Mês: Janeiro 2009 (Page 1 of 18)

Lula (Gororoba) da Silva

 

 

Na sexta-feira, tivemos o prazer de assistir a  uma das mais excepcionais representações telenovelistas de que há memória. Numa cimeira qualquer organizada  por um bando de jagunços entre os quais pontificavam o coronel Tapioca Chávez, o vendedor de tosquiados cabritos Moralles e a ex-secretária para todo o serviço Cristina "qualquer coisa que faz lembrar uma Kitchnette", o senhor Lula da Silva interpretou o papel de um ex-sindicalista de ocasião. Semi-nu, esbracejante e muito faveleireiro, discursou á malta. Já há muito tempo não assistíamos a tamanho berrório, num pavilhão cheio de mensalados e de subscritores de duvidosos boletins de voto. Contra o capital, pelos pobres e oprimidos, por uma nova ordem mundial, na qual ele e os seus improváveis amigos serão figuras de proa. Quanto aos outros, Chávez lá disse o que vitaliciamente quererá dizer, Moralles grunhiu umas bestices vitalícias mas Lula, esse, surpreendeu. Ainda há umas semanas o vimos todo engravatado e rodeado por tubarões da mais alta camaradagem sarkoziana e  plutocrática de Paris, assinando contratos bilionários para a compra de aviões de guerra e outras negociatas mais. Ontem, foi a vez do faz de conta, regressando aos tempos de molecagem em que brincava às revoluções. 

 

Comício finalizado, imaginamos o que a seguir fizeram os grandes líderes: uma bela jantarada de luxo num hotel de cinco estrelas (paga pelo bolso do contribuinte que ficou lá fora), onde a vinhaça importada correu a rodos, acompanhada por lagostins, camarões apimentados e uma valente feijoada com todos, para libertar os gases de fim de semana. Enquanto isso, na rua, os estridentes apoiantes iam devorando o que as marmitinhas de plástico carregavam desde casa: umas gororobas de lulas com farofa, feijão preto com feijão branco, uns nacos de pão e uns chopes mornos para refrescar as roucas goelas. Na sala VIP do hotel, a noite acabava com um frenético samba com garotonas de programa, uns cheirinhos de branca enquanto uns andares mais abaixo, à beira dos bueiros, enrolavam-se uns baseados. Como sempre, nada muda.

 

Na próxima segunda-feira, tudo voltará ao normal, com Chávez a vitaliciamente importar canhões e mísseis russos, Moralles a vitaliciamente adquirir camisolas de lã semi-virgem na feira popular, a Cristininha a vitaliciamente marcar mais um retoque de botox e uma liposinha no baixo ventre. O senhor Lula, esse, já vestido a preceito, vitaliciamente regressa à roda viva de contactos capitalistas, esfregando as mãos de contente por se sentir um grande entre os grandes. Petróleo, gás, muita comida para exportar e claro, bastantes milhões para vitaliciamente conquistar novos amigos. E entretanto, para amansar o povão, lá vai de surdina cantando "viva a revolução"… (vitaliciamente dele).

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” O seu comportamento no caso do ultimato inglês

foi marcado pelo bom senso,  a  coragem e o patriotismo, mas a opinião pública julgou-o mal. Empenhado na via das acções exteriores, deu provas de inteligência, de previsão e de finura, ao ponto de se tornar um actor maior num palco onde evoluíam homens como Salisbury, Delcassé e Guilherme II "

                Quem assim fala sobre o Rei assassinado, faz amanhã 101 anos, é o investigador francês Jean Pailler.

Olhemos à nossa volta e tiremos as ilações…

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A propósito de Monarquia…

… afinal, nem tudo são rosas.

A parte realmente triste é verificar que Guerra Junqueiro se encontra vivo, agora mais que nunca nos últimos 100 anos.

 

Ora vejamos:

 

Somos um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonha, feixes de miséria, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que já nem com as orelhas é capaz de sacudir as moscas. […]“;

temos

“Um clero português, desmoralizado e materialista, liberal e ateu, cujo Vaticano é o ministério do reino, e cujos bispos e abades não são mais que a tradução em eclesiástico do fura-vidas que governa o distrito ou do fura-vidas que administra o concelho […]“;

“Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavra, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo […]“;

“Um exército que importa em 6.000 contos, não valendo 60 réis […]“;

“Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo […]“;

“A Justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara a ponto de fazer dela um saca-rolhas”;

“Dois partidos monárquicos, sem ideias, sem planos, sem convicções […]“;

“Um partido republicano, quase circunscrito a Lisboa, avolumando ou diminuindo segundo os erros da monarquia, hoje aparentemente forte e numeroso, amanhã exaurido e letárgico […]“;

“Instrução miserável, marinha mercante nula, indústria infantil, agricultura rudimentar”,

“Um regime económico baseado na inscrição e no Brasil, perda de gente e de capital, autofagia colectiva, organismo vivendo e morrendo do parasitismo de si próprio”;

“Liberdade absoluta, neutralizada por uma desigualdade revoltante, o direito garantido virtualmente na lei, posto, de facto, à mercê dum compadrio de batoteiros, sendo vedado, ainda aos mais orgulhosos e mais fortes, abrir caminho nesta porcaria, sem recorrer à influência tirânica e degradante de qualquer dos bandos partidários”;

“Uma literatura iconoclasta, – meia dúzia de homens que, no verso e no romance, no panfleto e na história, haviam desmoronado a cambaleante cenografia azul e branca da burguesia de 52 […]“;

“E se a isto juntarmos um pessimismo canceroso e corrosivo, minando as almas, cristalizado já em fórmulas banais e populares […] teremos em sintético esboço a fisionomia da nacionalidade portuguesa no tempo da morte de D. Luís, cujo reinado de paz podre vem dia a dia supurando em gangrenamentos terciários.”

GUERRA JUNQUEIRO 1886  

 

Nada tenho contra a Monarquia, nem contra a República – apenas e só contra o pântano a que este (bem… esse aí) chegou.

[e ainda bem que não somos todos monárquicos aqui no blog]

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Um Rei independente do sistema partidário ( 2 )

Diz o Pedro Félix, e com alguma razão, que os actuais monarcas do mundo ocidental têm sofrido de uma tibieza flagrante na hora  de intervir.

Por estar bem ciente desse calcanhar de Aquiles é  que ressalto o quão importante é que o herdeiro do trono seja, desde pequeno, educado no espírito de missão que não faltou a D. Pedro V. Essa fibra que não deve faltar a um Homem do Leme que se preze…

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Um Rei independente do sistema partidário,

educado desde pequeno para apenas prosseguir o bem da Nação, que utilize todos os poderes que a Constituição confere ao Chefe de Estado, v. g. o de dissolver o Parlamento sempre que, dentro do alto ideal que é esse Bem Público, entenda não se estar a seguir a política benéfica ao País, sem ter de acatar os ditames partidários, que é o que um Presidente da República acaba sempre por fazer, mesmo quando diz que é Presidente de todos nós, é o que almejo, caro Corcunda!

O oposto de coroar Abril !

Um Rei interveniente dentro do Constitucionalismo não é novidade na nossa História

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A Monarquia aos olhos de um republicano decepcionado

 

 

Ao ler este artigo, fiquei com uma enormíssima vontade de dar um ponto de vista que rara ou dificilmente será dado por um (ainda) republicano. Em primeiro lugar, como referi aqui, o conceito de Monarquia ou monárquico é sempre (ou quase sempre) associado a um regime absolutista, às barbáries do PPM ou a qualquer outro fim das liberdades individuais. Não me chegam os dedos das mãos para contar as inúmeras ocasiões em que me brindaram com estas intervenções reveladoras de uma inteligência tão rebuscada que nos fazem questionar o propósito existencial de certas almas.

Pondo de parte a questão dinástica e de legitimidades, uma vez que esse assunto não deve ser discutido num artigo tão sintético, a verdade é que grande parte dos republicanos têm uma forte razão para o ser, uma razão estruturada e bem argumentada que manda abaixo todo o tipo de ideal monárquico, o argumento que é usado desde 1910, estou a falar claro no celebrado, porque sim!

Ignorando a História, (sei que é algo que não se deve fazer mas é apenas para explicação de conceitos) Monarquia e República são dois sistemas igualmente legítimos, que não devem ser associados a qualquer orientação política uma vez que há a possibilidade da existência de governos liberais e conservadores em qualquer um dos casos.

Pegando então na História, ignorando as histórias, é absolutamente necessário ter presente um conceito que falta a muito boa gente, a anacronia. Quando analisamos a História devemos ter bem presente que a mentalidade, os costumes, a organização e o quotidiano estão enquadradas numa época precisa, sendo um erro crasso (e muitas das vezes lamentável, analisar certos casos como se tivessem ocorrido nos dias de hoje).

Portugal teve ao todo 767 anos de regime monárquico e estamos no 99º ano de República, (claro que a contagem é geral mas dá para ter uma ideia), em 767 anos de Monarquia, Portugal teve um percurso com diversos aspectos negativos (similares aos de muitos países), mas tivemos durante séculos uma posição de relevo no mundo que ajudámos a descobrir, todos conheciam a nossa bandeira e ninguém ousava pensar que éramos uma província espanhola (excepto naquele desaire Filipino em que a invencível armada quase nos afundava com ela). A República leva uma clara vantagem no campo da opinião do popularucho, uma vez que neste momento vivemos numa Democracia (aos olhos de muita gente) e ninguém se lembra nas atrocidades cometidas na Iª República.

Sim, é verdade que nunca houve um regime livre durante a Monarquia em Portugal, mas também não foi a Iª República que a trouxe, muito menos o Estado Novo, nem o PREC. Portugal é hoje democrático (aos olhos de muita gente, repito) porque a História evoluiu nesse sentido, não foi por ser República ou Monarquia, foi o desenrolar de acontecimentos e o aparecimento de movimentos e pessoas que fez com que tudo culminasse no que temos hoje.

 

É a estupidez e a carência de massa encefálica da maior parte dos Republicanos que me desola cada vez que este assunto é discutido. Não digo que tenham de ser grandes conhecedores da história, mas por favor respeitem-na.

Experimentem pegar nos livros infantis de quando eram pequenos ou dos vossos filhos, netos ou sobrinhos, e substituam o Rei Simpático pelo Dr. Mário Soares, o Príncipe Encantado pelo Dr. João Soares, O Reino da Fantasia pela República Fantasiosa e venham dizer-me que a história que nos fazia brilhar os olhos quando éramos pequenos continua a ter piada!
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Em memória das vítimas do Regicídio

 

 

Como é habitual nas gentes do norte, o João Amorim, nosso colega e amigo do blog Os Carvalhos do Paraíso, tomou a iniciativa de organizar um almoço de confraternização. Realizar-se-á no próximo domingo, 1 de Fevereiro de 2009, pelas 13.00 horas, no restaurante/cervejaria Trindade, ao Chiado, Lisboa.  

 

A todos os interessados em participar na já tradicional evocação da memória das vítimas do Regicídio, endereçamos este apelo à participação no convívio. Desde já podem contar com a presença do E. S., representando também, o Combustões. Podemos também contar desde já, com a presença dos blogs Centenário da República e Cartas Portuguesas, além de alguns republicanos ultrajados por aquilo que o 1º de Fevereiro significou.

 

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