Fico perplexo com a falta de debate político que existe nesta ocidental praia lusitana – exceptuando o sempre pertinaz Jorge Costa – a respeito daquilo que está, ou poderá estar, prestes a acontecer na Grécia: o incumprimento da dívida. É certo e sabido que a Grécia tem de pagar uma tranche de 5.000 milhões de euros ao BCE na semana que vem, porém, até agora a Europa e o FMI ainda não chegaram a um entendimento sobre as condições do alívio prometido, com Wolfgang Schaeuble a protrair a resolução da crise para as calendas gregas – mas, afinal, para que é que serviu a famigerada contemporização em torno do resgate grego? O anúncio de que a Europa não deixaria cair a Grécia serviu exactamente para quê? Não é difícil intuir o que sucederá caso a Grécia não cumpra as suas obrigações: um evento de crédito, com fortes repercussões a nível europeu – instabilidade nos mercados, queda abrupta do euro, and so on. O cansaço das elites gregas é notório. Os partidos da coligação têm já uma enorme dificuldade em comprometer as suas bases eleitorais no apoio às medidas draconianas impostas pela troika, sem falar no facto de a aposta neste caminho suicidário estar a favorecer a emergência de extremismos políticos perigosíssimos. Por outras palavras, ou a Europa arrepia caminho – e arrepiar caminho significa reconhecer que os programas de ajustamento, assentes na sucção fiscal, estão naturalmente fadados ao fracasso – e reconhece a inviabilidade daquilo que impõe, ou a Grécia, seguida posteriormente de Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e França, cairá estrondosamente. Pensar, ou acreditar – não sei o que será pior ou mais leviano – que a resolução da crise do euro far-se-á com curas de austeridade intermináveis, sem cuidar de oferecer aos Estados nacionais alternativas de política que lhes permitam mitigar os efeitos dessas soluções, é meio caminho andado para o desastre. Fixemos uma coisa, austeridade sem políticas monetária e cambial dignas desse nome, não funciona, repito, não funciona. A austeridade é necessária, aliás é inevitável, mas sem os instrumentos políticos atrás mencionados falhará. Quanto mais tempo demorarmos a entender este dilema, pior será.
A catástrofe iminente
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É bem possível virmos a ter “peixe-espada” na Grécia e não estranhemos muito se verificarmos o generalizado alívio dos gregos perante uma solução militar, mesmo que provisória. Daí ao contágio é mais um passo. Não se mexam em Bruxelas, Berlim e Estrasburgo e logo verão. Continuo a pensar que o regime português deverá de imediato procurar alternativas fora da Europa. Parece uma solução irrealista, mas creio que o futuro confirmará essa suposição. Há que não perder tempo.
Procurar alternativas fora da Europa? Como assim? Voltar, em certa medida, à ideologia atlantista? Não sei, tenho as minhas dúvidas, mas desafio o Nuno a explicar melhor essa visão numa posta. Quanto à Grécia temo sinceramente o que possa vir a suceder no futuro, caso continue a laracha austeritária. Não creio, aliás é impossível crer em algo que está mais do que visto irá falhar, que a democracia grega – ela existe? – sobreviva a estes embates contínua e repetidamente. É penoso observar a obtusidade europeia neste ponto. Quanto a nós, com muito pesar o digo, seguiremos este triste trajecto, com a diferença de estarmos um pouco atrasados
E QUAL É O FUTURO DE PORTUGAL NA EUROPA ENTÃO ?
COM O EURO?
SEM POSSIBILIDADE NENHUMA DE POLITICA CAMBIAL ?
SEM FRONTEIRAS ?
SEM SOBERANIA ???