Não sei como era dantes, mas as regalias dos ex-Presidentes dos cargos dirigentes do Estado sempre me pareceram imorais. O termos de, com os nossos impostos, suportar Gabinetes, secretários, automóveis, motoristas, e não sei quantas coisas mais, de quem exerceu funções ao serviço da ” Res Publica ” vejo-o como um escândalo. Pensei que tivesse chegado a altura, finalmente, de acabar com essas benesses injustificadas. Engano. Que essa moralização está longe de acontecer evidencia-o o facto de a actual Presidente da A.R. continuar a ” tradição “, a má tradição, ao atribuir idênticos privilégios a um antigo Presidente da mesma Casa, não relevando sequer o estarem os contribuintes ” à rasca “. Mudança ou apenas remendos? A um passo em frente segue-se um atrás…
Mês: Julho 2011 (Page 1 of 11)
” Bravamente é apaixonado o Sr. D. Júlio, acudiu o doutor, pelas coisas da nossa pátria; e tem razão, que é dívida que os nobres devem pagar com mais pontualidade à terra que os criou (…)é a língua pportuguesa branda para deleitar, grave para engrandecer, eficaz para mover, doce para pronunciar, breve para resolver, acomodada às matérias mais importantes da prática e escritura. Para falar é engraçada, com um modo senhoril; para cantar é suave, com um certo sentimento que favorece a música; para pregar é substanciosa, com uma gravidade que autoriza as razões e as sentenças; (…) para histórias nem é tão florida que se derrame, nem tão seca que busque o favor das alheias. A pronunciação não obriga a ferir o céu da boca com aspereza, nem arrancar as palavras com veemência do gargalo.
Tem de todas as línguas o melhor: a pronunciação da latina, a origem da grega, a familiaridade da castelhana, a brandura da francesa e a elegância da italiana. Tem mais adágios e sentenças que todas as vulgares, em fé da sua antiguidade. E, se à língua hebréia pela honestidade das palavras chamaram santa, certo que não sei eu outra que tanto fuja de palavras claras em matéria descomposta quanto a nossa. E para que diga tudo, só um mal tem, e é que, pelo pouco que lhe querem seus naturais, a trazem mais remendada que capa de pedinte.”
Francisco Rodrigues Lobo, « Corte na Aldeia »
Pedro Passos Coelho anunciou ter cortado radicalmente no números de chauffeurs de serviço à presidência do conselho de ministros. Mais ainda, ficámos todos a saber que Sócrates podia contar com 23 motoristas para o que desse e viesse. Curiosa esta fartura, hoje reduzida a 14 (ou 11?) condutores de Mercedes, a 150.000 Euros por limusina.
Já não me recordo do nome do conhecido motorista de Estaline e não me apetece consultar Simon Sebag Montefiore para me avivar a memória. Quanto ao Führer, lembrei-me de Erich Kempka, o homem que substituiu Julius Schreck e Emil Maurice. Durante muitos anos condiziu o Grosser-Mercedes de Hitler. Assim, sabe-se que o ditador alemão possuía um motorista permanente.
Por cá e em democracia, ficamos à dúzia. Coisas do progresso. Já agora, gostávamos de saber se a dose de farturas é extensível ao Palácio de Belém, o tal que é ocupado por alguém que gosta de utilizar o Falcon quando tem um C-130 à espera na pista de Barcelona. Gente fina é outra louça.
Via Margarida Pereira, recebi o seguinte texto:
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Olhem que maçada, que coincidência. Há uns dias, aventávamos a hipótese de o rapaz Breivik pretender uma República na Noruega. Parece que acertámos, pois a imprensa daquele país diz que o Palácio Real era um dos alvos, dado o seu valor simbólico. Agora percebe-se o porquê do silêncio de um certo sector político lusitano que foi o primeiro a reagir com os entusiasmos e apontar de culpas do costume. Agora a situação é outra, alternando o silêncio com a desculpa da maluquice.
Aqui temos um Afonseco Costa: conspiração, assassínio e bombas. Tal e qual como há umas boas décadas. Onde é que já vimos isto?
Nestas guerritas do “render da guarda” – que afinal de contas é sempre a mesma, mas com dragonas diferentes -, chovem afirmações e desmentidos acerca de limpezas. No preciso momento em que quando nos atrevemos a publicar algo de menos agradável se sucedem os ataques aos mails, computadores e telefones, será mesmo desejável essa vassourada, desde que esteja conforme aquilo que deve ser um Estado de Direito. Não chegará varrer o pó para debaixo da carpete, como é costume fazer-se. Aconselhamos o uso de um aspirador que por sinal, poderá também ser usado noutros locais. Na Armada, por exemplo.
Recebi esta estranha mensagem que diz provir do Sapo (customerserviceaccount1@auto.lt). A partir daquele momento, deixei de poder de enviar qualquer e-mail, embora já há alguns dias tivesse notado o desaparecimento de algumas das funções no “blogger Sapo”. Dado o português claramente macarrónico da comunicação, não respondi. Quantos mais terão recebido o comunicado? Gostava de saber.
“Caro User Account sapo.pt
HTK4S um vírus foi detectado em sapo.pt Webmail servidor, e todas as
contas de webmail sapo.pt deve ser atualizado imediatamente para evitar
danos ao webmail sapo.pt.
Você será solicitado a fornecer a conta de identidade listados abaixo para
que possamos verificar e manter sua conta com a nova versão HTK4S anti-
virus/anti-Spam 2011. falta de informação válida, sua conta será
temporariamente suspensa de nossos serviços.
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“Países que recebem ajuda deviam ceder parte da sua soberania à União Europeia”
Wolfgang Schäuble. Ministro das Finanças da Alemanha
Devo ser eu que estou muito desatento mas não me lembro de ter ouvido uma declaração que fosse, uma, por parte dos responsáveis portugueses acerca desta intervenção do ministro alemão. Gaspar, Portas e Passos aos costumes disseram nada. E vamos andando…
A este propósito merece a pena ser lido o excelente texto de Luís Menezes Leitão disponível aqui.

Um pormenor que me chamou a atenção no caso do duplo atentado mortífero na Noruega: um dos entrevistados foi o pai de Anders Breivik, o terrorista do momento. Ao que parece, o senhor, um diplomata na reforma a viver no Sul de França, separou-se da mãe do autor dos atentados quando ele tinha um ano e não tem contacto com ele há 15. Diz-se agora “absolutamente chocado” e espera que o filho “se suicide”.
Mas já que ele aprova o suicídio, talvez estivesse na altura de comprar cianeto, uma corda resistente ou um par de balas. É que um pai que corta o contacto com um adolescente quando este tem dezassete anos tem no mínimo as suas responsabilidades. Sabe-se que os nórdicos têm uma visão dos laços familiares bem diferente da que temos no Sul da Europa. Se a emancipação precoce é largamente fomentada, também a quebra de relações familiares se tornou regra. Não só se pretende que os jovens se “façam à vida” muito novos, como ao que parece, devem cortar definitivamente com as origens. Um caso na minha família, através de um casamento, demonstrou-me como o afastamento das raízes familiares pode ser perverso e doloroso. É dos tais casos em que os sistemas nórdicos nada têm de “civilizados” ou “superiores”. O corte e o enfraquecimento das relações familiares representa antes decadência, individualismo extremo, e talvez explique em parte a alta taxa de suicídios na região. A referência paterna, o apoio familiar em ocasiões de crise, a inculcação de valores de pais para filhos é vital para qualquer desenvolvimento são. E nenhum pai que se preze corta simplesmente os contactos com um filho de dezassete anos. Para mais, não parece padecer de problemas económicos. Ao que parece, o progenitor “biológico” não pensou nem pensa nisso. Já que os noruegueses estão em reflexão, recuperando do choque, Talvez fosse uma boa ocasião para pensar se não terão falhado no espezinhamento dos seus valores familiares.





