Mês: Julho 2012 (Page 1 of 12)

Hugh Laurie no Coliseu dos Recreios

Acabo de chegar a casa após um magnífico concerto de Hugh Laurie. O talento do britânico é realmente de outro mundo, embora deva destacar-se a sublime The Copper Bottom Band, que o acompanha na carreira musical, de onde saliento Vincent Henry nos instrumentos de sopro, que a dada altura me arrancou arrepios com o clarinete num dueto com Laurie no piano. Mais que um mero concerto, foi um espectáculo de entretenimento em que o seu característico humor não parou de arrancar gargalhadas à plateia, de onde, a dada altura, se ouviu um sonoro “I love you”, a que Laurie respondeu: “Well thank you, I don’t really know what to say but we have to be honest, we hardly know each other, [erguendo o copo de whisky] but after a couple of these…”

 

Aliás, Laurie entrou logo a matar, dizendo sobre a célebre música St. James Infirmary: «This is a song about a sailor who used to fuck a lot. St. James Infirmary was a place for patients with leukaemia and venereal diseases. Nowadays the place is St. James Palace, where the Queen does whatever it is she does, that is none of my business.»


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Post de partida

Decidi iniciar a minha escrita no Estado Sentido seguindo as linhas conceptuais ditas normais para estas ocasiões. Como tal, começo por escrevinhar os traços orientadores do meu primeiro post. Não me posso esquecer dos agradecimentos. Procurarei não ser rude ou dar uma imagem errada de quem sou. Persisto na ideia de que não posso olvidar uma pose humilde e condizente com os meus valores. E é então que dou por mim a perceber que todos estes preparativos assumem um paralelismo metafórico interpretado pela figura do Professor Cavaco Silva: não falam, não têm vida própria – mas aborrece-me só de pensar neles.

 

Não é a minha estreia na blogosfera, devo confessar. As tentativas de criar um blog estável, contínuo e de continuada escrita foram como a obra de Randa Haines – filhos de um Deus menor, perdidos por entre leituras, esquecidos entre horas a fio de estudo e, claro está, vilipendiados até à exaustão. Espero agora conseguir encontrar o fio à meada.

 

Ao meu caríssimo Samuel de Paiva Pires, deixo uma palavra de agradecimento pelo convite que me decidiu endereçar. Tenha sido por ver em mim as competências necessárias para cumprir tais desígnios, quiçá por achar que seria um desafio estimulante para um cérebro que não se deixou formatar pela academia ou talvez ainda pelo efeito que as cervejas que nos acompanhavam no momento do convite tiveram sobre ele, a verdade é que se afigurou impossível recusar tamanha oportunidade.

 

Aos restantes Conselheiros, um obrigado pelas mensagens de boas-vindas. Nunca é de mais reforçar a honra que é para mim integrar esta trupe, que nada tem de circense, mas que por artes de escrita mágicas se tornou num dos locais onde a opinião crítica sobrevive graças em toda a sua essência.

 

Aos nossos leitores e restantes seguidores, apenas suplico que me concedam uma margem de manobra equivalente à que se costuma dar à pessoa menos vistosa num grupo de gente bonita – porque no final de contas, eu esforço-me e até sou simpático.

 

Prometo assiduidade na escrita, sátira nas palavras. ‘Mais um pouco de Sol – e eu era brasa’, escreveu Mário de Sá-Carneiro num dos seus diversos poemas. Só espero ser um fiel seguidor desta doutrina e incendiar os ânimos da blogosfera com as minhas opiniões.

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Sintomas da decadência Ocidental

Jack Donovan, Everyone a Harlot:


«People used to have decent aspirations. They wanted to have families. They wanted to do good work. They wanted to be good citizens, good Christians, good people. Now everyone wants to be a player and a porn star. Everyone wants to be the kind of monkey that all of the other monkeys wants to rub up against.


We call this matrilineal hump-fest “progress,” and seek our moral redemption in recycling.


Sex may be natural, and it sure is fun, but it’s just a part of life. A society that over-emphasizes sex to the point where it seems like the only thing in life that means anything is grotesque and degraded, and for most people it delivers more emptiness than ecstasy.


In healthy patriarchies, men push themselves to earn the respect and admiration of other men. They work to prove their strength, courage and competence to each other. Men pride themselves on their reputation for mastery of their bodies, their actions, and their environment. They want to be known for what they can do, not just how well or who they can screw. And they sure as hell don’t waste their time trying to figure out what they can do to bedazzle bimbos.»

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O Estado sucateiro

João Miranda, no Blasfémias:


«O Pavilhão Atlântico foi mais um dos muitos investimentos ruinosos feitos pelo Estado. Os 50 milhões investidos nunca renderam mais do que 2% ao ano, tendo rendido na maior parte dos anos cerca de 0,5%. Em 2011 renderam 0,4%. Renderam menos que a inflação e bastante menos que um depósito a prazo. Se os 50 milhões tivessem sido colocados no banco  a render a uma taxa de 5% hoje o Estado teria 100 milhões de euros na conta. Em vez disso tem um pavilhão que foi avaliado pelo mercado em 22 milhões de euros (note-se que no concurso público realizado ninguém deu mais). Feitas as contas, entrando ainda com os lucros miseráveis obtidos ao longo dos anos, o Estado deve ter perdido cerca de 70 milhões de euros a preços actuais. Mas note-se que o que foi ruinoso não foi a venda do Pavilhão Atlântico. Ruinosa foi a decisão de o construir.»


Muito bem: então vamos seguir essa lógica de tratar equipamentos culturais como investimentos financeiros e vender também outros investimentos ruinosos como o Teatro Nacional D. Maria II, o São Carlos, o Museu de Arte Antiga, o Panteão Nacional, a Biblioteca Nacional, a Torre do Tombo e tudo o mais que não der lucros acima dos juros que a banca daria pelo montante equivalente ao valor de mercado. Ninguém duvidará que, por muito pouco que alguém esteja disposto a pagar por eles, o negócio nunca será ruinoso. Isso sim é gerir racionalmente o património do Estado. Não há dúvida que ao longo de séculos andámos sempre governados por gente completamente estúpida, sem capacidade de julgamento. Felizmente que agora saímos das trevas e vimos a luz: nós não somos cidadãos de um país nem existe Estado, somos meros clientes de uma empresa pública que liquida a nossa massa falida.

PSD “arde como um loureiro”

A “presença” do ex-conselheiro de Estado de Cavaco Silva, Dias Loureiro, alegadamente envolvido em duvidosas práticas bancárias, como conselheiro de Pedro Passos Coelho foi a última novidade estival que fez perder a paciência aos social-democratas, inclusive junto de muitos dirigentes “passistas”. Na verdade, poucos compreendem o motivo de tal escolha, face à situação de Loureiro, fazendo ver ao PM os enormes prejuízos de imagem que esta incompreensível colaboração traz ao PSD e ao Governo. 

Vem-nos logo à memória a conhecida frase de Johann Goethe “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”… ou como o administrador-delegado da Merkolândia para Portugal fica, de novo, muito mal na fotografia. Se a esta revelação adicionarmos os “números” da lixa e da porcaria da autoria do mesmo primeiro-ministro, o resultado final é um quadro verdadeiramente indigno da imagem pública de um governante que se preze, como Paulo Rangel não deixou, muito oportunamente, de recordar. Falta de cortesia, de decoro e de respeito pelas pessoas. Ai Passos, Passos.

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Um rissol para a camarada Ri Sol

Tal como convém a qualquer república, na Coreia do Norte o Fantástico Líder deu o nó, talvez emulando os fastos outrora protagonizados por outro republicano de cepa, o Sr. Sarkozy. O pai Kim Il jong trouxe ao mundo o actual Chefe, fruto da sua relação com uma cantora. Cumpriu-se uma vez mais a tradição e vai daí, o Fabulástico Líder escolheu outra cantora para com ele partilhar o tálamo. A feliz contemplada pelo camarada Kim Jog-un, dá pelo auspicioso nome de Ri Sol.

 

Aguardamos ansiosamente pela primeira visita oficial dos camaradas-noivos a Portugal, onde o PCP-BE terá a oportunidade de lhes oferecer um ágape de boas vindas. Sugerimos que incluam o luso rissol na ementa e sendo ambos os nubentes bem abastecidos de carnes, há que homenageá-los, recheando os rissóis com chispe e especiarias a gosto.

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« Pola lei e pola grei ».

” A Tradição não é um castelo cerrado, não é um ponto imóvel na História; é uma criação constante. O Passado é força que nos arrasta, não é cadeia que nos prende. Toda a exacta noção de Progresso está numa sã interpretação da Tradição, pois o verdadeiro Tradicionalismo é, antes de tudo, uma interpretação crítica do Passado, quer dizer, uma atitude de razão. Tradição não é velharia – não é hábito irreflectido que apenas consista em repetir cegamente o que teve razão de ser e não a tem já. Isso seria inércia, e a Tradição é contra a inércia “
Luis de Almeida Braga
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