Mira Amaral, em entrevista ao I.
[A descida da TSU]«Uma medida destas tinha de ser vendida num pacote de crescimento e competitividade, e não dentro de um pacote de austeridade. Quando uma medida destas, que podia ser positiva, se vende dentro de um pacote de austeridade, é só para levar pancada. Há também aqui um erro político. Esta medida, para ser implementada, com todas as condicionantes de que já falámos, nunca podia ser apresentada numa situação em que percebemos que o governo está de calças na mão. Chamavam-se os parceiros e fazia-se isto complementado com incentivos fiscais ao investimento e à criação de novas empresas, colocando a medida dentro de um pacote global. É evidente que esta medida não cria emprego, mas algumas empresas do sector exportador ganham folga de competitividade, sejamos honestos, e mesmo as empresas do mercado doméstico é evidente que podem diminuir as pressões de tesouraria. Só que isto pode ser anulado pelo facto de o consumo no país diminuir ainda mais e aquilo que ganham num lado perdem no outro. (…)
Tinha sido mais útil para as empresas uma redução dos preços da energia do que uma descida da TSU.»
E acrescento eu: e suspender a liberalização do mercado de combustíveis, estabelecendo preços compatíveis com a realidade das empresas e dos clientes particulares, ao invés dos preços absurdos que estão a tornar o transporte profissional e pessoal proibitivo para uma grande parte do país. Em tempo de crise ou escassez, o Estado deve recorrer ao tabelamento dos preços sempre que seja necessário impedir que a especulação prejudique o funcionamento da economia. O aumento do consumo compensaria a perda percentual de receita do ISP.
Boa entrevista, que aconselho a ler.
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