


E não, não é piada.. António José Seguro realmente proferiu estas mesmas palavras, após a aprovação do OE para 2012..
Memória curta? Ou pura imbecilidade?
Caso não se lembre caro António, o principal responsável pela necessidade de termos este mesmo Orçamento de Estado e respectivas medidas de austeridade, foi o seu partido – ou estará o partido socialista a sofrer de alguma espécie de trauma amnésico?
De quem podia vir a preclara ideia? De Mário Soares, claro está. Aliás, o “sagrado” está na sua linhagem, como os cálices estão na celebração da Eucaristia. Filho de um ex-sacerdote que muito oportunamente se “despadrou” logo a seguir à burricada de 1910 – o mesmo Padre João que nos juramentos de Bandeira, alegadamente tecia loas à consubstanciação do corpo da Pátria no corpo d’El-Rei -, M.S. sempre teve um fraquinho pelas coisas do transcendente, desde que isso implicasse muitas e vistosas cerimónias, fotos com os Papas e príncipes da Igreja, vestes vermelhas cardinalícias, Te Deums e outras grandiosas anti-laicidades do estilo.
Diz que o 5 de Outubro é “sagrado”, porque a “maioria da população portuguesa é republicana” e ainda por cima, afiança que o povo “não gostou” da ideia da abolição do feriado republicano. Seria interessante sabermos como é que disso poderá ter tanta certeza, uma vez que a tal República é afinal de continhas bem feitas, o tal esquema que resolvia os seus assuntos no malha-costas de adversários, a mesmíssima República que provocou uma maciça fuga para o estrangeiro – nas suas três versões regimentais, diga-se -, que bombardeou, prendeu, torturou, armou-se em ditadora ad eternum, arruinou financeira e economicamente o país, que tão mal “descolonizou” e que tantos dispendiosos e imprestáveis quadrúpedes teve na manjedoura de Belém. Em suma, República deu “no troykismo” que se vive.
Coerentemente, o reformado e bem pago ex-PR vai dizendo que a abolição do feriado do 1º de Dezembro, dia da Restauração da Independência, “não é tão grave”. Percebe-se…
Mário Soares não é um qualquer, há que reconhecê-lo. Por mais incrível que pareça, a sua palavra ainda encontra eco nos saudosistas dos grandes nadas e aqui está a “ultima perninha” que talvez ainda consiga preservar para os próximos anos, o dia da nossa derradeira ida à praia. A menos que o actual Relvas seja “sensível” a gorduras aventaleiras, Mário Soares que se conforme como puder. Por exemplo, pague a senha – nem tudo pode ser à borla – e vá ao jantar dos Conjurados. Ainda está a tempo.
Entram para a coluna da direita e ficam em destaque quatro blogs que vivamente aconselhamos: Avenida da Liberdade, Brocas, Bruno Garschagen e Contra Mundum.
Em 1975, Vasco Gonçalves influiu na recusa da hipótese de um contrato que permitiria o fornecimento de centenas de veículos militares Chamite ao exército Imperial Iraniano. Dizia-se que tal escusa se devia ao tipo de regime que vigorava na Pérsia, pelos “camaradas” considerada um “país fascista”. O resultado foi o que se sabe. Não conseguimos manter as linhas de fabrico, estiolou-se a pesquisa, volatilizaram-se os recursos que talvez tivessem dado origem a uma pequena, mas eficiente indústria militar. Hoje em dia, o exército poderia ser equipado com viaturas de origem portuguesa, pelo menos na maioria das suas componentes.
Aqui está mais um exemplo da estupidez crassa que tomou conta do país: eis o “caso Pandur” de regreso.
Mário Soares está “preocupadíssimo” com a situação na Europa, imputando à escória neo-liberal – aquilo em que Mussolini e Mário Soares concordarão ser “os plutocratas” – todas as presentes desgraças, aliás copiosamente causadas pelos camaradas da “terceira-via” Blair, Zapatero, Schröder, Sócrates e outros tantos.
Fala em “revolução”, mas nem sequer pode imaginar o que hoje em dia isso significará, pois será bem diferente daquilo a que o século XIX traçou como “rumo irreversível”. Mau negócio para os bem colocados na vida. Paradoxalmente e na mesma entrevista em que ataca a confrangedora situação, o raladérrimo Mário Soares mostra-se um fervoroso federalista, quando noutras linhas se insurge contra a interferência externa – a troika – na condução dos negócios do Estado português.
Esta gente é louca varrida.

Dia 15 de Dezembro Lisboa volta a ter ardinas em vários pontos da cidade, a venderem o jornal i. A compra do jornal irá ajudar as crianças apoiadas pela Fundação do Gil. Todos podemos ajudar, por apenas 1 euro e ainda lemos o jornal. Saibam mais aqui.
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