Mês: Março 2011 (Page 1 of 16)

Cavaco Silva: o discurso sensato e os conselhos ao Landtag de S. Bento

discurso que devia ser feito. O Sr. Cavaco Silva dissolve o Landtag de S. Bento e convoca as eleições para a data mais conveniente. Tece algumas considerações acerca das crises que trucidam o país e apela ao bom senso e moderação.  As primeiras reacções partidárias parece que confirmam a total inconsciência pelo momento, pois logo veio partido do governo adiar o que já se considera como inadiável, além de insistir num patético alijar de culpas para as costas da oposição. O partido do Presidente, o PSD, pretende que seja Sócrates a carregar o ónus do pedido de ajuda ao exterior. Assim, já se prevê o tom da campanha eleitoral e até, um marcar de posições que impedirão aquilo que o Presidente deseja e o país necessita: uma aliança pós eleitoral do seu partido com os socialistas. Veremos até onde chega a loucura desta brincadeira de roleta russa e como reagirá a “grande tribuna” do Reichstag de Berlim.

 

A par daquele proferido no 1º de Fevereiro de 2008 – quando o Sr. Cavaco Silva esbofeteou o tal Landtag caído na vergonha de recusar a homenagem ao Rei D. Carlos I -, este terá sido o melhor discurso presidencial, quase “à Rei dos Belgas”. 

 

Conhecendo-se a profunda imbecilidade e o cavalgadurismo militante dos republicanos, pouco caso farão dos conselhos presidenciais. Triste sina. 

 

 

 

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Seremos ainda mais saqueados?

O que parece estar a tornar-se cada vez mais nítida, é a declarada intenção de intervir nos negócios internos de Portugal. Estes assuntos são tão evidentes como a Economia, Finanças e em complemento futuro, a própria ordem interna do país. A pressão advém daquele confuso imbricado que tem as agências de rating como cabeça, mas que na realidade, obedece à estratégia gizada pelos principais detentores da nossa dívida, sendo alguns deles nossos parceiros na U.E. De facto, qualquer governo português já se encontra atado e bem atado a compromissos e deveres contraídos e isto, sem que jamais a população tivesse sido chamada a pronunciar-se acerca do seu destino. Todos ainda temos presentes as palavras de proferidas por Cavaco Silva, quando no ocaso da sua passagem pela casa de S. Bento, declarava a impossibilidade dos portugueses se pronunciarem acerca de Maastricht, por exemplo. Hoje, António Barreto pede uma muito necessária auditoria às contas públicas, coisa impossível porque conhecendo-se os figurantes do poder das últimas décadas, pressupõe a queda do regime.

 

Esta crise poderá até servir para obrigar o conjunto dos países mais pequenos da União, a prescindirem dos resquícios da soberania que ainda conservam. Dentro de pouco tempo, regressarão sugestões acerca da renegociação dos Tratados. Não tenhamos ilusões quanto a isso.

 

No entanto, existem ainda outras hipóteses para a resolução de muitos dos nossos problemas. Aqui estão. Se a U.E. não ficar satisfeita, paciência. Há que contornar o barco corsário e seguir em frente, pois perdidos já parecemos estar.

 

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Já dizia o Príncipe Fabrizio.

Adepta do murro na mesa, de que fala Santana Lopes ( as eleições não mudarão substancialmente as coisas, antes farão parecer que ” muda alguma coisa para que tudo fique na mesma “, como asseverava o personagem d’« O Leopardo » ), mas apostando que o chefe de Estado vai, mais uma vez, justificar a grande abstenção nas presidenciais, por não formar um governo só com as pessoas reconhecidamente capazes, fazendo, assim, com que os partidos repensassem no mal que estão a fazer ao país, há já,com essas eleições no horizonte muito próximo, o fantasma das ” coligações alargadas “, que mais não farão que trazer o criminoso ao local do crime.

Uma reprise, mais uma, do « Tudo Como Dantes ».

 

 

 

      Além do ” murro na mesa ” , as bengaladas sugeridas por Eça de Queirós caiam-lhes tão bem. Como dizia o meu pai, quando precisávamos de uns tabefes, só se perdem as que caem no chão.

 


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Se os de cá não sabem, o Brasil que ouse.

Com uma crise política, social, financeira e com os juros a subir a alturas estratosféricas e os ratings da especulação a caírem para o patamar do lixo de sarjeta, será difícil convencermos qualquer investidor.

 

A sugestão que a Presidente Dilma Roussef deixou, foi a de uma aparente escusa, apoiando-se na salutar política do Banco do Brasil que apenas investe em dívidas “classificadas de AAA”. Em poucas palavras parece zelar pelos interesses do seu país, coisa que para quase todos os agentes políticos de Lisboa, é coisa tão estranha como a existência de marcianos na Terra.

 

As relações entre Portugal e o Brasil, devem ser muito mais profundas que aquelas existentes com outros Estados, especialmente aqueles que connosco compartilham a península europeia. Os governos, esteja quem estiver no seu comando, devem facilitar a circulação de todo o tipo de bens e de nacionais de ambos os países. Mais ainda, urge estender a cooperação às esferas da educação – a existência de mais de 1000 estudantes brasileiros na Universidade de Coimbra, deve significar algo -, da ciência e assuntos da Defesa, assim como ao delineamento de programas conjuntos em todos os países pertencentes à CPLP, onde o peso brasileiro ainda se encontra muito aquém das possibilidades. O Brasil sugere pedir garantias para avalizar a compra de dívida soberana portuguesa e sabemos o que isso significa: activos que ainda possam ser encontrados em empresas como a TAP ou a GALP, por exemplo. Pouco mais existirá e assim sendo, há que estudar outros cenários, tirando pleno proveito da situação geográfica portuguesa e do imenso património cultural espalhado pelo mundo.

 

A ousadia foi durante algum tempo uma característica fundamental dos portugueses, fossem estes os defensores da raia face a uma Espanha tentacular, ou aqueles que tomando o sertão, alargaram o espaço que Tordesilhas lhes concedera na América do Sul. Bastará olhar o mapa do Brasil e esta é uma inegável evidência.

 

Chegou o tempo de irmos mais longe e recuperar alguns dos projectos de um futuro que a ignorância, preconceito e estupidez de alguns não deixaram vingar. Se pesquisarem acerca da verdadeira razão da intenção de D. Carlos I em visitar o Brasil em 1808, poderão ter uma ideia acerca do que era possível realizar-se, com bastos proventos para as duas margens do Atlântico. Se quiserem ir ainda mais longe, poderão até reconfigurar a hipótese de União gizada em 1815. A “Europa” poderá então barafustar como bem entender.

 

Que o Brasil não se fique por compras de dívidas ou de duas ou três empresas. Sugira ou exija mais, substituindo a Europa – a Alemanha – na imposição da estratégia. O Portugal do futuro agradecerá, pois este é o único caminho que interessa seguir.

 

Não sabemos é se os brasileiros ainda estarão interessados.

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50.000 vidas mais tarde…

Mesmo admitindo que tenho seguido com pouca atenção a evolução política nacional pós-tumor, a verdade é que não apareceu ainda a mais ténue indicação de reais pretensões de mudança. O poder não se afastará muito de onde se vem instalando, cada vez mais confortável, desde há 3 décadas; o PS não vai lavar a cara da imundice socrática que marcou a sua última década (e a de Portugal, por arrasto, e triste sina). O PSD vai divagando sobre as formas e companhias pelas quais irá inevitavelmente chegar ao poder, em vez de delinear efectivamente uma estratégia de emergência que nos tire deste buraco. O PS não precisa de se reinventar porque sabe que o jogo das cadeiras o conduzirá de novo ao governo dentro de 4, 6 anos. Ao PSD faltam tomates, desde que perdeu os de Manuela.

 

Continuam a pedir-se esforços e sacrifícios às mijinhas em vez de se os impôr com a radicalidade que a situação exige.

 

De entre os organismos dependentes do estado, quais os obsoletos, quais os dispensáveis? Quem se propõe objectivamente a eliminar este ou aquele parasita que nos consome os impostos sem nada produzir?

 

A falta de vontade de votar não é mais do que a falta de fé nesta política partidocrática que não tem capacidade de se auto-regular e tampouco alguém verdadeiramente livre e independente que a regule. Será esta, talvez, a principal razão de ser monárquico: o Rei é livre, o Presidente dificilmente o será.

 

A julgar pelo que tenho visto, só mesmo a questão do aborto poderá eventualmente despertar-me da indiferença com que vejo o próximo processo eleitoral, pelo que só um partido que se proponha a desfazer a trapalhada da lei de 2007 se arrisca sériamente a levar o meu voto.

 

Está na hora de acabar com este aborto de lei que, em apenas 4 anos, já nos custou mais de 50.000 vidas e mais de 100 milhões de euros. É urgente. E prometo que depois já podem voltar a brincar aos politicos.

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Estes números não enganam

This Year's Visits by Month

Bem sei que é autopromoção. Mas a verdade é que os números não enganam. A subida do blog Estado Sentido desde o passado mês de Dezembro é notória e os números aí estão para o confirmar. O mês de Março bateu todos os records e este ainda não terminou. Foram 20.000 os leitores que nos confiaram a sua preferência por este espaço de liberdade. Um crescendo de visitantes que muito nos honra. Um enorme salto quantitativo que nos leva ao topo. Obrigado a todos.

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Manual para paineleiros e comentadeiros dos tempos que correm

 

Moderador/entrevistador (M/E): Qual é que acha que é o principal problema dos nossos tempos?

Paineleiro/comentadeiro (P/C): A crise de valores.

 

(M/E): Que valores?

(P/C): Os valores de uma sociedade justa, igualitária e fraterna.

 

(M/E): E o que provocou essa crise? 

(P/C): O neo-liberalismo e o capitalismo selvagem.

 

(M/E): Mas como é que resolvemos essa crise?

(P/C): Através de uma mudança de mentalidades.

 

(M/E): Mas precisamos de mudar para o quê?

(P/C): Para um novo paradigma económico, político e social.

 

(M/E): E como é que vamos conseguir chegar a esse novo paradigma?

(P/C): Através de uma mudança de mentalidades.

 

(M/E): Mas mudar em relação ao quê? 

(P/C): Ao neo-liberalismo e ao capitalismo selvagem.

 

(M/E): E mudar em direcção ao quê? 

(P/C): A uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna.

 

(M/E): Mas porque é que precisamos de mudar? 

(P/C): Porque há uma crise de valores. 

 

E aí por diante, é fazer as combinações que se quiser. Panem et circenses para pseudo-intelectuais, tautologia style.

Auditoria do Tribunal de Contas não consegue determinar quantas fundações existem

“Não é possível identificar com rigor, o universo fundacional relativo às fundações de direito privado, em virtude de as bases de dados existentes, estabelecidas pelas entidades com responsabilidades diversas neste universo, não serem, em geral, completas e fiáveis”

 

Entretanto, não se esqueçam do banquete final com as adjudicações directas aos amigos!

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O estado a que chegámos

Um acutilante texto do Henrique Raposo, Ir à Segurança Social:

 

“Acabo de vir da Segurança Social. Toda a gente devia passar por ali. É para ver como é uma parte do país. Uma parte do país que não vai deixar de votar em José Sócrates. É, sinceramente, um país que apetece abandonar. O país é cada vez mais isto e a vontade de emigrar cresce. Havia ali uns senhores, vá, patuscos que estavam a falar de um carregamento de DVDs que tinham para vender; mas, calma, tinham a senha de RSI na mão. Havia ali uns jovens com ar de quem passa 4 horas no ginásio; mas, calma, com senha do RSI na mão. Podem levantar halteres no ginásio no meio das babes, mas já têm distensão muscular congénita quando é para levantar móveis ou assim? Havia ali meninas, nos seus 20 e 30, a dizer que não recebiam o suficiente da SS. E um sujeito olha para aquilo e pensa “mas não vais trabalhar porquê? É que aqui mesmo nesta rua há lojas a precisar de pessoas? Não?”.

 

Entretanto, o meu padrinho vai ter de começar a pagar os seus medicamentos. Entretanto, os meus primos que precisam do subsídio de família (porque faz mesmo falta) estão à nora. Desculpem lá, pardon my french, mas o meu pai não me educou para esta merda.”

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