"…notei como a única maneira de evitarmos a fraude do clássico copianço está em legalizarmos o copianço, admitindo-o como parte integrante da resposta ao teste, incluindo as microfotocópias reduzidas dos textos de apoio que, talvez, venham a ser peças que oferecerei para o futuro museu do espírito de Bolonha."

 

José Adelino Maltez in Sobre o tempo que passa

 

Ora aí está uma medida que o PM poderia adoptar como bandeira da sua governação. Afinal, "os alunos têm direito a ter sucesso", e ainda constituem uma larga faixa de votantes.

 

Ainda há uns dias discutia com uns amigos sobre o copianço na universidade, tendo para mim, que nunca fiz cábulas, que em primeiro lugar sentir-me-ia mal comigo próprio se o fizesse, estaria a enganar-me a mim próprio, e em segundo lugar, se o fizesse morreria de vergonha só de pensar em ser apanhado, quanto mais se o fosse. Ainda assim, são imensos os casos de pessoas que fazem uma licenciatura a cabular em quase todas as cadeiras.

 

Mas enfim, parece que nos exames nacionais do secundário a média de matemática subiu 4 valores (milagre!), enquanto a de português desceu. Na televisão uma aluna explica a descida a português: "a maior parte das pessoas não estava à espera que saísse Os Lusíadas, e é uma obra muito difícil de interpretar…".

 

Mas isso também não interessa para nada, desde que saibam fazer contas não é preciso saber escrever português nem reflectir, o regime até agradece, menos incomodam e ficam melhor preparados para apreender as regras do acordo ortográfico.