Mario Vargas Llosa, A Civilização do Espectáculo:
«Por isso não é estranho que a literatura mais representativa da nossa época seja a literatura light, leve, ligeira, fácil, uma literatura que sem o menor rubor se propõe antes de mais e sobretudo (e quase exclusivamente) divertir. Atenção, não condeno nem um pouco os autores dessa literatura de entretenimento pois há, entre eles, apesar da leveza dos seus textos, verdadeiros talentos. Se na nossa época é raro empreenderem-se aventuras literárias tão ousadas como as de Joyce, Virginia Woolf, Rilke ou Borges não é apenas por causa dos escritores; também é porque a cultura em que vivemos mergulhados não propicia, até mesmo desincentiva, esses denodados esforços que culminam em obras que exigem do leitor uma concentração intelectual quase tão intensa como a que as tornou possíveis. Os leitores de hoje querem livros fáceis, que os entretenham, e essa demanda exerce uma pressão que se torna um poderoso incentivo para os criadores.
(…)
A literatura light, como o cinema light e arte light, dá a impressão cómoda ao leitor e ao espectador de ser culto, revolucionário, moderno, e de estar na vanguarda com um mínimo de esforço intelectual. Deste modo, essa cultura que se pretende avançada e de ruptura, na verdade propaga o conformismo através das suas piores manifestações: a complacência e a auto-satisfação.»
Comprou o livro, Samuel? Apesar de estar em «acordês» (basta ver o título)? No meu combate ao «aborto pornortográfico» é fundamental não comprar livros adulterados… com excepção para os escolares, porque aí as minhas filhas, ao corrigi-los (acrescentam os «c’s» e os «p’s» que faltam), estão a humilhar os professores.
Sim, comprei, apesar de estar em acordês. Irrita-me, mas ainda assim quero mesmo lê-lo. Eheheh e a reacção dos professores?
Poderia ter comprado o livro do Mario Vargas Llosa numa versão original….
Quanto aos professores, normalmente, «comem e calam». Provavelmente porque sabem que, se vierem com «bocas», têm que se haver comigo.
Sim, tem razão, e normalmente até é o que faço. Fica para o próximo. Contudo, o que vem em acordês e que eu cite aqui também corrijo.