Mês: Junho 2011 (Page 1 of 14)

Espuma deste dia

 

(imagem do Público)

 

1 – A ser verdade, isto é escabroso, escandaloso e um caso de polícia. Mais um grande exemplo ético do coveiro do nosso futuro que vai estudar filosofia em Paris. Já dizia o outro que ninguém dá lições de democracia ao PS. 

 

2 – A cobrança de um imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal, anunciada hoje pelo Governo, é um mau começo e um mau sinal. Consigo compreender a aflição do Governo que levou a tomar esta medida, sabendo do buraco escavado pelos anteriores Governos, comprovado pelos dados do INE relativos à má execução orçamental em curso. E até já me mentalizei para a mesma – apesar de ainda ontem ter recebido a nota de liquidação do IRS. Mas é uma medida injusta, que vai contra o que PSD e CDS proclamaram nos meses anteriores, contra a ortodoxia económica do modelo da curva de Laffer num país cuja carga fiscal e esforço fiscal é já das maiores da UE, e que vai contribuir ainda mais para a recessão económica e para a evasão fiscal. Passos Coelho apresenta-a como uma medida corajosa por antecipar medidas de austeridade. O que seria corajoso, verdadeiramente liberal e um incentivo ao crescimento económico era antecipar o relatório a apresentar daqui a 90 dias quanto às instituições públicas a extinguir – aliás, o actual Ministro da Economia compilou dados quanto a esta questão e sabe bem onde começar a cortar. Mais corajoso ainda, e maior estímulo à economia, seria baixar os impostos. Recorrer à via mais fácil é um mau sinal, para os portugueses e para os mercados. Eu lamento imenso, mas para aqueles que ainda tinham ilusões quanto ao alegado liberalismo de Passos Coelho, só me recordo daquele ditado/teste, que aqui adapto: “se fala como um socialista, anda como um socialista e age como um socialista, então provavelmente é socialista”. Ainda que aparentemente fale como liberal, o que só agrava a contradição e falta de autenticidade. Estou de acordo com Luís Menezes Leitão, Nuno Branco, Maria João Marques, Luís Rocha e João Miranda. E é sempre engraçado quando Carlos Abreu Amorim, o autor da famosa frase e rubrica “É difícil ser liberal em Portugal”, é quem mais aplaude esta medida no parlamento. Em consequência desta medida, muita razão tem o Miguel Noronha: “Quem acabou de anunciar uma medida deste calibre está obrigado a redobrar esforços na redução da despesa pública.”

 

3 – Das poucas coisas positivas deste dia, há a registar o ambiente político menos agressivo, o que ficou bem patente no debate na AR. Estiveram bem, neste aspecto, Passos Coelho e Vítor Gaspar. Quanto ao novo Ministro das Finanças, pode-se dizer que não é o melhor orador do mundo, mas a calma, o humor acutilante e a simplicidade com que respondeu à oposição é desarmante e deixou muitos deputados irritados. A surpresa está desfeita. Veremos como se dará na execução do programa de governo.

Brasil e Portugal

No Brasil, o ministro Fernando Pimentel é favorável à compra de títulos da dívida portuguesa*, mencionando os laços históricos entre os dois países.

 

Tal como declara, a relação entre o Brasil e Portugal é especial e em conformidade, do lado de cá do Atlântico há quem pense que esta situação de crise europeia, pode e deve ser aproveitada pelo Brasil, avançando-se para um projecto mais coerente com as potencialidades da CPLP. Estamos no momento exacto para ousar, até porque a “Europa” não beneficia de uma posição capaz de opor demasiados obstáculos.

 

*Vítor Gaspar diz que a “nossa” (dele?) República tem compromissos para respeitar. De uma vez por todas, fale em nome do país cujo nome é Portugal. Esqueça a dita “República” e verá que desta forma, é mais fácil mobilizar vontades e concitar a compreensão geral. Aliás, num governo a abarrotar de monárquicos, gastar o verbo com a dita cuja, é pura perda de tempo

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Passos tira Coelho da cartola

‎24 de Março

 

Passos Coelho, assumiu em Bruxelas o “compromisso” de não proceder a cortes salariais: “Portanto, a haver algum ajustamento que seja necessário fazer, será mais por via dos impostos sobre o consumo do que do rendimento das pessoas através dos impostos ou através de cortes salariais ou das pensões”.

 

30 de Junho 

 

O Primeiro-ministro diz que o estado das finanças públicas o força a pedir “mais sacríficios” aos portugueses. 

Pedro Passos Coelho estreou-se como primeiro-ministro na Assembleia da República anunciando que vai cortar “50% do subsídio de Natal acima do salário mínimo nacional”


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Qual república, qual quê?!

Seguindo o post aqui deixado pela Cristina, a questão dos ficheiros desaparecidos, consiste num clamoroso erro que decerto fará as delícias dos convivas da hora do café. Desde uma totalmente ilegal atitude mesquinha de quem perdeu, até à certeza quase absoluta do deliberado ocultar de “provas”, tudo poderá ser dito. Isto não contribui em nada para o prestígio, se é que ainda resta algum, das instituições. Dir-se-ia estar o país naquele turbilhão descendente de um vórtice suicidário. Em suma, o empilhar de mais de três décadas de exercício do poder, prova que estes cavalheiros não estão à altura.

 

No que há a dizer do novo governo e apesar das boas intenções de início de mandato, devemos manter alguma circunspecção quanto a entusiasmos prematuros e aguardarmos pelos próximos semestres, não vão ressurgir os velhos tiques de sempre.

 

Neste preciso momento 15,59H -, em entusiasmado e quase norte-coreano discurso de apoio ao executivo, berra “pela república” um deputado do PSD, não sei quem. Pobre Passos Coelho, como se deve ter retorcido na cadeira da bancada governamental! Cordato e conciliador como tem sido, não merece tal maldição.

 

Cem anos mostram que o brado nunca ao país serviu para coisa alguma e a sua invocação, além de levantar suspeitas quanto a certas conveniências de irmandade, apenas nos remete para um infindo rol de baixezas e abjectas misérias. É arcaico, escusado, não impressiona e pelo contrário, avilta quem da “coisa” se serve, na vã tentativa de galvanizar este povo mais desconfiado que nunca. Pelos vistos, as inexistentes comemorações pela vitória eleitoral de 5 de Junho, não significaram um sinal perfeitamente compreendido pelos agentes políticos.

 

Mudem o discurso, já é tempo.

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Não tinha necessidade…; ou tinha?

Um governo que sempre se disse ” limpo “, eterna vítima das acusações mais maldosas, com um chefe alvo de ” assassínio de carácter ” por parte de forças obscuras e insultuosas ( não é, sr. Almeida Santos, não é, sr. Emídio Rangel, não é sr. …) porquê fazer isto? Queima de ficheiros, limpeza do lixo debaixo do tapete, ou continuação da ” campanha negra “? Espera-se a todo o momento que os acólitos reduzam a cacos mais esta conspiração, ou que se retractem.

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“Conquista el Alentejo”?

Após o ex-imbróglio TGV, agora é à descarada e para cúmulo, uma “brilhante” ideia nascida em cerebrozecos alegadamente portugueses.  Imaginemos a reacção espanhola a cartazes deste estilo decorando as avenidas portuguesas, mas com dizeres como “A Galiza é portuguesa”, “Devolvam-nos Ceuta porque o nosso escudo de armas já lá está”, etc, etc. Espantoso, quem andará a pagar fretes a esta gente do Turismo de Portugal? 

 

Poderá o novo governo livrar-nos desta cambada de idiotas “úteis”?

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Programa do Governo: casas e rendas numa Lisboa Arruinada

Tudo o que se tem dito acerca deste assunto, pertence ao domínio do óbvio e ao longo de muitos anos, as intenções ficaram-se pelo enunciado. Pretende-se um melhor funcionamento do mercado de arrendamento e para isso são apontadas algumas necessidades, como:

 

1. Dinamização do sector imobiliário. Esperemos que isto não signifique a continuação da desastrosa política de construção que tem desertificado os centros urbanos e levado a população a estabelecer-se nas caóticas periferias. Tem sido este o “dinamismo” do sector imobiliário nacional, aliás em clara convivência com os interesses da partidocracia na sua definição mais ampla (bancos e sociedades anexas, entidades municipais, “obras públicas”, etc).

 

2. A mobilidade das pessoas. Um princípio baseado em exemplos exteriores e que poderá ser exequível se existir trabalho e as necessárias infraestruturas que garantam às famílias, as condições que permitam o seu desenraizamento. É uma intenção de bastante duvidosa concretização.

 

3. Redução do endividamento das famílias. Poderá ser um fim que apenas venha a afectar o sector dos empréstimos bancários, o da dívida galopante. Este endividamento poderá baixar significativamente, no caso do mercado de arrendamento proporcionar preços aceitáveis e compatíveis com os baixos índices salariais praticados em Portugal. Em 1974, uma renda de habitação equivalia a cerca de 1/3 do salário do “homem da casa”, enquanto hoje, em 2011, normalmente equivale à quase totalidade do dinheiro recebido no mês. Na capital portuguesa, os preços praticados pelo mercado do arrendamento são absurdamente elevados, se os compararmos com os níveis salariais e das rendas que se praticam nas outras capitais europeias. A situação torna-se caricata, se levarmos esta comparação ao estado em que se encontram os imóveis. Os preços incitam à falta de cumprimento da obrigação do pagamento de rendas e levam aos conhecidos processos de despejo que entopem tribunais e à mútua falta de confiança entre senhorios e inquilinos.

 

4. Facilitar despejos e colocar um ponto final nos abusos dos trespasses e eternização de rendas antigas, alguns dos males que têm corroído o parque imobiliário português. Não havendo agora o recurso ao crédito fácil e barato, como poderão ser os senhorios ajudados a recuperar os seus imóveis? Aqui está uma questão premente e de difícil resolução.

 

Parecem acertadas, as medidas que o governo tenciona implementar com o fim da colocação de mais imóveis no mercado de arrendamento, protegendo os interesses dos senhorios. No entanto, estas medidas deverão ser acompanhadas por outras, tais como:

 

1. Legislação e respectiva fiscalização quanto ao estado em que os imóveis se encontram quando colocados para arrendar. Em bastos aspectos, Portugal é um país do terceiro mundo e os senhorios alegremente colaboram nesta situação, praticando preços que ultrapassam em muito, as reais possibilidades de pagamento dos inquilinos. Casas degradadas e sem as mínimas condições de habitabilidade – saguões imundos, escadas inseguras, quartos de banho em ruína e sem canalizações adequadas, vidros partidos, janelas emperradas, cozinhas arcaicas e sem préstimo, infiltrações e humidade, paredes degradadas e soalhos apodrecidos -, deverão ser obrigatoriamente adequadas à necessidade de ocupação pelos inquilinos. Até hoje, o caos que tem imperado, obriga quem esteja interessado em arrendar uma casa, a proceder por sua conta às obras de restauro, desde as pinturas à colocação em funcionamento da rede eléctrica e canalizações, ao mesmo tempo que as rendas atingem preços astronómicos e em clara contradição com o poder de compra do arrendatário. Esta é uma verdade inegável. Estamos numa época “quase soviética”, em que as famílias são obrigadas a partilhar a habitação com pessoas exteriores ao seu núcleo, recorrendo à cedência de quartos em troca de uma renda não declarada, numa transumância de cumplicidades involuntárias: o senhorio fecha os olhos ao sub-arrendamento, pois isso permiti-lhe o recebimento de uma renda elevada e desproporcionada ao valor da fracção. Mais ainda, os trabalhos de recuperação executados pelos inquilinos, jamais são compensados em deduções sobre a renda ou no acto de saída, pelo pagamento parcial daquele injusto porque quase forçado benefício a favor do detentor da propriedade. Assim sendo, às rendas elevadas, há que acrescentar o preço das obras de beneficiação que correm quase sempre por conta do arrendatário. Um esbulho que decorre da necessidade de quem arrenda.

 

2. O governo é omisso quanto ao problema da invasão do sector terciário bem estabelecido em edifícios originalmente construídos para habitação e que ao longo de décadas viram os seus ocupantes despejados e substituídos por escritórios. Isto significou a expulsão da população, o estiolar do comércio tradicional, a degradação galopante dos imóveis, a descarada fuga ao fisco – os senhorios não têm declarado as parcelas como arrendamento comercial -, o aumento da insegurança urbana devido à desertificação de vastas áreas citadinas.  Urge criar um mecanismo de apertado controlo que dificulte o estabelecimento de empresas/escritórios nos edifícios de habitação e incentivar a sua mudança para outros construídos especificamente para esse fim e que em numerosos casos – a zona das Avenidas Novas de Lisboa é um flagrante exemplo – se mantêm durante anos vazios devido aos exorbitantes preços exigidos.

 

3. Na urgente coordenação de esforços entre o governo e as Câmaras Municipais, há que liquidar a situação de desmazelo e criminosa política de abandono da propriedade imobiliária municipal que deverá ser alienada em benefício do mercado da habitação. A colocação à venda destas propriedades condenadas à degradação e abandono, deverá obedecer a critérios que impeçam a sua apropriação por entidades – como certos “fundos imobiliários” como o do BES, por exemplo – que destinariam os imóveis à especulação, consequentemente demolindo-os e prosseguindo a actual política de descaracterização das cidades. A recuperação destes edifícios – na totalidade ou em parcelas – comprados a preços acessíveis por jovens e também por gente menos jovem, permitirá a reocupação populacional dos centros urbanos, a segurança dos mesmos e o prosperar de numerosas pequenas empresas de construção, proporcionando mais emprego e a dinamização de alguns sectores da produção nacional. A proposta que agora chega da CML pela voz da arq. Helena Roseta, padece de alguns males que prolongam a situação de favoritismo e de exclusão até hoje verificada. Forçar os compradores a incluírem-se em grupos, obedece à obsessão colectivista – beneficiando os citados “fundos imobiliários”, talvez o verdadeiro móbil da pia intenção camarária – que reside nas mentes dos proponentes, ao mesmo tempo que a criação do “júri de escolha” de candidaturas – aqui está uma vez mais o Sr. Salgado e o autocolante F.I. BES -, atribui ao vereador do pelouro da habitação, o poder do favorecimento e livre arbítrio. Conhecendo-se o que se tem passado neste sector da capital, cremos que estas teóricas boas intenções pouco ou nada mais significam, senão a manutenção do status quo. A intenção parece boa mas deverá ser revista, abrindo a possibilidade de aquisição da propriedade a outros sectores etários.

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