“É por isso também que vós pagais os impostos porque se trata de funcionários de Deus, que nisso mesmo servem. Pagai, pois, a todos o que lhes é devido: a quem se deve o imposto, o imposto; a quem se deve a contribuição, a contribuição; a quem se deve a reverência, a reverência; a quem se deve a honra, a honra.”
São Paulo, Carta aos Romanos, 13:6-7
Há momentos em que apetece divergir da sapiência paulina. É verdade que devemos pagar impostos, pois, a essência do laço social passa justamente pela prossecução desse pressuposto. Mas também é certo que quando somos assaltados pela “longa manus” do Leviatã, a disponibilidade para tolerar a exacção fiscal é bem menor. O deslaçamento social induzido pelos despautérios de Gaspar e companhia será a curto prazo uma realidade insofismável. Oliver Wendell Holmes, Jr. tinha razão ao afirmar que os impostos são o preço a pagar por vivermos numa sociedade civilizada, todavia, o célebre juiz do Supremo Tribunal norte-americano esqueceu-se que, mesmo nos recantos supostamente mais civilizados, os impostos servem, por vezes, para rapar e despojar a cidadania apática. Resta saber até quando.
Para quê ir a S. Paulo se podemos ir à fonte, a Jesus?
Os fariseus, vendo isto, diziam aos discípulos: «Porque é que o vosso Mestre come com os cobradores de impostos e os pecadores?» Jesus ouviu-os e respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»
Mateus 9: 11-13
Enfim, temos que dar um desconto a São Paulo: não poderia imaginar que os sucessores de Pôncio Pilatus fossem os descendentes de Barrabás e que fossem contratar PPPs com os vendilhões do templo.
Se São Paulo imaginasse tal coisa, estou certo que jamais se teria convertido. 🙂