Cátia tem treze anos e estuda no oitavo ano. Como sempre até aqui, transitou sem notas negativas, e prepara-se agora para tentar repetir o feito, fim para o qual procura, perante a dificuldade acrescida que sente nesta temporada, pela primeira vez a ajuda de um explicador que possa auxiliá-la nas disciplinas de Matemática e Físico-Química.
Na primeira “aula”, o profissional, que é licenciado em Ensino da Matemática e dá explicações há vinte e três anos, constata antes de mais que Cátia não domina suficientemente bem a língua Portuguesa de maneira a traduzir por palavras as dificuldades que sente com a matemática. Sabe apenas dizer que teve 34% no primeiro teste, e que se limita a passar para o caderno aquilo que vê no quadro, nas aulas. A turma tem 28 alunos, poucos dos quais repetentes, e as notas que obtiveram naquele teste rondaram, em média, os 30%.
Cátia não sabe fazer contas de dividir, multiplicar, ou subtrair; somente de somar. Para o resto recorre à calculadora apesar de não ter juízo crítico que lhe permita discernir quando por algum motivo a máquina fornece um resultado erróneo. De igual forma, não consegue abstrair e compreender as relações entre a teoria que lhe é exposta e os exercícios de aplicação.
O manual adoptado pela escola que Cátia frequenta parece, para o explicador, um tratado sobre esquizofrenia. Cores, figuras, notação matemática e enunciados saídos de um gabinete repleto de pedagogos inanes. Um livro inaplicável, portanto, até mesmo a alunos de quinze ou dezasseis anos que tivessem merecido passar de ano; quanto mais a crianças habituadas a transitar, época após época, com notas puxadas para cima e sem saberem sequer quanto bastasse para obterem aprovação, há duas décadas apenas, no quarto ano de escolaridade.
E isto sem falar das demais inadequações de que Cátia padece: sem hábitos de leitura nem domínio do idioma materno que lhe permita descodificar o mundo onde se insere, e no qual daqui por meros cinco anos terá direitos de voto, de condução de veículos automóveis, e de abortar, por exemplo, quem a vê indaga-se aturadamente sobre justamente que espécie de gente é que deixou que isto chegasse a tal ponto.
Assim vai ser difícil.
“We really can’t assume that calculators are helping students,” says Samuel King, a postdoctoral student in the University of Pittsburgh. “The goal is to understand the core concepts during the lecture. What we found is that use of calculators isn’t necessarily helping in that regard.” hould-colleges-drop-calculators-in-math-c lass/
http://www.futurity.org/society-culture/s