Tenho para mim que o rio é a  maior das muitas maravilhas em que a Natureza é tão pródiga: ver a água a correr para o mar, por vezes numa lentidão feita calmaria, doutras numa urgência tal que o seu curso é semeado de remoinhos vorazes.

As margens sempre luxuriantes e convidativas…

Não, não encontro cenário mais aprazível!

 

Assim é o rio Ave, tão vário ao longo de um leito que o leva desde a nascente na Serra da Cabreira, até que encontra o mar, junto de Vila do Conde.

É este rio que conheço desde pequena, por fazer da terra onde nasci  um dos lugares de passagem. Habituei-me, pois, a vê-lo transbordar no Inverno,  de forma a cobrir a ponte romana que liga as duas margens, e a surgir aos nossos olhos pouco mais do que um riacho no Verão, quando aquela é avistada em todo o esplendor da pedra antiga…