLAMENTOS EM GRANDES CAPITAIS SAO MUITO MAIS FACEIS DE CONTROLAR QUE NAÇOES .
Viva Nuno,
estou apertado de tempo, mas tropecei em dois artigos que gostaria de tornar conexos com o meu.
http://finance.blog.lemonde.fr/2012/1 1/23/lechec-budgetaire-europeen-sonnet-i l-le-tocsin-de-la-prochaine-grande-crise/
http://ec.europa.eu/civil_service/job/o fficial/index_en.htm#4
Eu, para acabar com isto (e tendo de bónus o fim do diktat pan-bloquista) embarco em tudo, até num hipotético Movimento para a Autonomia de Campo de Víboras.
“Les signes avant-coureurs de la crise européenne de 2013 sont là
Cette année nous a offert plusieurs opportunités d’agir afin d’éviter une explosion qui risque de toucher l’Italie et la France l’an prochain. La dette française augmente de 40 milliards par trimestre. La dette italienne atteint 126,1 % et frôle les 2 000 milliards d’euros. En favorisant les emprunts a court terme, les Etats chargent la barque de 2013 qui pourrait sombrer. Les signes avant-coureurs de la détérioration de la situation sont de plus en plus visibles.
• La BCE a pris un engagement qu’elle ne peut pas tenir : sortant de son rôle et de ses statuts, la BCE a donné un chèque en blanc à l’Italie et à l’Espagne pour diminuer leurs taux d’intérêt. Ce n’est ni nécessaire ni possible sans une explosion de son propre bilan.
• L’Eurozone s’est sabordée en Grèce : le processus de décision d’un délai supplémentaire de deux ans pour le remboursement de la dette grecque sans consultation préalable du FMI était une erreur magistrale. Quel que soit le mérite de cette mesure, elle devait être soutenue par la communauté internationale. L’unilatéralisme dont la zone euro a fait preuve est une erreur tactique magistrale qui réduit encore sa crédibilité.
• Personne ne se préoccupe de 2020 ou 2022 alors que nous ne courons le risque d’une crise mondiale de l’endettement en 2013, qui affecterait non seulement l’Europe, mais l’ensemble de l’économie mondiale. Les Etats-Unis ont déjà fait savoir qu’ils refusaient de contribuer à l’aide de 400 milliards de dollars du FMI pour l’Europe.”
Não se confunda onde repousam as minhas esperanças: eu sou pelo fim da UE, essa monstruosidade leviatânica e de onde nada emana que não sirva apenas para tolher a justa evolução dos povos. E quanto mais cedo, melhor. O portuguesinho tem de ater-se à humildade que nunca devia ter perdido, qualidade essa que o levou à glória de outrora. E não o contrário.
«… aos verdadeiros direitos dos povos, cuja célula mais básica é o indivíduo.»
Caro Fernando Santos:
A célula mais básica ( e natural, já que fala em “instintos”) dos povos, enquanto sociedades, não é o indivíduo – mas a família. Eis o que os eurocratas ex-maioístas, que muito bem denuncia, desprezam e tentam destruir.
Quanto à questão catalã, temos de lembrar e começar pelo princípio : – as comunidades nacionais têm ou não têm o direito de levar a “autonomia” até à independência política?
(Seria uma “independência” muito duvidosa, no quadro do Império Eurásico em formação. Receio que os catalães cheguem ao entardecer da História, e de nada lhes aproveite. Mas, como portugueses, só lhes podemos dar os parabéns.)
Caríssimo Duarte,
tem muita razão; eu saltei por cima de um passo fulcral na construção das tribos. Mas assiste-me alguma justificação: a Europa já conseguiu destruir a família. Tudo na coluna dos negativos é dado: divorcio, separaçao, aborto, dissolução, fugacidade. Como nao haveria eu de recorrer ao reduto ultimo – o individuo?
Bem haja. Folgo em lê-lo.