Mês: Janeiro 2011 (Page 1 of 17)

O Regicídio, visto de Paris

“Perante tal atentado, tão selvagem tão planeado, o primeiro gesto é de indignação. Mas isso não exclui a lucidez. Que os povos não tenham ilusões. A revolução, onde quer que nasça e sejam quais forem os pretextos de que se arme, mata primeiro os reis para matar de seguida, mais à vontade, os povos.  Faz o seu baptismo de sangue para prosseguir uma tarefa sanguinária. “Liberdade!”, grita o regicida, a maior parte das vezes um instrumentalizado e um impulsivo, o que não o torna mais respeitável. “Servidão”, responde a História.

Gentes de Portugal e doutras paragens: acreditem nos franceses experientes que passaram por todos os dramas, todas as loucuras e também todas as inanidades da miragem revolucionária. O que o complot antidinástico visa é precisamente esta ordem hereditária onde são possíveis liberdades, mesmo num visível constrangimento. Trata-se de instaurar a desordem, em regra parlamentar, onde uma fachada de abertura social mal consegue esconder a pior das tiranias. O assassínio do rei só tem como finalidade o advento de reizinhos anónimos, irresponsáveis e passageiros, os quais, não tendo interesse em conservar a nação, a devoram. Os tiros dirigidos ao soberano eaos seu herdeiro vão atingir o coração da pátria, da mesma forma que, segundo a expressão de Balzac, a Assembleia, condenando Luís XVI, cortava o pescoço a todos os pais de família. Os povos são solidários com os monarcas.”

 

Le Gaulois, Paris, 4 de Fevereiro de 1908

 

A Real Associação de Lisboa apela à comparência popular no acto de reparação do 1º de Fevereiro de 2011, a realizar-se na Igreja da Encarnação pelas 19.00H, em Lisboa (Chiado). Estará presente a Família Real.


Um Post Sobre Futebol

Calhou que se sentásse ao meu lado, a bordo de um velho Antonov 12, um militar Jordaniano, daqueles dados para a conversa. Eu, que tenho por hábito não entreter conversas de circunstância a bordo de cadáveres voadores, acedi desta feita à provocação, deixando o Requiem de Mozart para outros vôos.

 

A introdução é sempre a mesma: “Portugal? Ah! Cristiano Ronaldo, Luís Figo!” (não te esqueces de ninguém?) “And José Mourinho, The Special One!” 1X2…

 

Aproveitei para saber o que pensava sobre a situação do Egipto e demais mundo Árabe. Disse-lhe ter visto ontem nas notícias que cerca de 200 protestantes se reuniam em Amã a pedir a demissão do Primeiro Ministro Samir Rifai. Tranquilo e com um sorriso condescendente, avisou, como se o explicásse a uma criança, que na Jordânia não há espaço para uma revolução, mesmo apesar de que de tolos nenhum país se escapa. Que “ninguém dá muita importância ao PM, que nós temos lá a nossa Família Real”. Que “toda a gente sabe que o Rei (Abdulallah II) não deixa que um qualquer PM arruine o país” que “se ele começa a disparatar o Rei trata de o substituir”. A descontração com que falava mudou radicalmente quando lhe falei da última visita da Rainha Rania Al-Yasin a Portugal. Agora com entusiasmo, falou nos projectos sociais da Rainha, disse que toda a gente a conhecia pelo mundo fora, que tinha uma vida muito activa, sempre dedicada a quem mais precisa de apoio. Que “todas as mulheres querem ser como a Rainha!”.

 

Eu, par contre, ía falar-lhe do nosso Presidente e na sua família encantadora. Ía dizer-lhe que o Presidente da República também nunca deixaria que um mero Primeiro Ministro arruinásse um país inteiro. Que o povo confiava no Presidente e que todas as Portuguesas sonhavam em ser sequer metade da mulher que é a Primeira Dama. Depois lembrei-me dos Vitais Moreiras e pensei em explicar-lhe o que é um “patusco”. Reflecti e cheguei à conclusão de que não seria suficiente. Devia dizer-lhe, como se o explicásse a uma criança, que nós, os Portugueses, já saímos das trevas há cem anos, que fizémos uma enorme descoberta, que baptizámos de “ética republicana”, e  que é a resposta para todos os males do país.

 

Talvez assim o fizésse compreender o quão obsoletas eram as suas palavras. Quão ingénuo o seu discurso. Enfim, quão ridículo o seu regime. Tanta coisa teria eu para lhe ensinar, não calhásse este ser um vôo tão curto, mesmo atendendo à lentidão com que o lendário avião russo rasgava os céus carregados, sobre a selva Congolesa.

 

Tanto pensei em todas as coisas que haveria para dizer a tão primitiva criatura, que, quando chegou a minha vez de falar, foi “então e o Eusébio?” o melhor que nessa hora me ocorreu.

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As minhocas do 31 de Janeiro

Há mais de um século, uma pândega acabaria como começara. Em nada. Tal é ainda um dos parcos motivos para umas jantaradas e baixa-mão nos cofres do erário público, “comemorando-se” – eles, claro – um evento tão importante como um punhado de minhocas constipadas. Hoje, nem sequer haverá “bispo do Porto de honra”, nem protocolar carícia papal que lhes faça as suaves fosquinhas na casquinha do mal-cheiroso eczema. Após o “grande sucesso eleitoral” da semana passada, os rastejantes devem estar exauridos de vontades.

 

Amanhã é a nossa vez. Verão a diferença, em todo o país.

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Este país não é para coligações

 

Passos Coelho, há dias, afirmou que não fará uma coligação pré-eleitoral com o CDS. Agora, Paulo Rangel, assumindo a mesma orientação, aconselha “Paulo Portas a tomar um chá e ficar mais calmo”.

 

Concordando com o que o Henrique Raposo escreveu há uns meses, não posso senão assistir com preocupação a esta escalada de posições tacticistas. Demonstra que o PSD está mais preocupado em obter uma maioria absoluta do que em gerar um consenso alargado que passe, obviamente, por uma coligação, que permita criar um movimento de fundo na sociedade portuguesa. Aliás, cheguei até a sugerir uma ampla coligação PSD-PS-CDS, claro que sem José Sócrates, mas as nossas personalidades à direita, a começar por Cavaco, foram demasiado medricas para isso, há uns meses. Não deixa, contudo, de ser uma possibilidade. Entretanto continuamos neste limbo que nos vai desgastando, enquanto José Sócrates nos leva para o abismo.

 

Separados, PSD e CDS correm o risco de entrar numa espiral eleitoralista que dividirá ainda mais a sociedade portuguesa. Aliás, o PSD de certeza que entrará nessa espiral. Juntos, podem obter uma legitimidade acrescida decorrente da respeitabilidade que lhes seria granjeada por uma postura de seriedade que apele à mudança, dando-lhes maior resiliência e autoridade para conduzir reformas estruturais no Estado. Mas, por agora, ninguém sabe sequer se teremos eleições legislativas este ano. O panorama é tão incerto que, como dizia há dias José Adelino Maltez, “nada é inevitável“.

 

Porém, de um ponto de vista meramente tacticista, a avaliar pelas atitudes dos dirigentes do PSD, caro Paulo Portas, permita-me dar-lhe um conselho: deixe-se, como sugere Rangel, estar no seu cantinho. A haver eleições, sozinho o PSD não terá um discurso tão forte, especialmente porque terá que enfrentar PS, BE e PCP a explorar até à exaustão algo que por agora parece esquecido: a aprovação do Orçamento do Estado para 2011 com o aval do PSD. Será, com certeza, uma campanha extremamente violenta e intensa. Mantendo-se à parte desta contenda, o CDS terá espaço para se focar no PS, principal causador do descalabro que vivemos, e para mostrar aos portugueses o seu sentido de Estado e de responsabilidade. No fim, provavelmente obterá ainda mais lugares no parlamento. Nessa altura terá o PSD a bater-lhe à porta.

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O Regicídio na imprensa internacional

“Perante o absurdo atentado de Lisboa, só se podem proferir palavras de profundo horror: nenhuma palavra de desculpa, nenhuma frase céptica para embelezar os factos.”

 

Berliner Tageblatt, Berlim, 3 de Fevereiro de 1908

 

“Foi cometido no sábado em Lisboa um crime que não tem paralelo no grau de horror que as notícias sobre ele irão provocar através do mundo civilizado.”

 

The Morning Post, Londres, 3 de Fevereiro de 1908

 

“Mas era um tirano o rei que mataram? Tirano o jovem príncipe de 20 anos, exuberante primavera que só pode sorrir? Oh, retórica de Brutos, envenenados de frases, saturados de ódio imbecil. Mesmo se o rei fosse culpado – e isso está longe de ser provado – e que o filho estivesse preparado para ser culpado arbitrariamente, as vossas pistolas e as vossas carabinas absolveram-nos.”

 

Corriere della Sera. Roma, 3 de Fevereiro de 1908

 

A Real Associação de Lisboa apela à comparência popular no acto de reparação do 1º de Fevereiro de 2011, a realizar-se na Igreja da Encarnação pelas 19.00H, em Lisboa (Chiado). Estará presente a Família Real.


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Descobrir a careca do Coelho

Um dava electrodomésticos, outro dá dinheiro! Foi esta a forma de lançamento do agora afamado José Manuel Coelho. A compra de simpatias por parte de um comunista que faz parte de um partido de extrema-direita, um deputado que, em 1028 dias de mandato na Assembleia Regional, cometeu a proeza de apresentar apenas uma proposta legislativa: a construção de uma estátua de AJJ, com 50 metros de altura e escada interior…

E, já agora, uma pergunta: Porque é que nunca ouvimos, nem o Sr. Coelho nem o PND, falarem mal dos Grandes Barões da Madeira, os famosos Blandy, o Pestana ou mesmo o Berardo. Alguém sabe responder a isto?

E, por último, nada como apanhar um Coelho a mentir. Recordam-se do ex-candidato ter dito que só ia gastar 3 ou 4000 euros na campanha? Pura ilusão e maior o engano. O orçamento entregue no Tribunal Constitucional é elucidativo: foram só trinta vezes mais: 90.000 mil euritos porque isto de fazer campanhas de borla não faz o género da “Madeira velha”, não é? Será pelo facto dos “chefes” Baltazar Aguiar e Welsh serem grandes Barões da Madeira e abastados proprietários locais? Como diria o outro, “Não me acredito”…

E para concluir, parafraseando um beneficiário da distribuição de “eros”coelhistas  ocorrida no Funchal: “isto é um trabalho bem feito”! Oh se é!

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A respeito da questão do corte no financiamento às escolas

 

Anda todo o país a discutir peanuts. José Sócrates está contente. Conseguiu pôr toda a gente a falar de uns trocos, mais uma vez colocando na linha da frente um dos seus séquitos, a Ministra Alçada – que ainda consegue ser mais disparatada que a sua antecessora. E usando a velhinha e demagoga oposição moral entre “público” e “privado”, que em grande parte nos tem trazido neste caminho para a servidão, conseguiu ainda dar uma nova causa aos seus apoiantes, que andavam muito calados por Cavaco ter ganho as Presidenciais, reforçando a coesão entre estes. Entretanto o país vai-se afundando. Gostamos mesmo do acessório e de ser enganados. Temos o PM que merecemos.

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De voz roufenha mas bem paga

O “avô Cantigas II” está todo encanitado por o PPM querer um referendo à mortificada república apensa à tacharia estrasburguesa. Antigo partidário das  expeditas patuscadas dos srs. Estaline, Béria, Brezhnev e outros coriféus do estilo, vem agora recordar-se dos bons tempos em que não era necessário consultar o povo. Até na terminologia, este confortabilizável pateta já imita o pregoeiro Louçã.

 

Há coisas que não mudam.

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