No seu discurso desta manhã, o deputado Honório Novo, de longe o melhor que o PC tem para oferecer como imagem, resmungava algo a respeito de cortes e juros. Referia-se à dívida, claro.
Talvez não fosse uma má ideia sugerirmos aos comunistas um reavaliar da história e procedimentos de alguns dos regimes que lhes serviram de modelo. O Conducator Ceausescu conseguiu a extraordinária proeza de rapidamente pagar “a todo o custo” a dívida romena, ficando assim sob a alçada daquela máxima outrora proferida por D. João V, garantindo orgulhosamente que “não devo nem temo”.
Radical cerceamento da alimentação de todos os romenos, quando o PCR afiançou que a carne, o leite, o peixe, os ovos e outros bens essenciais como o pão, eram perniciosos à boa saúde da população. Completa destruição da assistência médica e abrupto fim das obras públicas, fossem elas de construção ou manutenção de infraestruturas. Proibição de qualquer tipo de importações, mesmo que isso significasse a morte nos hospitais e o envelhecimento do aparelho produtivo controlado pelo Estado. Descalabro na área do ensino, encerrando-se cantinas escolares e concentrando-se alunos em salas congestionadas. Radical corte na investigação científica e ponto final nos subsídios à cultura.
Foi este o projecto Ceausescu para o pagamento da dívida romena. Apenas abriu uma única excepção, fazendo arrasar uma parte da Bucareste histórica e erguendo o chamado Palácio do Povo, um colossal monumento a si próprio.
O PC que pense no assunto, pois ainda não houve em S. Bento quem ousasse chamá-lo à razão. Ou já se esqueceu Honório Novo da deplorável fuga de helicóptero e daquele vergonhoso julgamento-farsa engendrado por outros camaradas “dissidentes”? Telefonem a Illiescu, ele saberá explicar os factos.
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