Como não concordar com o contemporâneo daquele que os vimaranenses tinham enviado para as Cortes?

Quando disse esse contemporâneo de João Franco que, verdadeiramente, a monarquia acabara no dia 1 de Fevereiro de 1908, no momento em que, renegando a vontade patrioticamente manifestada pelo monarca pouco antes assassinado, se cedeu tão covarde e ingratamente às chantagens maçónicas, afastando do Governo aquele Conselheiro em quem D. Carlos confiava para o ajudar a trazer, de novo, Portugal ao caminho da Tradição, que provara já ser o certo, e donde se desviara por acção desses partidos que « entristeciam e amarguravam » o Rei, preocupado com o futuro da  Nação?

11 Comments

  1. Duarte Meira

    Cristina:

    “Quando disse” ou quem disse?

    Rocha Martins, que era franquista e que escreveu a, até hoje, melhor obra sobre João Franco E O Seu Tempo é que deve lá ter quem e quando foi.

    Terá sido Ramalho Ortigão, posteriormente, na Carta De Um Velho A Um Novo ?

  2. Duarte Meira

    Cristina:

    O conde de Arnoso, grande amigo e secretário pessoal de el-rei, foi um dos poucos que, depois do regicídio pugnaram publicamente para que a verdade e a justiça não fossem ultrajadas para desonra da monarquia e vergonha pátria. E  era vimaranense. Mas não o estou a ver a sublinhar a questão da “Tradição”. É com a primeira geração integralista, de que Ramalho ainda teve tempo para se aproximar e simpatizar, que se começa a repor essa questão e a impor o termo. (Mas já um amigo do conde, e de Ramalho, o Eça de Queirós da Cidade as Serras e da Ilustre Casa de Ramires tinha apontado o caminho.)

    • Cristina Ribeiro

      Verdade. Ramalho fez uma espécie de ” mea culpa ” e ” deu a bênção ” ao Integralismo, de que o Rei tinha sido o precursor, como os próprios integralistas escreveram.

  3. Paulo Cunha Porto

    Querida Cristina,
    fazendo de Dupond (ou será de Dupont?), “eu diria mesmo mais”: a Monarquia já tinha acabado num lúgubre dia de 1834 em que o Sr. D. Miguel foi posto a andar. Depois, subsistiu o que o Grande Marcos Pinho de Escobar lembra sempre ser uma “República Coroada”. E da Maçonaria, se a mais façanhuda agiu como diz, basta dar uma olhadela à lista de “irmãos” dos ministérios do Constitucionalismo…

    Beijinho

    • Cristina Ribeiro

      Olá, Paulo.
      Folgo muito em revê-lo. Como vê também eu me vi na  obrigação moral de fazer um ” mea culpa “, porque o tempo sempre foi um grande escultor; e aqui me tem a concordar com o Integralismo ( já sabia que me estava a aproximar do seu pensamento, quando me viu a defender o municipalismo ) – mas não com tudo que alguns deles defenderam, claro. A realidade forma-nos.
      Beijinho

      • Paulo Cunha Porto

        Querida Cristina,
        poucas alegrias maiores posso conceber que a de vê-La sensibilizada e conquistada pela doutrinação impar dos Mestres do Pelicano! Quanto ao Tempo, se a observação atenta das vicissitudes que ele nos impõe deve ser aproveitada para formar anti-corpos, não devemos deixar que os cantos de sereia dele influam na (des)construção da Verdade.

        Beijinho

  4. Anónimo

    Com a muita estima e respeito que tenho pela Cristina Ribeiro e por Paulo da Cunha Porto (que leio de há anos em blogues pessoais ou colaborados), permito-me dissentir neste ponto. – Se não há Monarquia sem um Princípio de unidade nacional, por ela melhormente representado, -então a Monarquia não desapareceu sequer em 1910, muito menos em 1834 ou 1908. (os próprios republicanos, nos debates constitucionais de 1911, vieram a reconhecer a necessidade e a sotopor esse Princípio na figura substituta, precária e caricatural do “presidente da República”.)

    O superior Princípio monárquico não depende das formas peculiares que a Monarquia – considerada só enquanto regime político – vai assumindo e modificando no tempo. Resiste a tais variações e, admiravelmente, resiste mesmo às mudanças de “regime”.

    Porque tal Princípio não é nenhuma abstracção, mas uma força viva, sensível e sentida. Pude obeservar directamente algumas vezes – e sentido em mim próprio – os efeitos disso; como na gente simples do povo (que nem conhece as palavras “monarquia” ou “república”), ao simplesmente avistarem presencialmente a figura do Senhor D. Duarte, ao saberem que ali têm diante eles o “rei de Portugal” (como espontaneamente dizem), – se comovem profundamente até às lágrimas e desabafam em sinceros “Vivas”.

    Comoção poderosa e significativa! Só comparável ao reencontro inesperado com um ente muito querido que não víamos há muito e julgávamos perdido. (Trabalha aqui também a força profunda do messianismo sebastianista…) Uma pessoa querida, pela qual estamos imediatamente prontos a viver e morrer, isto ,é a servir com o melhor que temos. (Mas, ai dos reis que não se façam queridos! Sob este ponto de vista, o povo português não tem muito de quem se queixar, relativamente a outros povos.)

    De maneira que para eles, como para mim, ou no trono do poder político, ou fora dele, ou exilado, ou na sua e nossa terra, – há sempre Rei, porque vive na pessoa do Chefe da Casa Real o símbolo vivo da unidade  identidade da Casa Portuguesa, na mesma História de séculos que temos convivido. Se há Rei, há a melhor forma possível de humanamente assumir a Monarquia, que, como facto político, se tornou inaparente em Outubro de 1910.

    El-Rei Rei vive. E a espontânea exclamação popular de “Viva!” é, na sua comovida singeleza, o literal e mais próprio  reconhecimento realista  disso mesmo.

  5. Duarte Meira

    Outra ve por lapso saiu anónimo um comentário que me importa não sai assim, porque queria em nome pessoal dirigir-me a pessoas que estimo.

    Bem hajam e agradedcido pela atenção.

  6. Paulo Cunha Porto

    Meu Caro Duarte Meira,

    Muito obrigado pela parte das gentis palavras que me toca. Não estamos em desacordo: não tenho dúvida de que o afecto e vinculação populares pela e à Dimensão da Realeza é grande, apesar da propaganda corrosiva que a tenta dar como datada. A tragédia – e se bem A conheço é o princípio informador do sentir da Cristina – está em as instituições de todo se divorciarem levianamente de tão forte nexo.
    Mea culpa, durante muitos anos fui indiferente ao Sebastianismo. Hoje, tenho de, em parte, arrepiar caminho, preparo precisamente um pequeno ensaio em que dou conta da minha pessoal interpretação desse tão importante quadro mental da nossa Grei.

    Abraço

    • Cristina Ribeiro

      Duarte, ” desapareceu ” é apenas uma forma de que usamos para constatar que há esse divórcio de que fala o Paulo, que informa a essência de uma Monarquia: aquela de que falo hoje, num post sobre D. Pedro V.
      Que esteja apenas adormecida, é o que todos almejamos.

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