Mês: Fevereiro 2012 (Page 1 of 17)

Da religião de estado à verdade única e sacrossanta

Carl Jung, The Undiscovered Self:

 

“The dictator State has one great advantage over bourgeois reason: along with the individual it swallows up his religious forces. The State has taken the place of God; that is why, seen from this angle, the socialist dictatorships are religions and State slavery is a form of worship. But the religious function cannot be dislocated and falsified in this way without giving rise to secret doubts, which are immediately repressed so as to avoid conflict with the prevailing trend towards mass-mindedness. The result, as always in such cases, is overcompensation in the form of fanaticism, which in its turn is used as a weapon for stamping out the least flicker of opposition. Free opinion is stifled and moral decision ruthlessly suppressed, on the plea that the end justifies the means, even the vilest. The policy of State is exalted to a creed, the leader of party boss becomes a demigod beyond good and evil, and his votaries are honored as heroes, martyrs, apostles, missionaries. There is only one truth and beside it no other. It is sacrosanct and above criticism. Anyone who thinks differently is a heretic, who, as we know from history, is threatened with all manner of unpleasant things. Only the party boss, who hols the political power in his hands, can interpret the State doctrine authentically, and he does so just as suits him.”

Deve ser porque não está adaptado ao Acordo Ortográfico! Se estivesse percebiam…

Brasil: Autoridades pedem tradução de passaporte a português

O jornalista Frederico Roque de Pinho divulgou que a autoridade de viação do Rio de Janeiro – Detran – lhe pediu  para apresentar a tradução do passaporte para matricular o veículo!!!

“Disseram-me que era o trâmite normal quando se trata de um cidadão estrangeiro. Eu insisti que era a mesma língua, e inclusive trata-se de um passaporte europeu, que possui tradução em três idiomas”, contou à Lusa Frederico Roque de Pinho.

O documento era exigido como identificação deste jornalista português, que pretendia apenas matricular o carro adquirido recentemente no Brasil.

Face à impossibilidade de fazer uma tradução para a mesma língua, Frederico Roque de Pinho entregou apenas fotocópia autenticada do passaporte.

“De facto, ainda não sei se o aceitaram, porque foi feito apenas o pedido, ainda preciso saber se ficou tudo pronto”, acrescentou o português, que está no Brasil para fazer um curso de MBA em Finanças, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.

 

Sinceramente…

 

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A falácia da pressuposição na defesa do Acordo Ortográfico

Um dos argumentos que muitos dos defensores do Acordo Ortográfico têm invocado com insistência é o de que já se realizaram várias reformas ortográficas. Dando de bandeja que, como aqui referi, foram feitas sempre por critérios políticos, por um regime inspirado pelo racionalismo construtivista (I República) e por outro autoritário (Estado Novo ou II República), a verdade é que este argumento cai na falácia da pressuposição. Entre outros, Henrique Monteiro tem sido notável a cair nesta e noutras falácias, como a falácia do historiador e a de argumentum ad consequentiam.

 

O director do Expresso parte de uma premissa que não discute se é verdadeira ou falsa (e que é claramente falsa, pelos motivos a que aqui aludi, nomeadamente por a língua ter origem espontânea, sendo uma instituição pré-política na qual o Estado não se deve intrometer), para concluir que pelo facto de existir esse antecedente, será correcto que incorramos novamente no mesmo tipo de premissa. A conclusão está logicamente errada, e até agora não tenho visto quem nesta incorre a tentar pelo menos justificar a premissa como verdadeira. Porque não o é, e ou não o sabem, ou sabem e de forma intelectualmente desonesta o omitem.

 

Leitura complementar: Contra o processo de apagamento da identidade portuguesa em cursoContra a novilíngua do acordêsContra a submissão ao estado moderno na forma do acordês, acordai portugueses!

Aqui estaria uma boa cura para este traste: de fuça rapada e de tanga, obrigado a trabalhar sob apertada vigilância num canil municipal, na secção de limpeza de dejectos dos canídeos, seres infinitamente mais valiosos e benignos que este “santo” difusor de péssimas velhas notícias.  Não, de facto as religiões não são “todas iguais”.

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A diferença entre religião e credo (Igreja)

Carl Gustav Jung, The Undiscovered Self:

 

“The religions, however, teach another authority opposed to that of the “world.” The doctrine of the individual’s dependence on God makes just as high a claim upon him as the world does. It may even happen that the absoluteness of this claim estranges him from the word in the same way he is estranged from himself when he succumbs to the collective mentality. He can forfeit his judgment and power of decision in the former case (for the sake of religious doctrine) quite as much as in the latter. This is the goal the religions openly aspire to unless they compromise with the State. When they do, I prefer to call them not “religions” but “creeds.” A creed gives expression to a definite collective belief, whereas the word religion expresses a subjective relationship to certain metaphysical, extramundane factors. A creed is a confession of faith intended chiefly for the world at large and is thus an intramundane affair, while the meaning and purpose of religion lie in the relationship of the individual to God (Christianity, Judaism, Islam) or to the path of salvation and liberation (Buddhism). From this basic fact all ethics is derived, which without the individual’s responsibility before God can be called nothing more than conventional morality.

 

Since they are compromises with mundane reality, the creeds have accordingly seen themselves obliged to undertake a progressive codification of their views, doctrines and customs and in so doing have externalized themselves to such an extent that the authentic religious element in them – the living relationship to and direct confrontation with their extramundane point of reference – has been thrust into the background. The denominational standpoint measures the worth and importance of the subjective religious relationship by the yardstick of traditional doctrine, and where this is not so frequent, as in Protestantism, one immediately hears talk of pietism, sectarianism, eccentricity, and so forth, as soon as anyone claims to be guided by God’s will. A creed coincides with the established Church or, at any rate, forms a public institution whose members include not only true believers but vast numbers of people who can only be described as “indifferent” in matters of religion and who belong to it simply by force of habit. Here the difference between a creed and a religion becomes palpable.

 

To be the adherent of a creed, therefore, is not always a religious matter but more often a social one and, as such, it does nothing to give the individual any foundation. For support he has to depend exclusively on his relation to an authority which is not of this world. The criterion here is not lip service to a creed but the psychological fact that the life of the individual is not determined solely by the ego and its opinions or by social factors, but quite as much, if not more, by a transcendent authority. It is not ethical principles, however lofty, or creeds, however orthodox, that lay the foundations for the freedom and autonomy of the individual, but simply and solely the empirical awareness, the incontrovertible experience of an intensely personal, reciprocal relationship between man and an extramundane authority which acts as a counterpoise to the “world” and its “reason.””

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Pacífico volver

 

Putin está em campanha e tal como um seu já longínquo predecessor que no ano de 1941 apelava à Santa Mãe Rússia, o candidato-já eleito faz subir a parada, não se contendo nas palavras. O discurso patriótico que envereda sempre por aquele caminho que tem como estação terminal as Forças Armadas, pode ser facilmente lido nas suas entrelinhas. Em jogo estão interesses económicos e a luta pelo controlo da energia, daí a “extrema preocupação” com eventos ocorridos no norte de África e agora, na Síria. As empresas russas habituadas a monopólios, são agora substituídas por concorrentes ocidentais. Tudo isto, no seguimento do desabar do poder russo no Cáucaso e correspondente penetração norte-americana na Ásia central ex-soviética. Desta forma, a afirmação da incredulidade pelo desejo dos EUA em tornarem-se invulneráveis a qualquer ataque, só poderá ser um exercício de wishful thinking, pois a invulnerabilidade a qualquer tipo de ameaça, deveria ser o objectivo primeiro de qualquer Estado independente, principalmente quando, como é o caso, se trata de uma potência ainda hegemónica. O antigo discurso do maior país do mundo que “vive cercado” por inimigos em potência, renasce das cinzas e de facto, todos os programas de armamento soviéticos, tiveram sempre como argumento primeiro, a invulnerabilidade do império.

 

A realidade dos nossos dias aponta para outros dados dificilmente ignoráveis. O primeiro consiste nas extremas dificuldades financeiras dos EUA, repercutindo-se estas no extenso e intenso dispositivo militar. Finda a missão de contenção do expansionismo soviético, a NATO perdeu o objectivo essencial para o qual havia sido criada, servindo agora e alternadamente, para intervenções que façam vingar os interesses estratégicos americanos – bastas vezes em contradição com os dos seus aliados europeus ou até em detrimento destes -, ou passando à acção sob a capa legitimizadora emprestada pela impotente ONU. Obama adverte quanto a uma “drástica redução” de recursos militares e o que ainda não se pode garantir, é se tal anúncio se deve às já citadas dificuldades, ou pelo contrário, à bem calculada previsão da entrada em serviço de novos meios tecnológicos que tornem o até agora pesadíssimo aparelho, mais ágil e racional. Não sabemos. 

 

Putin anuncia um programa de rearmamento de uma ambição desmedida, assemelhando-se no sector naval, à reedição do Plano Z que um dia o III Reich sonhou aplicar à sua marinha. Não se medem as palavras, o anúncio é de uma colossal grandeza e deliberadamente arrisca uma corrida aos armamentos e o trilhar do mesmo caminho que nos anos 70 e 80 levou à liquidação da URSS. Se a isto juntarmos a expansão militar chinesa – que até agora possui umas forças armadas muito inferiores no plano de vista táctico e estratégico -, estamos então perante uma nova realidade, à qual se junta um claro indício do voltar de atenções dos EUA para o Pacífico. É neste sentido que devem ser lidas as notícias de um certo abandono da Base das Lajes, sem que tal signifique o seu fecho, pois os americanos não arriscarão a reedição do “buraco negro” dos tempos da Batalha do Atlântico. De um dado estamos certos: longe ainda estão os tempos do completo ocaso da supremacia militar norte-americana.

 

Resta-nos pensar em que termos o nosso país melhor pode garantir a segurança dos resquícios da sua soberania, especialmente quando se trata de uma vastíssima, potencialmente rica e cobiçada área marítima no ainda centro do mundo: em suma, urge olhar para sudoeste.

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Um creme para as nossas leitoras

É imperioso o recurso aos produtos fabricados em Portugal, alguns dos quais são muito antigos e conseguem manter-se no mercado, tal é a comprovada qualidade. Este parece ser um caso de estudo, pois o Creme Benamôr (Fábrica Nally), foi preferido pela Rainha D. Amélia e por várias gerações de outras portuguesas. O aspecto gráfico é também algo de inusitado, uma beleza. Estou a pensar em iniciar uma série de telas em homenagem aos nossos produtos e aqui está a primeira, ainda por acabar.

 

Saiba mais sobre o Benamôr aqui e aqui. Pelos vistos, está de regresso.

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