” Tão vivo é o nosso fundo bucólico que os novelistas portugueses andaram sempre aconchegando às condições da época o romance pastoril tradicional, refrescando as raízes da Linguagem no amor e contemplação de campos, serras, arvoredos e águas mansas. Dir-se-ia termos sido empurrados da Pastoril para o Mar por um destino superior ( que no Infante pode encarnar dignamente ), quando em verdade a nossa vocação era a de zagais enamorados e contemplativos. Castilho trajou Pedro e Inês de pegureiros e fez daquela tragédia – uma égloga!

Se até o próprio Eça de Queiroz, que primeiro julgara ser o mel produto da retórica, veio por fim a pastoralizar! O seu Jacinto é um bucólico – aliás tão arbitrário como o Sireno da « Diana ». Sorrio de pensar que Jacinto poderia ter tangido a frauta em Tormes…”

Affonso Lopes Vieira, « Nova Demanda Do Graal »