A Autoridade Tributária descobriu finalmente o remédio para todos os males do país: exigir “fatura” (cobrar impostos é com eles, escrever português é que nem por isso). É o que basta. Não acreditam? Então verifiquem lá se não receberam este mesmo e-mail cujos delírios me escuso a comentar:
Exmo. Senhor
NIF
NOME
Assunto: Incentivo à exigência de fatura
A partir de 1 de janeiro de 2013 será obrigatória a emissão de fatura por todas as vendas de bens e serviços mesmo quando os particulares não a exijam.
Se todos exigirmos fatura em todas as aquisições que efetuamos conseguiremos:
• Aumentar a riqueza conhecida que Portugal produz (PIB);
• Aumentar as receitas fiscais, sem pagarmos mais impostos;
• Aumentar a equidade e justiça entre todos os contribuintes portugueses;
• Diminuir o défice orçamental e criar condições para uma redução futura da carga fiscal;
• Criar melhores condições para que o nosso país possa ultrapassar com rapidez a fase díficil em que se encontra.
Quando não exigimos fatura contribuímos para:
• Aumentar a evasão fiscal e enriquecer ilicitamente aqueles que não pagam impostos;
• Diminuir a receita fiscal, que é uma riqueza de todos os portugueses;
• Prejudicar com mais impostos os contribuintes cumpridores.
O seu papel é decisivo. Exigir fatura não tem custos. É um direito e um dever de todos. E todos ganhamos. Portugal e cada um de nós.
Em breve receberá mais informação acerca dos benefícios fiscais (até € 250) que serão proporcionados a quem exige fatura.
Com os melhores cumprimentos.
O Diretor-Geral,
José António de Azevedo Pereira
Seria interessante que a Direcção-Geral se dirigisse aos Portugueses cumprindo a Lei e usando a ortografia em vigor (Decreto 35.228, de 8 de Dezembro de 1945 e
Decreto-Lei n.º 32/73, de 6 de Fevereiro.
Não há qualquer documento legal com força para revogar estes, que estão plenamente em vigor.
Com esta medida, justa, diga-se, há uma maior partilha da carga fiscal. No limite, esta deveria diminuir em termos unitários, caso não aumente a despesa. De qualquer modo não irá alterar a crise social em que Portugal e a Europa se encontram. Crise social derivada das nossas opções de consumo. No fundo os europeus comportam-se como se vivem-se num sistema isolado. Eu poupo dinheiro ao ir à loja chinesa, ou a comprar produtos produzidos na ásia, e isso não tem mais nenhum impacto. O que se passa pode ser demonstrado num pequeno “teatro” em que a Europa, os EUA e a Ásia seriam 3 pequenas aldeias, com 100 habitantes cada uma. A maioria dos produtos consumidos no dia a dia dessas aldeias foram criados ou idealizados nos EUA e na Europa, por cerca de 5 pessoas em cada uma destas aldeias. Ao inicio, essas 10 pessoas davam emprego a outras 160 pessoas nas respectivas aldeias. E parte dos compradores desses produtos estavam nessas mesmas aldeias. De repente, esses 10 produtores pensaram que seria mais barato passar a produzir os seus produtos utilizando cerca de 90 pessoas na Ásia. e começaram a fazê-lo. Em consequência, a maioria das cerca de 160 pessoas que trabalhavam nestas fábrica foram despedidas. Felizmente o Estado EUA e o Estado Europa podia dar a essas pessoas algum dinheiro para sobreviver. Dinheiro esse que era utilizado para comprar os mesmos produtos, mas agora fabricados na aldeia Ásia.
A história restante é conhecida. A solução depende de nós enquanto consumidores.
Um estudo recente da Mckinsey revelava o movimento da massa monetária mundial nos últimos 200 anos. E mostrava claramente que ela se está a deslocalizar para a Ásia. Não porque eles tenham os produtos que o mundo procura, mas porque continuamos a comprar esses produtos como se o facto deles serem produzidos na Ásia não tivesse impacto na economia europeia.
Pequena curiosidade – não sei se verdade se não mas, ouvi na TV uma senhora membr(a?) de organização que não lembro, afirmar que OITENTA por cento dos actos de compra a nível mundial são feitos por mulheres. A ser verdade é muito, mas muito, interessante.
Outro dia, numa bomba de gasolina, (nestas NUNCA me dão talão de caixa, excepto se a pedir), no talão não constava o gelado que tb comprei além da gasolina. Pedi o talão referente à compra do gelado o que me foi recusado pois “os gelados não estão registados no computador”. Foi preciso pedir livro de reclamações, que foi negado até chegar o gerente. Por sinal, em Ayamonte, foi-me negada a compra de 5 gelados por eu ter recusado uma soma escrita num papel (para poder aldrabar na conta – é o mais provável trantando-se de comerciantes espanhóis) e ter exigido “tarjeta de caja”. Portugueses, andaluzes mesma luta mesmo combate!