Mês: Julho 2008 (Page 1 of 16)
A partir dos dezassete, e durante alguns anos, passei todos os meses de Agosto numa quinta em Valença do Minho.
As manhãs, por vezes, eram passadas na praia de Moledo, reservando as tardes para passeios pelos arredores, leituras e banhos na piscina.
Fim de tarde, começo da noite, rumávamos a Tui, onde, naquelas noites de temperaturas bem agradáveis, jantávamos ao ar livre num restaurante/tasca bem aprazível.
Mas ocasiões houve, em que, juntamente com as irmãs e alguma amiga, saíamos da pequena mas muito acolhedora estação de comboio da vila, de manhã bem cedo, com o farnel preparado na véspera, e íamos até Caminha, Monção ou Ponte da Barca.
Foi a altura de conhecermos o Alto Minho com o vagar e a atenção que ele merece.
Está prevista para os próximos meses, a chegada dos novos tanques do exército. Chegam discretamente e a compra correspondeu à necessidade do habitual "faz de conta" do sector político que "nunca" dispende verbas com militarismos ultrapassados. No entanto, compram e do melhor. Desta vez, parece que as FA optaram pela nacionalidade de um certo tipo de equipamento, que melhores provas deu nos campos de batalha. Sucessor dos velhos Tigre da II Guerra Mundial, o Leopardo 2A6 faz importante figura nas paradas e no campo de operações. Não existe rival que se lhe superiorize e pela primeira vez, a panzerwaffe fornece blindados a Portugal. Apenas 37 unidades, um número modestíssimo, mas suficiente para a manutenção da operacionalidade deste ramo do exército, uma vez que não se conhece qualquer ameaça directa de invasão do território português.
Durante umas décadas, os 10 de Junho contarão com a presença destes Leopardos, sem que súbitas avarias transtornem aquele cerimonial, tão oportuna, correcta e políticamente julgado como maçada militarista. El Dia de la Bandera em Madrid é decerto mais apetecível para algumas das nossas patrióticas autoridades. Mas aqui fica a novidade.

oiço na rádio que faz anos que , num acidente de aviação, sobre o Mediterrâneo, morreu Antoine de Saint -Exupéry.
São célebres os diálogos do seu livro mais conhecido, «O Príncipezinho», mas todos nós guardamos o que o pequeno visitante do nosso planeta manteve com a raposa
«-Que quer dizer cativar? – É uma coisa muito esquecida. Significa "criar laços" (…) Os homens compram tudo prontinho na loja, mas como não existem lojas de amigos…».
Os portugueses são masoquistas e insistem. Esta é a visão que os russos têm da entrada de Bonaparte em Moscovo e a sua frustração por não ter encontrado o que esperava, isto é, um czar suplicante. Teve a felicidade de capturar os soberanos de Espanha, Prússia, Holanda, Dinamarca e teve o kaiser nas mãos. Em Portugal, sabemos o que aconteceu. Mais palavras para quê?
Pedro, Pedro, ora vamos lá a isto então, depois de finalmente te teres revelado e confirmado as minhas expectativas com o comentário que fiz.
Para começar, não sei onde foste buscar essa do "nível", mas de certeza que não estamos no mesmo. É que eu fui bem educado e a minha mãezinha habituou-me a gostar de chá, o que parece não ter acontecido contigo (o seres bem educado, não a minha mãezinha habituar-te a gostar de chá pois se fosses filho da minha mãezinha levavas 2 tabefes nas fuças para aprenderes a deixares-te de merdas e a comportares-te como um menino bonito – e ai sim já estaríamos ao mesmo "nível" viu?), o que demonstraste mais uma vez, desta feita para com o Carlos Miguel Fernandes, sem contar com os vários comentários que foste fazendo ao longo dos últimos meses a determinados posts meus, na senda das já lendárias tiradas à Fontela na blogosfera (por exemplo aqui ou ali), de onde destaco ainda a tua entrada logo a matar na primeira vez que interagiste com a minha pessoa, já a demonstrar o teu tão elevado carácter.
Continuando, gosto imenso do teu elogio irónico – "colega com um trato tão distinto e delicado" – logo seguido da tua própria vitimização que só peca por falta de originalidade em termos discursivos. Se necessitares de um ombro amigo entretanto não hesites em avisar-me se amuares "num canto escuro sozinho". Realmente quando usamos as mesmas técnicas dos outros, o chamado feitiço virar-se contra o feiticeiro, é chato não é? Não eras tu que ainda há tempos me dizias que gostavas de combater o fogo com fogo?
Subindo agora um bocadinho o "nível", vou apenas evidenciar como certa esquerda alegadamente idealista, defensora dos frascos e comprimidos ou fracos e oprimidos ou lá o que é, que prima pela visão de que todos os outros são os "maus" e só eles é que sabem como as coisas devem ser feitas, sendo que uma das suas habituais crenças é na igualdade e na luta contra o elitismo, não se imiscui de se achar na superioridade moral de corrigir os outros de quem discorda, e isto apenas com palavras tuas: "Apesar de não ser um especialista na maioria dos temas que abordo não estou na estaca 0 e não tenho razão para me colocar ao nível da completa ignorância ao deixar passar erros (mal intencionados ou honestos) grosseiros."
Pedro já te ocorreu por acaso que as outras pessoas poderão só assim porventura não partilhar das tuas interpretações das coisas, da História, da Filosofia e da Teoria Política ou seja lá o que for?
Para alguém que se afirma tão liberal e que acusa todos os proclamados liberais da blogosfera de nem sequer saberem o que é o liberalismo não te fazia mal leres um dos pais desse, John Locke e as suas Cartas Sobre a Tolerância. Não se trata de relativismo moral, trata-se de saber aceitar as opiniões dos outros, algo por que sempre me pautei, ao contrário da tua pessoa que parte sem qualquer pejo para ataques pessoais na sua forma mais reles. Mas já agora, eu sou adepto do relativismo, e daí? Por ser de direita não posso ser relativista? Fico esclarecido com tal padronização e tabelização de características que tanta gente tende a fazer. Lá está, afinal sempre tenho razão quando há tempos dizia o que o Professor Jaime Nogueira Pinto estatui quanto à técnica da amálgama da esquerda: Hitler = Nazismo = Fascismo = Ditadura = Direita = Salazar = Thatcher = Cavaco = Barroso = Portas etc.
É por isso que eu gosto de ser monárquico, de direita, liberal, conservador, salazarista, democrata, defensor da moral e dos bons costumes e simultaneamente relativista. Ficaste confuso? Secalhar sou só eu que sou politicamente esquizófrenico. Para a esquerda é tudo muito mais fácil e simplista não é?
Quanto ao levar as coisas demasiado a sério, Pedro, isto é a blogosfera, ninguém aqui está interessado em descobrir "a verdade" a ler blogs. Se tal vai contra aquilo que achas que deveria ser a blogosfera lamento por ti, mas gostaria apenas de dizer-te que não ando aqui só a matar o tempo com lugares comuns como parece que é a tua opinião sobre a minha pessoa, simplesmente encaro os blogs como algo que deve ser interessante mas descontraído e com alguma piada à mistura. Relativamente a levar realmente a sério o meu trabalho no campo político, deixo isso para as diversas associações em que estou envolvido e para a universidade, já me basta dar uma média de 15 a 20 páginas A4 para cada professor ler em cada frequência/exame meu sem contar com trabalhos. Mas gosto que tu te coloques num patamar mais elevado e que te sacrifiques por todos aqueles que não levam as coisas tão a sério visto que"há sempre um preço a pagar pela preguiça de pensar e de agir e para alguns é mais alto que para outros."
Ainda sobre a tua resposta, uma nota sobre esta maravilhosa frase: "dá um pouco mais de trabalho escrever coisas que as pessoas não querem ler porque vai contra as suas crenças mais profundas". Diz o roto ao nu porque não te vestes tu?
Pedro um dia talvez te apercebas que a forma é muitas vezes mais importante do que a substância e talvez então aprendas a polir a tua forma para que dêem importância à tua substância.
Já agora, como decerto compreenderás, tendo em conta que ataques pessoais, tal como te disse da primeira vez que interagimos, não fazem parte da minha forma de ser e estar na vida, e tendo em consideração que ainda sou o fundador do blog, arrogo-me naturalmente o direito de te "convidar a sair", como perceberás se olhares para a coluna da direita. Os teus amigos franceses é que percebem desse tipo de convites, davam até bastante uso a um instrumento engraçadíssimo durante a revolução:

de 1843, e depois de ter citado Maistre, Garret entrou num vapor com destino a Santarém, estava a escrever as primeiras páginas de um livro que, muitos e muitos anos depois, me iria atrair a atenção, não tanto pelas digressões várias que aí se narram, mas porque queria saber da história da menina dos rouxinóis.
Com efeito, da primeira vez que contactei com «Viagens na Minha Terra», teria, talvez, doze anos, apenas me cativou o romance de Carlos e Joaninha; só mais tarde, com o livro a integrar as leituras previstas no programa da disciplina de português, me debruçaria interessadamente sobre tudo o mais que o escritor tinha para dizer, e foi muito fácil, então, perder-me entre aquelas divagações…
Samuel, Samuel… se dissesse que não vi este “confronto” a léguas de distância estaria a mentir. Mas cá estamos nós e independentemente das circunstâncias vamos ver se pomos os pontos nos is. Responder a tanta acusação junta torna-se complicado, ainda mais complicado quando se trata de um colega com um trato tão distinto e delicado – que no entanto conseguiu chegar ao ponto que eu nunca cheguei, sem tocar no assunto em questão disparou n acusações ultra pessoais de falhas de carácter, é caso para dizer que quem tem “nível” é outra coisa. Realmente não sei se correspondo ao teu (e de muita gente) ideal da pessoa modesta e sinceramente não quero saber se o faço. Apesar de não ser um especialista na maioria dos temas que abordo não estou na estaca 0 e não tenho razão para me colocar ao nível da completa ignorância ao deixar passar erros (mal intencionados ou honestos) grosseiros. Depois também estou consciente que o padrão usual da boa educação cá no burgo é algo pelo qual eu felizmente não dependo e com boas razões para tal: se não gosto de alguém torno isso claro em vez de andar com rodeios e hipocrisia; não faço favores a tipos “porreiros” nem a” amigalhaços” e isso irrita muita gente; não defendo erros de outras pessoas por muito próximas que me sejam; não bajulo ninguém só porque estão numa posição de ser úteis em qualquer aspecto e ainda por cima tenho a mania de uma coisa chamada meritocracia, parvoíce minha por certo. Em geral considero o não corresponder ao standard típico da boa educação portuguesa uma grande virtude moral minha (qualquer leitor que sinta o seu nacionalismo ofendido pode amuar num canto escuro sozinho porque eu não quero saber).
Por fim agradeço profundamente a preocupação com os meus níveis de energia. Realmente dá um pouco mais de trabalho escrever coisas que as pessoas não querem ler porque vai contra as suas crenças mais profundas mas do que simplesmente pregar um enorme conjunto de lugares comuns socialmente bem aceites mas se quisesse ouvir aplausos de um público trabalharia como actor para ao fim de cada discurso sentir a aprovação da multidão. Além disso não é o mundo que me irrita Samuel, só parte dele. A parte que tende para o conservadorismo autoritário que tanto abomino e que tanto se arroga em vítima.
Desde os anos 80 onde os conservadores ocidentais conseguiram as suas primeiras vitórias políticas significativas depois da geração de 60 tem havido uma onda revisionista no que toca a analisar a história dos diferentes movimentos revolucionários e progressistas que tem tentado dar um certo spin aos eventos mundiais – a revolução francesa passou a ser inteiramente negativa (ou de mérito marginal), a inglesa passou a ter um mero carácter económico, os regimes ditatoriais Ibéricos passaram a ser positivos, etc.








