Mês: Outubro 2012 (Page 1 of 19)

Ao cuidado das desaustinadas elites deste país

Os Homens Sábios Entendem o que Vai Passar-se 


O que acontece agora sabem os mortais,

e o que será um dia os deuses sabem,

os únicos senhores de toda a luz profunda.

Mas o que vai acontecer em breve

o atento sábio sabe. O seu ouvido


às horas do silêncio há que escuta

inquieto e perturbado estranhos sons

que às vezes vêm de eventos que estão prestes.

E respeitosamente atenta neles,

enquanto as gentes fora nada ouvem

 

(Cavafy traduzido por Jorge de Sena)


P.S.: Cortesia do José Pacheco Pereira
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Até ontem fomos só nós…hoje já estamos acompanhados…amanhã muitos dirão que estavam com ele desde sempre…o habitual…

Quando em início de Setembro por duas vezes aqui lançámos o nome de Rui Rio como sucessor de Pedro Passos Coelho e antecipámos os cenários possíveis, estávamos isolados nessa análise. Mas quase que parecia que tínhamos sido ouvidos, quer em Belém, quer no Largo do Rato. Para além do PSD “profundo”, como é evidente. Da Presidência, naturalmente, não chegam notícias. Da parte do PS, porém, eis que ontem ouvimos o ex-ministro dos Assuntos Parlamentares de José Sócrates, Augusto Santos Silva, um homem do Porto, fazer precisamente a mesma análise que aqui deixámos. Parece que, afinal, o Plano B existe mesmo. Mas, ao contrário do que a maioria pensa, não inclui Passos nem Gaspar. Há um Rio que se avista no horizonte…

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Ensandeceram de vez…

Passos Coelho, aflito e sem saber o que fazer, pede o apoio do PS para destruir o Estado Social e manda Seguro pensar bem por este se recusar fazê-lo. Luis Filipe Menezes, no Porto, já antevendo o previsível descalabro, diz que a sua candidatura é “suprapartidária” e que não pediu o apoio do CDS nem de ninguém! Gaspar, esse, transfere a sua própria encruzilhada e reiterada incompetência pessoal para um problema do País.

Manifestamente para os lados laranjas o pouco juízo que restava começa a escassear. E a conclusão é só uma: ensandeceram de vez…

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” Pago respeito ao discernimento das damas “.

Esta frase, escrita em 1853 no « A Península », periódico portuense, faz de Arnaldo Gama, que por essa altura se tornara já escritor reconhecido, uma das poucas honrosas excepções quanto ao valor da mulher que ousa ir mais além do que o que a sociedade lhe reservava: o trabalho no lar.

         A regra era a de subestimar tais ambições, consideradas deslocadas, e até indício de pedantismo, quando não de ” loucura “…

Exemplo dessa ” aversão “, fui encontrar, por chamada de atenção de Manuel Tavares Teles, num livrinho de Camilo Castelo Branco, que escreveu  usando pseudónimo ( Um Antigo Juiz das Almas de Campanhã ), em que se dirige aos 

” Pais de família! Não achais bem triste 

  Entrar um cidadão em sua casa, 

  Cansado de lavrar o pão da vida,

  E ver sua mulher repoltreada,

  Na otomana gentil, lendo romances? “

A ironia da vida!!! Alguns anos depois de assim escrever, iria casar com uma literata! E recordo que numerosíssimas vezes o escritor se dirige às suas ” gentis leitoras “, afinal as melhores ouvintes do seu auditório.

Lembro-me de ter ficado muito espantada, aquando da primeira leitura d«Os Manuscritos de Gertrudes » ter visto esta passagem, em carta escrita à filha, na qual abordava a educação da neta: ”  Seria pena que não lhe dessem um verniz de inteligência: tudo o que for daí além é uma inutilidade. “

Sei que tudo isto tem de ser visto à luz da mentalidade de então, mas não posso impedir-me de sorrir ao pensar no que diria o homem de Seide se pudesse ver esta fotografia da neta, Raquel, a ler, talvez, um desses romances malfazejos.
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Conselho à geração na casa dos trinta anos

Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo:

 

«Larguem o liberalismo e o socialismo. Eu sei que Portugal foi conduzido aqui mais pelo socialismo do que pelo liberalismo. Mas eu também sei que, se o caminho seguido tivesse sido o do liberalismo, o país não estaria em muito melhores condições. Nenhum desses é o nosso caminho. Libertem-se dessa escravidão intelectual, abandonem a politiqueira na blogosfera, nos jornais ou no Parlamento, ou deixem todas essas actividades para quem não tem capacidade para ir mais longe, ou simplesmente precisa disso para viver, o que, de resto, não vai ser por muito tempo. (…)

Se daqui por muitos anos, eles [geração dos trinta anos] se meterem numa aventura como aquela em que nós nos metemos depois do 25 de Abril, a viver de acordo com ideias que nos são estranhas e inimigas, em lugar de viverem com as ideias da sua cultura, que é uma cultura riquíssima e imensamente racional e, em consequência forem também à ruína como nós, se isso acontecer, então, onde quer que eu esteja, eu vou dizer: “Que cambada de parvalhões. Vivi num país arruinado, sei o que isso é, e transmiti-lhes a minha experiência. Indiquei-lhes um caminho para viverem bem. Sobretudo, indiquei-lhes os caminhos por onde nunca se deveriam meter. E foi precisamente por esses caminhos que eles se foram meter. Parvalhões.”»

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As negociatas do regime

Fico espantado, e digo isto sem qualquer ironia, com o facto pouco edificante de não haver ninguém que se insurja, ou pelo menos que questione – é pedir muito? – o negócio realizado entre Joaquim Oliveira e a Newshold. Já sabíamos, por experiências pretéritas, que o proprietário da Controlinveste é muito dado a negócios pouco claros. Lembram-se do famigerado empréstimo concedido pelo BCP à Controlinveste? Quais os dividendos para os media portugueses desta operação? A resposta é simples: nenhuns. E poderia continuar ad infinitum. Entregar uma parte bem significativa da comunicação social a um grupo angolano, que por sinal é obscuro e pouco recomendável, sabendo, ademais, que os angolanos não primam pela defesa intransigente dos valores primazes daquilo a que nós comummente chamamos de democracia, faz pensar, séria e ponderadamente, nos riscos que a liberdade de expressão corre neste país. Não falo em censura, nem em lápis azul, que isto fique bem claro, mas, se analisarmos com alguma calma esta questão, chegaremos a esta triste conclusão: juntar à brutal crise económica e social que atravessamos um estreitamento dos media – entregando o sector à bonzaria angolana -, é fazer perigar os alicerces de um regime democrático já de si muito abalado.
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A visita de Merkel

Na última vez em que ouvi o meu pai comentar um assunto da política, referiu-se à próxima visita da sra. Merkel a Portugal. Verificando a nula categoria desta gente que comanda vinte sete Estados europeus, dizia que há uns cinquenta anos, …”esta mulher não teria passado de uma zelosa secretária bate teclas num escritório”. De Lisboa a Varsóvia padronizou-se um certo tipo de empregadecos descartáveis e sem chama, incapazes da menor tentativa de mobilização de um espaço em claro declínio, praticamente perdido para um futuro que afinal não chegará. 

 

No entanto, o meu pai esperava que a dita senhora fosse recebida da melhor forma possível, evitando-se qualquer pretexto para má publicidade extra, acicate de preconceitos e mais umas tantas vingativas cangas. Os irrisórios órgãos de comunicação que nos restam e que unanimemente se encontram ao serviço de quem exauriu a economia nacional, já despoletaram uma capciosa campanha de angariação de indignados de vários cambiantes. Querem ver em Lisboa, as totalmente dispensáveis cenas que ainda há uns tantos dias os atenienses protagonizaram na sua cidade. Tendo o actual regime atirado Portugal para uma situação de impossível solução, os seus donos ordenam o bater de tachos e tilintar de chocalhos, com isso esperando preencher alguns apontamentos de “última hora” nos canais informativos. De Merkel vem o dinheiro, de Merkel miraculosamente poderá chegar alguma “moderação e boa vontade”, queira lá isso significar o que tiver mesmo de ser. Aconselha-se a prudência, mas investe-se na baderna. Os imbecis já estão por tudo, apenas querendo alijar culpas nos “odiosos estrangeiros”.

 

Organizem a bagunça, façam partir montras, incendiar automóveis e já agora sigam o modelo de 1975, sugerindo o incendiar da Embaixada da Alemanha. Distraiam momentaneamente as atenções, mas os factos lá continuarão indeléveis e esperando o ajuste de contas que mais tarde ou mais cedo chegará. Tomem os nossos donos boa nota acerca da responsabilidade que a eles e só a eles cabe pelo actual desastre sem paralelo que o nosso país enfrenta.  

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« O Tempo Esse Grande Escultor »

Certo. Foi um elo da engrenagem partidária. Mas será um daqueles que ” não têm vergonha de mudar de opinião “?  porque não têm medo de dizer que erraram? Não sei bem se é esse o motivo, mas o certo é que já há tempos vem pondo a boca no trombone. Como outros. 

 Hoje diz-nos o quanto essa austeridade que tanto apregoam como a alternativa possível pode ser -é!- tenebrosamente facciosa.

Armemo-nos e marchai!…

 

Por esta e por outras, como posso continuar a acreditar nos partidos?

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