As negociatas do regime

Fico espantado, e digo isto sem qualquer ironia, com o facto pouco edificante de não haver ninguém que se insurja, ou pelo menos que questione – é pedir muito? – o negócio realizado entre Joaquim Oliveira e a Newshold. Já sabíamos, por experiências pretéritas, que o proprietário da Controlinveste é muito dado a negócios pouco claros. Lembram-se do famigerado empréstimo concedido pelo BCP à Controlinveste? Quais os dividendos para os media portugueses desta operação? A resposta é simples: nenhuns. E poderia continuar ad infinitum. Entregar uma parte bem significativa da comunicação social a um grupo angolano, que por sinal é obscuro e pouco recomendável, sabendo, ademais, que os angolanos não primam pela defesa intransigente dos valores primazes daquilo a que nós comummente chamamos de democracia, faz pensar, séria e ponderadamente, nos riscos que a liberdade de expressão corre neste país. Não falo em censura, nem em lápis azul, que isto fique bem claro, mas, se analisarmos com alguma calma esta questão, chegaremos a esta triste conclusão: juntar à brutal crise económica e social que atravessamos um estreitamento dos media – entregando o sector à bonzaria angolana -, é fazer perigar os alicerces de um regime democrático já de si muito abalado.

3 Comments

  1. Lionheart

    Mas a própria Controlinveste é pouco ou nada recomendável e o negócio da venda do DN, JN e TSF no tempo de Santana Lopes a essa empresa foi igualmente duvidoso. Depois o apoio do BCP, já então controlado pelo PS, teve como contrapartida uma linha editorial favorável ao governo Sócrates. O que nem era preciso, dado que o DN está sempre com o poder e o JN e a TSF são de esquerda. O que é que muda agora?

  2. João Pinto Bastos

    A resposta à sua pergunta é muito simples: não muda nada, ou melhor, muda para pior. O seu diagnóstico é correctíssimo, mas, sejamos claros, com os angolanos ao barulho a tendência é para o declínio dos media acentuar-se.

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