Porque não vi o filme, mas me arrisco a desgastar o CD, de tanto o ouvir.
No meio de tantas desgraças, não há paciência para falarmos de polítiquesses que já pouco interessam á maioria. Assim e para variar, hoje recebi como prenda esta magnífica jarra chinesa em cerâmica. É pesada, bem vidrada e o motivo decorativo também é muito bonito. Se querem saber onde a encontrar, dêem um salto à Area (Amoreiras, Colombo, Cascais ou Norteshopping). O preço é surpreendente. Nem quis acreditar. Espero que gostem. e aproveitam porque vale a pena.
Comentário a este post do Corta-fitas: houvesse verdadeira democracia – e enchem tanto a boca com a dita -, a democracia semi-directa ( já nem falo na directa, que essa é que é ! ), que supõe referendos sobre os temas que mais " mexem " com a vida das pessoas, e o meu voto seria " sim, restaurem ".
Mas como isso iria afectar muitos tachos, que ninguém lhes fale nisso…
e, portanto sem poder ouvir música, que me é essencial, assim que vejo as luzes acenderem-se, dirijo-me a casa do António, por saber que à noite, em casa, tem boa música para desfrutarmos.
Pouco depois de chegar a Lisboa, fui ao cinema, com uma amiga. Fomos ver « Les Uns et les Outres ». Gostámos do filme, e fascinou-nos a cena do bailado, com uma música linda…
E esquecemos. Até que uma noite, estava essa amiga lá em casa, no apartamento por cima começou a ouvir-se essa música: e era ver a amiga disparada, a subir as escadas, sem dizer " água vai "…; voltou com o nome da música: « Bolero », de Ravel.
Gostei de todo o filme, mas esta cena foi uma das mais marcantes…
Na origem do nome deste blog, como todos sabem, está este conceito, princípio ou valor, que embora de difícil definição, é passível de ser reconhecido enquanto virtude que caracterize alguém. Acontece que, ao ler On Democracy, de Robert A. Dahl, cruzei-me com um parágrafo (p. 73) que parece sumarizar bastante bem o que é o sentido de estado. Tomando a seguinte concepção, não é difícil percepcionar que é coisa que há muito vai faltando à maioria dos políticos portugueses – em muitos, para não dizer a esmagadora maioria, talvez nunca tenha existido – e talvez ajude a perceber porque é cada vez maior o desgoverno.

(imagem retirada daqui)
To govern a state well takes more than knowledge. It also requires incorruptibility, a firm resistance to all the enormous tempations of power, a continuing and inflexible dedication to the public good rather than benefits for oneself or one’s group.

que andava de porta em porta a vender os tecidos que lhe enchiam a carroça. Parava o burro no largo frente à igreja, e apregoava:
– Venham ver, minhas senhoras. Lindas chitas para blusas e vestidos, e bom cotim para fazer calças para o patrão!
O mulherio acorria todo, num ambiente de festa, pois não se sabia quando é que o velhote voltava à aldeia; talvez só daí a seis meses…
E num abrir e fechar d’olhos a mercadoria desaparecia, vendo-se o fundo da carroça, agora vazia.
Despedidas feitas: – Daqui a uns tempos aqui me têm de novo, com as últimas novidades…-, e o homem dando uma palmada amigável no animal, segredava-lhe: – Vamos Gaspar, que já ganhámos o dia…
Chegada a altura do filho seguir as pisadas do pai, o velho, virou-se para o rapaz e disse-lhe: : – Não agora tu já não precisas de andar de terra em terra com a carroça. Amealhei o necessário para comprares um lugar na feira da vila, e é para lá que tu vais; onde é que já se viu filho meu andar a vender chitas pelas portas…

Num mau momento da sua carreira de advogado, dominado pelo alcool e descreditado perante os seus pares, Frank Galvin ( Paul Newman ) vê surgir a hipótese de se reabilitar, quando aceita defender uma vítima de negligência médica.
Deixando todos estupefactos, Galvin recusa um acordo extrajudicial, considerado bom, proposto pelo hospital, porque quer que se faça plena justiça à sua cliente.
Estes novos-ricos do petróleo têm atitudes que oscilam entre a discrição – quando o preço baixa – e a arrogante empáfia -, quando existe uma maior recolha de proventos. Se durante anos nos habituámos às variantes de humor de Putin, existe agora um novo ponto de interesse.
Lula da Silva herdou uma situação económica mais saneada e de facto, a presidência de Fernando Henrique Cardoso marcou a viragem há muito aguardada pela imensa maioria dos brasileiros. Lula prosseguiu a sua política de aproximação às camadas mais pobres e foi capaz de capitalizar a esperança de dezenas de milhões. A ele se deve o renascimento da esperança para uma mole imensa de desesperados pela miséria.
O gigante brasileiro hoje pode surgir de forma mais evidente na arena internacional, proporcionando também a oportunidade dos seus dirigentes, sobretudo Lula da Silva, de por vezes assumirem posições pouco consentâneas com o almejado estatuto de "futura grande potência". Embora faça parte do grupo "BRIC", o Brasil ainda está longe de ser uma Rússia ou China.
Relações controversas com alguns dos párias da comunidade internacional, ameaçam aquela desejada credibilidade que é apanágio de regimes estáveis e cumpridores dos requisitos impostos pela diplomacia internacional. A lista é conhecida, desde Chávez a Moralles, os irmãos Castro e Ahmadinedjad. Com profundos laços económicos estabelecidos há muito com o seu grande vizinho do norte – os EUA -, estranha-se esta insistência no fechar de olhos perante aquilo que todos reconhecem ser situações anacrónicas, onde o despotismo se mescla com o populismo revanchista. Internamente usando da retórica conveniente dos "direitos humanos", Lula passeia-se como um igual nas capitais dos ditadores, num ostensivo silêncio perante abusos que desacreditam o posicionamento do seu governo noutras latitudes bem mais decisivas, no hemisfério norte. Se a isto acrescentarmos os ímpetos rearmamentistas com o claro propósito de fazer figura – apesar das controversas compras efectuadas em França -, urge colocar a questão: quem quer Lula impressionar? Pretenderá apenas tomar posições para consumo interno, excitando uma opinião pública onde hoje já se denotam euforias de prometida grandeza, ou pelo contrário, terá Lula da Silva qualquer tipo de ilusões acerca do verdadeiro conhecimento que americanos e europeus têm acerca da realidade política e económica brasileira?
O movimento pendular que alterna épocas de abastança com outras de contracção, deveria tornar Lula mais prudente. Na última Cimeira Ibero-Americana, alguns diplomatas comentavam com alguma ironia, algumas atitudes de pouco diplomático exibicionismo que este protagonizou, numa clara demonstração de pouco sentido da realidade. O Brasil tem ainda um longo caminho para percorrer.
O presidente do Brasil julga poder subverter as regras do jogo, mas é exactamente o contrário que faz dos simples políticos a prazo, aqueles que para a história ficarão como estadistas. Já alguém disso informou o sr. Lula da Silva?
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