Mês: Abril 2009 (Page 1 of 17)

« Quando um homem está cansado de Londres,

 

 

 

 

está cansado da vida », terá dito Samuel Johnson.

E eu penso que tinha razão em assim falar, Daniel.

 

              Desde que comecei a ler coisas sobre Londres, sobre a Grã-Bretanha, da sua história, com momentos sanguinolentos, como todas, mas com momentos de grande glória, também, que comecei a ver filmes lá rodados, as inigualáveis séries da BBC, a ver as fotografias tiradas por quem já lá tinha ido, ficou bem assente na minha cabeça que seria essa a minha primeira viagem ao estrangeiro, quando adulta. E desde então já lá voltei, e a partir da cidade visitei outras regiões, sempre com o maior dos proveitos.

 

Agora costumo dizer que só espero o fim da crise para a ela voltar. Por isso compreendo muito bem o seu comentário " Também quero ir a Londres…"

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Tinha uma, ainda que muito ténue – afinal a história remontava já

 

ao pós – 2ª guerra mundial -,  esperança de encontrar alguma coisa da livraria onde Anthony Hopkins manuseava aqueles livros raros, os quais tinham sido a origem da amizade, que nunca passara além de uma correspondência epistolar, mantida durante vinte anos, com uma escritora do outro lado do Atlântico.

Por isso, quando cheguei a Londres, e logo me dirigi a Charing Cross Road, a decepção foi inevitável: livrarias, muitas, mas nenhuma como a dos meus encantos.

Apenas uma placa a confirmar que a Marks & Co. existira mesmo…

            

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Viva a república! Viva o regabofe!

 

Tudo isto é demasiadamente escabroso para tecermos muitas considerações. E pensar que os republicanos atacavam violentamente o regime da Carta, devido a uma lista civil que não era actualizada desde os tempos de D. João VI. Sempre gostaria de saber se o presidente Cavaco (para não falarmos dos outros) poderia governar-se com um orçamento equivalente ao do general Carmona!

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PS/PSD ou PS/CDS?

 

 Não pode haver grandes guinadas a meio de uma crise, sobretudo porque já há muitas medidas que estão em curso e não podem ser alteradas, porque senão era deitar fora o que já se fez”, explicou. 

 

São estas as palavras de Van Zeller, a propósito do insistente rumor de formação de um próximo governo "de concentração" entre os dois partidos rotativos. Se as entidades empresariais assim o desejam, assim será e disto estamos absolutamente convictos. O factor Cavaco Silva não é desdenhável, até porque as recentes palavras de crítica indirecta do presidente, não podem ser interpretadas como um frontal ataque ao executivo de Sócrates. Não existe  uma verdadeira coragem política para tanto, até porque a posição de Cavaco não é sólida e livre de responsabilidades.

 

O regime chegou a um patamar tal, que qualquer solução alheia à vontade dos rotativos – queremos dizer,  dos tutelares agentes económicos e financeiros -, poderá provocar uma súbita derrocada de inimagináveis consequências. O rumo a tomar pelas economias mais poderosas será igualmente determinante, mas o acentuado declive em que a situação política portuguesa se encontra, acicata à adopção de soluções drásticas, nelas se incluindo o Bloco Central. E até agora, os partidos não têm demonstrado interesse em prestigiar-se perante os portugueses.

 

Este Bloco Central pode, além de estabilizar a acção governativa, acelerar o processo de reformas, servindo-se do Parlamento como mero apêndice  de suporte a um programa que deverá ser ambicioso. Simultaneamente e num cenário de esperada hegemonia da Razão  – sempre a grande incógnita na partidocracia nacional -, poder-se-ão mitigar os ímpetos eleitoralistas do habitual  populismo caça-eleitores que tanto tem prejudicado os cofres do Estado, o ambiente e o património. É tempo de parcimónia e disto mesmo estão os portugueses  à espera.

 

Alguns observadores têm apontado a viabilidade de um entendimento do PS com o CDS. É possível, mas decerto os dirigentes do partido de Paulo Portas terão sobejamente sopesado o que tal opção significará para a sobrevivência do já  velho partido do Largo do Caldas.

 

Muito mais do que um simples arranjo de uma sólida maioria, o país tem a premente necessidade de um completo redesenhar do seu edifício estatal. Sem que exista a necessária coragem para esse trabalho de Hércules, todas as soluções paliativas serão apenas isso mesmo. O regime ou o "sistema"  que existe, não serve. Caducou e o português da rua disso se apercebeu. Agora, trata-se de uma rotineira questão de tempo.

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É um lugar lindo. Calcorreei-o muitas vezes,

 

quando, quase todos os Domingos, subia, com irmãos e amigos, o monte do Sameiro.

Há alguns anos " plantaram ", num atentado sem nome, fora de todos os cânones estéticos, agredindo o que de pitoresco ele guardava, uma casa sem o mínimo das características que foram as nossas, e que -Haja Deus! -aqui e ali se vão recuperando. E pintaram-na de uma cor que parecia improvável.

E nem os muitos malmequeres, jarros ou lírios escondem o mal que ali fizeram nascer.

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Da necessidade de refundação do dicurso e prática político-partidária à direita

Tenho a forte convicção – ou, pelo menos, esperança – que daqui a uns anos o discurso político em Portugal será bafejado por um conjunto de indivíduos que em termos de teoria política estão bem mais preparados para fazer corresponder as políticas públicas à teoria e à realidade do que a comummente chamada "Geração de Abril" e os seus sucedâneos – falta apenas saber se até lá entramos na bancarrota ou não. Portugal precisa de uma grande mudança (para que fique tudo como está, diria Lampedusa) em toda a escala, no que diz respeito à arquitectura constitucional e administrativa, e alternativas não faltam, falta apenas vontade política – a qual também não poderá nunca vir daqueles que se sentam à mesa do orçamento do dinheiro dos contribuintes.

 

E uma dessas necessárias mudanças é a refundação da direita portuguesa, sob a égide de um partido verdadeiramente de direita liberal e conservadora. A palavra chave é o "verdadeiramente": um partido que não tenha medo de assumir que é de direita, liberal e conservador, e que não continue a dizer-se social-democrata e a ser subserviente à esquerda e às suas políticas que nos vão levando para o abismo.  Um partido que tenha quadros de valor  e não idiotas úteis e especialistas em golpadas; que saibam do que falam e se desprendam do velhinho discurso da social-democracia, que, na verdade, pertence de todo o direito ao PS.  Talvez não fosse mal pensado, como sugere José Manuel Moreira, voltar a utilizar a sigla PPD, para mais tarde deixar cair o PSD. Pelo meio, talvez refundir o PPD e o CDS/PP num só partido com uma clara definição e distinção ideológica dos restantes – esta seria uma hipótese para talvez tentar recuperar alguma da credibilidade que há muito o sistema partidário perdeu. É também necessário acabar com os complexos do povo de que tudo o que é de direita é mau e tudo o que é de esquerda é bom, algo bem mais complicado de alcançar, mas que sem uma refundação do discurso político-partidário torna-se, certamente, tarefa impossível.

 

Até lá, apetece transcrever na íntegra muito daquilo que vou lendo, especialmente das crónicas de José Manuel Moreira, agora que finalizei a leitura da obra Leais, Liberais & Imparciais, e que me debruço sobre a caipirinha aroniana do Henrique Raposo.

 

Sobre a necessidade de termos jovens quadros que saibam o que fazem, transcrevo aqui uma parte do artigo de José Manuel Moreira intitulado "Os Pequenos e a Praia Grande", acerca de um convite que aceitou para ser orador numas jornadas da JSD há uns anos:

 

 

"Foi uma experiência única, para não mais esquecer. Ninguém tirava um apontamento, o pessoal parecia estar ali a fazer um frete, e mais preparado para a praia e a noite do que para o duro trabalho de reflexão política.

Desconfiei até que, para a sala estar sempre mais ou menos composta, havia uma espécie de rotação de jovens, talvez para permitir, por turnos, a cada um fazer outras coisas mais interessantes do que aturar os oradores convidados.

Como seria possível esta gente estar preparada para enfrentar os problemas do País com este desinteresse pela discussão dos princípios e fundamentos da política e das políticas? A resposta veio logo a seguir, com a incoerência, a inconsistência e, por fim, a trapalhada de que os governos do PSD deram mostras. A vitória de Sócrates surgiu assim naturalmente; a surpresa veio só de o seu programa ser tão social-democrata.

Só que os "sociais-democratas" do PSD ainda não descobriram, talvez porque lhes falta preparação política, que o espaço da social-democracia já está ocupado, e bem, e que o futuro depende agora de serem capazes de forjar um novo espaço onde possam explorar alternativas ao modelo de Estado de Bem-estar.

Um prestigiado académico de esquerda, Patrick Dunleavy, costuma dizer que o principal desafio aos fundamentos do modelo socialista e social-democrata de sociedade, está na argumentação filosófica e teórica desenvolvida pela escola austríaca de economia e pela teoria da escolha pública.

Será por isso difícil fazer verdadeira oposição a Sócrates se se vive na ignorância sobre as bases dessa argumentação. Mas, infelizmente, é dessa ignorância que tanto as bases vencedoras como as elites perdedoras do PSD, dão sobejas provas, ainda que mostrem saber como compensar a carência de ideias com excesso de intriga, jogadas de bastidores, golpes baixos e ultrapassagens rápidas."

«Que fita vai hoje?»*

* Título roubado à rubrica de Miguel Freitas da Costa

 

Um dos meus filmes favoritos, passa daqui a pouco na RTP 1, O Libertino – mais uma soberba interpretação de Johnny Depp, e um filme que talvez merecesse mais destaque que aquele que teve por cá. Aqui ficam os monólogos do Conde de Rochester (Depp), a título de introdução e término da película:

 

 


 


 

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Bem a propósito

Do facciosismo dogmático comunista com que Odete Santos presentou a comunidade ISCSPiana em duas sessões no espaço de meia dúzia de dias, um excelente texto, já de há alguns dias atrás, do caríssimo Corcunda:

 

 

"Uma das maiores demonstrações de impotência da Esquerda é a forma como vê os seus adversários. O “fáchismo” que descrevem nos seus oponentes é uma visão infantil do que foi o Fascismo na realidade, com toda a sua moral popular, estatista, restruturadora, centralizadora. Para a Esquerda, o “fáchista” é aquele que defende um conjunto de normas que não vêm da soberania popular, que não se submete ao papel instrumental da racionalidade como forma de elevar a Humanidade ao papel de realidade transcendente, que rejeita que o objectivo da vida humana seja a criação de uma sociedade em que se cumpre a panaceia do indivíduo (em que este ultrapassa a escassez e vive como Deus no seu universo particular). É evidente que os fascistas não partilhavam esse credo, mas a infantilidade mental que preside a esta dicotomia é apenas um reflexo de visões simples do mundo que reflectem a forma populista da esquerda de contemporânea.

A forma como Hitler é descrito como um inimigo da razão esclarecida (um contra-iluminista, portanto), um mero caso clínico de loucura ou um defensor do preconceito social populista (que a Esquerda veio destruir) é apenas uma forma de varrer para baixo do tapete os problemas levantados pelo paradigma moderno de que Hitler foi consequência lógica.

Afirmar que o problema de Hitler se encontra no seu desprezo pela Razão é apenas o primeiro acto da paródia. É verdade que Hitler foi um crítico da razão iluminista enquanto forma de ordenar a comunidade política. Mas também o foram Rousseau, Nietzsche ou Sartre. Não se consegue vislumbrar de que forma é que o anti-racionalismo de Nietzsche, que se encontra tão em voga nesta época pós-moderna, pode ser a causa de uma mal tão grande e de tantas bençãos (Foucault, Deleuze, etc.). E quem mais do que Hitler, transformou as ciências numa forma de religiosidade política, forçando nas descrições científicas as distinções que a necessidade política forçava? O segundo acto está montado. A diferença entre o mau e os bons está na forma como os segundos fazem uso dessa racionalidade. Os maus matam pela raça, os bons pela classe social. Sartre, santificado na Europa Ocidental, afirmava o seu pacifismo enquanto defendia os campos de concentração onde se empilhavam inimigos do povo. Estaline, o maior assassino da História, era um santo que fazia o mundo adequar-se ao sonho de Marx. A diferença entre o populismo de uns (do povo, com toda a fúria socialista) e o que é dirigido a outros (a pequena burguesia, com todo o seu ódio racial) é, para o Esquerdista, toda a diferença do mundo. Mas qual é a diferença real, ou o critério para avaliar a diferença entre os preconceitos de Robespierre ou Marx, a necessidade do Terror e da destruição física e social da burguesia ou da nobreza e ou de um outro qualquer povo?

É curioso que num mundo obcecado com os campos de concentração, a abertura ao Leste tenha vindo com a total incorporação da máquina estatal comunista. Sem culpados, sem crimes, sem dias da memória histórica…

Estão nos a preparar para o quê?"

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Ainda a propósito do texto em que António Lopes Ribeiro

 

superiormente explana sobre « A Morte da Conversa » recupero um post antigo, que chamei de  Lugar de todos os Encontros, a pensar, precisamente, que a Blogosfera se tornou um pouco nesse lugar, com as limitações que lhe são próprias.

É que, como, linkei num postal abaixo desse ( Julho de 2008 ),tudo está ligado, à distância de um toque,como diz o João.

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