O Cardeal Patriarca pecou por defeito na brilhante análise que efectuou da condição irredimível do povo português. A crise presente, como aliás já referi noutras postas, é o resultado fatal de um conjunto de enganos e omissões que permearam, com a sua pesada canga, a vida nacional nos últimos dois decénios. E não se pense que o populacho está isento de responsabilidades, pois, queira-se ou não, o espírito nacional que desembocou nesta austeridade brutal foi partilhado vis-à-vis por elites e povo. A cultura da pedinchice saloia – parte integrante da alma portuguesa – conduziu-nos inapelavelmente a este austeritarismo mortífero, pelo que reformar esta mesmice modorrenta levará anos, gerações, cansaços e desistências. No fundo, Teixeira de Pascoes tinha razão, “ser português é também uma arte, e uma arte de grande alcance nacional, e, por isso, bem digna de cultura“. Ademais, como se isto tudo já não fosse o suficiente, Portugal padece de uma enfermidade crónica dificilmente curável: a estupidez congénita das suas elites. Cada vez mais me revejo no célebre adágio krausiano segundo o qual “existem imbecis superficiais e imbecis profundos.” O problema é que os portugueses reúnem as duas qualidades em doses cavalares.